Pivovar Eggenberg: A cervejaria dos reis da Boêmia

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A minúscula cidade de Ceský Krumlov,  a cerca de 180Km de Praga, na República Tcheca, é uma daquelas jóias medievais pouco conhecidas pelos viajantes. O cristalino rio Vltava capricha no visual, enredando a cidadezinha em cinco caprichosas curvas. Para o pedestre — e não há outra maneira de se conhecer Ceský Krumlov se não for a pé — o efeito é hipnótico. A cada dez minutos de caminhada sempre haverá uma ponte a ser atravessada. O rio, claro, é o mesmo. Emoldurada pelo maravilhoso castelo Krumlovský Zámek, do século XIII, a cidade é, desde 1922, considerada pela Unesco como Patrimônio Histórico da Humanidade.

A história da cerveja em Ceský Krumlov é tão antiga quanto a própria vila, que até 1555 era dividida em duas, Latrán e Krumlov, que guerreavam entre si pelo privilégio real para fabricar cervejas de trigo. Em 1347, o duque Peter I, da Casa de Rozmberk, adjudicou o direito de abrir a primeira fábrica de cerveja. Mas a verdadeira fundação do que é hoje a Pivovar Eggenberg veio com um descendente seu, Vilém de Rozmberk, o qual mandou construir uma tubulação que buscava água pura das montanhas diretamente para a cervejaria. Diz-se que, a partir de então, metade dos fabulosos rendimentos da família Rozmberk passou a ser proveniente da cerveja.

Mas toda família nobre que se preze tem uma ovelha-negra que, no final, põe tudo a perder. No caso dos Rozmberk foi um certo Petr Vok que, atolado em dívidas,  transferiu em 1611 o solar onde estava instalada a fábrica às mãos do imperador Rudolf, dos Habsburgos. Em 1622, o descendente de Rudolf, Ferdinand II, deu o solar e a fábrica para a família Eggenberg como retribuição pela Casa haver auxiliado o Império com despesas de guerra. A velha pivovar (cervejaria), então, troca seu nome para o da família nobre que agora passava a controlá-la.

Para satisfazer a procura crescente pela cerveja, os Eggenberg decidiram reconstruir, em 1630, o solar de Anna Rozmberk, bem como o adjacente arsenal de Petr Vok, onde até hoje se encontra a cervejaria (veja as fotos abaixo). Em 1719, com a falência da família Eggenberg, o negócio foi transferido para a Casa dos Scwartzemberg, os quais operaram com competência a fábrica sem alterar seu nome. Veio a II Guerra Mundial e, com a ocupação soviética da então Tchecoslováquia, a família foi expropriada de sua amada cervejaria, que foi simplesmente transferida para o Sindicato dos Cervejeiros de Ceské Budejovice, cidade próxima dali. Em 1991, afinal, a companhia americana Dionex Inc. comprou a fábrica e vem controlando-a até hoje.

Este Confrade do BREJAS esteve em Ceský Krumlov e visitou a fábrica da Eggenberg, onde são produzidos alguns elixires no estilo Bohemian Pilsner (BJCP). Destaque para as ótimas Krumlovský Vánocní Lezák, Petr Vok e a deliciosa Tmavi Lezák 11º, essa no estilo Schwarzbier. Abaixo, curta algumas fotos dessa visita:

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Entrada da fábrica

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Antigo solar dos Rozmberk e arsenal de Petr Vok, onde hoje funciona o restaurante da cervejaria.

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Este embevecido escriba do BREJAS, prestes a descobrir alguns dos sabores centenários da Pivovar Eggenberg.

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Descubra mais sobre Ceský Krumlov e Praga, na República Tcheca, na nossa seção Viagem e Cerveja, alocada na aba “O Guia“, no lado esquerdo desta página.

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