Arquivos para a Categoria 'Bares que Amamos'

Roteiro cervejeiro de Lisboa

Comentários
1.967 visitas

por Alexandre Marcussi*

Em agosto e setembro de 2012, estive em Lisboa para um estágio profissional e aproveitei a visita para conhecer um pouco mais a cena cervejeira local (veja aqui alguns comentários sobre as cervejas portuguesas). Portugal não oferece exatamente um cenário exuberante para o apreciador de cervejas. De fato, os portugueses estão acordando apenas lentamente para os prazeres que o mundo cervejeiro é capaz de proporcionar. Como resultado, é preciso garimpar um pouco para descobrir os picos locais. Como, felizmente, eu tinha dois meses e contei com a ajuda de alguns amigos cervejeiros (em especial Fernando Cardoso, do blog À base de cerveja, e Bruno Aquino, do portal Cervejas do Mundo), pude descobrir e visitar alguns pontos de interesse para os amantes de cerveja e compartilho com vocês um breve roteiro para quem for visitar Lisboa!

 

El Corte Inglés

Devo confessar que, durante os dois meses em que morei em Lisboa, eu bati carteirinha no El Corte Inglés, que é uma enorme loja de departamento próxima à estação São Sebastião de metrô. A parte que nos interessa fica no subsolo: o supermercado da loja possui uma ótima seleção de cervejas importadas, com destaque para uma boa variedade de belgas, além de algumas norte-americanas, alemãs e inglesas. Os preços são os melhores que você encontrará na capital. Há mais alguns rótulos escondidos nas adegas climatizadas do empório da loja, mas o grosso fica nas prateleiras do supermercado mesmo. Não deixe de visitar também as seções de vinhos e queijos regionais. Uma ótima descoberta que a loja me proporcionou foi a belga Gulden Draak, uma excelente dark strong ale que se encontra irregularmente no Brasil. Decididamente doce, pesada, oleosa e licorosa, ela equilibra sua sensação de doçura com uma gostosa picância de especiarias e álcool, como em um licor. Tem aroma complexo, em que o forte caramelado do malte é enriquecido com especiarias (alcaçuz, canela) e um perfil frutado lembrando cereja e vinho. Não sei se fiquei sugestionado pelas bebidas locais, mas ela me sugeriu vivamente a ginja, um licor de cerejas que é típico de Portugal.

Diversidade de rótulos importados no El Corte Inglés. Sim, aquela vermelhinha no canto inferior esquerdo é uma legítima Brahma!
Fonte: acervo pessoal Alexandre Marcussi

 

Cruzamento das avenidas António Augusto de Aguiar, Marquês de Fronteira e Sidónio Pais.
servico_clientes@elcorteingles.pt
Horários de funcionamento: seg.-qui.: 10:00-22:00; sex.-sáb.: 10:00-23:30; dom. e feriados: 10:00-20:00
http://www.elcorteingles.pt/

 

British Bar

O British Bar é um pub de estilo britânico que consta ter sido no passado um reduto de marinheiros, ao lado do Cais do Sodré e bem próximo do centro histórico e turístico de Lisboa. Tem ambiente despretensioso e mesas de madeira onde lisboetas e turistas convivem durante o happy-hour, além do balcão de onde saem chopes belgas e locais. O destaque da casa são os rótulos da tradicional cervejaria inglesa Samuel Smith – o bar não cobra barato por eles, mas oferece a maior seleção da marca na cidade. Quando estive lá, tive a oportunidade de provar a excelente Samuel Smith’s Imperial Stout, uma stout imperial bem britânica, para nos relembrar como era o estilo favorito dos russos antes do extremismo das interpretações norte-americanas. Com 7% de álcool, destaca-se pela incrível sensação na boca, com corpo impecavelmente cremoso, e pela doçura bem equilibrada pelo amargor secundário. Chocolate e bananas passas escoltam nuances mais sutis de torrefação (café, caramelo, queimado) e um elegante lúpulo inglês (terroso, flor de laranjeira). Uma imperial stout muito gentil, acolhedora, que não agride nem um pouco.

Fachada do British Bar ao entardecer.
Fonte: acervo pessoal Alexandre Marcussi

Rua Bernardino da Costa, n. 52
Telefone: +351 213 422 367
Fecha aos domingos

 

O’Gilins Irish Pub

Um simpático pub irlandês localizado próximo ao Cais do Sodré, talvez a uns 100 ou 200 metros do British Bar. O ambiente é aconchegante, com mesas de madeira e um bem-vindo jazz ao vivo em algumas noites. O carro-chefe da casa é o chope Guinness, como não poderia deixar de ser, mas há outras opções, como as belgas Duvel e Chimay Bleue (precisa mais?). A cada cerveja pedida, o bar oferece, como cortesia, uma “tapa”, ou seja, um pequeno tira-gosto. Aproveitei minha visita para revisitar a clássica Duvel: a cerveja que deu origem ao estilo Belgian golden strong ale é diabolicamente fácil de beber, leve, seca, aromática e fresca, lembrando de longe um bom espumante. Florais e apimentados típicos dos lúpulos Saaz e Styrian Golding combinam-se com frutas frescas (peras, banana, laranja), enquanto o corpo leve e seco e o amargor delicado potencializam a drinkability. Um clássico, imperdível para qualquer apreciador de cervejas.

Fachada do O’Gilins Irish Pub.
Fonte: acervo pessoal Alexandre Marcussi

Rua dos Remolares, n. 8-10
contact@irishpub.com.pt
http://www.irishpub.com.pt/

 

Taberna da Rua das Flores

No elegante bairro do Chiado, na parte alta, fica um restaurante e mercearia de aparência charmosamente rústica, que opta por dar destaque aos produtos artesanais e tradicionais da cozinha e da baixa gastronomia portuguesa. Daí possivelmente o fato de ser o único lugar da capital em que eu consegui encontrar cerveja artesanal portuguesa – especificamente, a Sovina. Aproveitei minha visita para degustar a dry stout da cervejaria, acompanhada de um couvert com azeitonas, pães e azeite português. A Sovina Stout tem problemas de fabricação típicos de microcervejarias recém-instaladas, ainda em fase de adaptação das receitas caseiras para o equipamento industrial (me lembrou algumas caseiras e artesanais no Brasil há uns 4 ou 5 anos atrás). Apesar disso, mostra seu potencial com um perfil bem diversificado de sabores de torrefação, iniciando o gole com um chocolate que dá lugar a café e cinzas em um final bem seco, típico do estilo. O corpo é leve para médio, e o amargor predominante é perturbado por uma certa acidez lática que prejudicou sua pureza. Valeria conferir como andam os novos lotes da Sovina Stout.

É fácil perder a discreta fachada enquanto se galga a íngreme ladeira.
Fonte: acervo pessoal Alexandre Marcussi

Rua das Flores, n. 103
Telefone: +351 213 479 418
Horário de funcionamento: seg.-sex.: 12:00-24:00; sáb.: 16:00-24:00

 

Café Medeia

No shopping center Dolce Vita, ao lado da estação Saldanha do metrô, funciona o cinema Medeia, cujo restaurante e café, bem ao lado das bilheterias, é um dos melhores lugares para curtir uma boa cerveja em Lisboa. O cardápio conta com lanches, pratos e porções para acompanhar uma carta de cervejas extensa para os padrões lisboetas, que inclui rótulos belgas, ingleses e alemães a bons preços. Perfeito para um copo de boa cerveja antes da sessão de cinema. Aproveitei minha visita para provar mais um rótulo da inglesa Samuel Smith, a Samuel Smith’s India Ale, uma IPA leve e harmoniosa, que prima pela interação afinada entre o malte ricamente acastanhado e o lúpulo delicadamente britânico, trazendo frescor frutado e floral para acompanhar o terroso-apimentado típico das variedades inglesas. A doçura do malte equilibra o amargor, que predomina sem muita intensidade no início e no residual. Uma IPA bem equilibrada, na qual os fanáticos por lúpulo talvez sintam falta de mais amargor.

Centro Comercial Monumental Dolce Vita
Avenida Fontes Pereira de Melo, n. 51
Telefone: +351 213 143 396
Horários de funcionamento: 12:30-24:00

 

República da Cerveja

Trata-se de um “pseudo-brewpub”, restaurante e cervejaria que tem uma linha exclusiva de chopes que, no entanto, não é produzida pela casa, mas sim encomendada para a Unicer, a mesma companhia que produz a lager de massa Super Bock. Localizada no Parque das Nações, longe do centro turístico e em uma área em modernização, tem um amplo e agradável deck à beira do Tejo, onde se podem degustar porções, sanduíches e os chopes da casa. Há ofertas sazonais que pareceram ser bastante interessantes, como uma lager forte de natal e uma cerveja com maltes de uísque turfados, mas não estavam disponíveis no verão, quando visitei o local. Pude provar a República da Cerveja Puro Malte, uma lager clara um pouco mais intensa, bem no perfil de uma Vienna lager mais clara, bastante doce, com notas expressivas de mel acompanhadas de um certo frutado remetendo a abacaxi e um floral de lúpulo bastante convencional. De corpo intenso, pesada, ela é saborosa mas um pouco enjoativa, não pedindo um segundo copo.

No calor, a pedida são as mesas colocadas do lado de fora.
Fonte: http://www.wingmanid.com

Jardim das Tágides, lt. 2.26.01, Parque das Nações
republica.cerveja@mail.telepac.pt
Telefone: +351 218 922 590

 

Cervejeira Lusitana

A Cervejeira Lusitana é uma rede de lanchonetes com várias unidades na região de Lisboa, que serve uma linha exclusiva de chopes e cervejas produzidos sob licença pela Unicer. A unidade que visitei fica no shopping center Vasco da Gama e tem o ambiente meio “pasteurizado” de um típico restaurante de shopping, com serviço um tanto confuso e o incômodo vai-e-vem dos passantes que visitam lojas e a praça de alimentação. A linha de chopes e cervejas inclui alguns poucos produtos que saem do lugar-comum, como a Lusitana Spicy, pesadamente aromatizada com gengibre e pimenta malagueta, e a Cervejeira Lusitana Weizen Dunkel. Esta é uma cerveja de trigo bávara escura de baixa tipicidade, adaptada para o paladar do consumidor português médio, que parece ter sido pensada como uma variação do clássico “chope escuro” adocicado, com maior acidez e corpo e algum aroma frutado complementar. O cravo-banana típico do estilo fica um pouco apagado diante do acastanhado e caramelado do malte, mas ela ainda tem alguma complexidade aromática interessante.

Centro Vasco da Gama, lj. 3029
vgama@lusitana.com
Telefone: +351 218 968 162
http://www.lusitana.com/

 

Museu da Cerveja

O recém-inaugurado Museu da Cerveja fica na Praça do Comércio (também conhecida como Terreiro do Paço), bem no coração do centro turístico da cidade, às margens do Tejo e de frente para as imponentes arcadas construídas pela monarquia no século XVIII. No térreo, funciona um restaurante-cervejaria em que frutos do mar são escoltados pelo chope exclusivo da casa, em três estilos (American lager, dark American lager e Vienna lager, todos produzidos pela Sociedade Central de Cervejas e Bebidas, a mesma que produz a Sagres), e por rótulos de Portugal, das ilhas atlânticas e de alguns países de língua oficial portuguesa, como Brasil e Angola. Os aficionados lisboetas tinham esperança de ver no Museu da Cerveja alguma cerveja artesanal brasileira, mas o cardápio só apresenta Brahma e Skol. A maior atração é o piso superior, onde funciona uma instituição museológica dedicada à história da cerveja nos países lusófonos, sobre a qual já comentei aqui. A cerveja servida ao final da visita ao museu, a Cerveja do Museu Bohemia, apesar do que o nome sugere, não é uma Bohemian pilsner, estando mais para uma Vienna lager forte, bem adocicada e frutada, com uma combinação de caramelo e maçãs vermelhas e um final levemente amargo para equilibrar sua doçura.

Fachada do Museu da Cerveja, com mesas na calçada.
Fonte: acervo pessoal Alexandre Marcussi

Terreiro do Paço, Ala Nascente, n. 62-65.
info@museudacerveja.pt
Telefone: +351 210 987 656
Horário de funcionamento: 09:00-02:00
http://www.museudacerveja.pt/

 

Pastéis de Cerveja

Por esta eu não esperava. É sabido que um dos doces mais tradicionais da culinária portuguesa é o pastel de nata, cujos representantes mais famosos e tradicionais são servidos quentinhos nas pastelarias do bairro de Belém (não ignore o excessivamente turístico Pastéis de Belém, ao lado do Convento dos Jerônimos, mas aventure-se pelo bairro procurando as pastelarias menores e poderá ter boas surpresas). E uma pastelaria do bairro, chamada simplesmente Pastéis de Cerveja, em homenagem ao seu carro-chefe, especializou-se num produto que une essa especialidade portuguesa ao nosso querido fermentado de cevada. Trata-se de um curioso pastel que leva cerveja como ingrediente, com recheio que parece ser feito com ovos e cerveja lager clara e uma suave cobertura de amêndoas. É uma das poucas comidas que já provei em que realmente se pode uma cerveja tão leve quanto uma American pilsner, mostrando um sabor de malte fresco e uma doçura de cerveja oxidada (como aquela que fica no copo de um dia para o outro) que, no contexto do pastel, caiu como uma luva. A pastelaria serve, para acompanhar, o chope Super Bock, que fornece uma boa harmonização por semelhança. O dono da pastelaria parece absolutamente alheio ao fato de que existem outros estilos cervejeiros que ele poderia usar para variações do seu pastel, mas eu não pude deixar de imaginar o que seria um pastel de cerveja feito com uma porter, uma Münchner dunkel ou uma dubbel.

Impossível não sacar qual a especialidade da casa.
Fonte: acervo pessoal Alexandre Marcussi

Rua de Belém, n. 15
Telefone: +351 213 634 338
http://www.facebook.com/PasteisDeCervejaDeBelem

————————–

alexandremarcussi

* Alexandre Marcussi é sommelier de cervejas pelo SENAC/Doemens Akademie e historiador especializado em História Cultural. Acredita que a cerveja e a cultura se complementam deliciosamente, e põe este princípio em prática em seu blog O Cru e o Maltado

 

 

Bares que Amamos: “Kerts” de Budapeste

Comentários
1.640 visitas

Bares em ruínas são a onda do momento na capital húngara

Tinha estado em Budapeste em 2004, apenas alguns anos após a cidade ter-se mostrado ao mundo emergida das trevas do domínio soviético. Naquele ano, a capital da Hungria, com seus letreiros indecifráveis, me pareceu muito mais misteriosa e fascinante. Pra fazer ideia do quanto os húngaros ainda mantinham o ranço cartorial comunista, até pra entrar no país, de carro, tivemos que levar uma dura na fronteira, respondendo perguntas marciais e tendo o passaporte carimbado. Ao liberar os documentos e nos deixar passar, a policial nos lançou um olhar gélido e ameaçador, como a nos advertir mentalmente que estaria sempre de olho na gente. Um barato.

Retornei em 2011, e um tanto daquela ingênua Budapeste tinha se esvaído em contato com o Ocidente. Muitos letreiros já eram bilíngues a livrar o visitante do antes exclusivo e ininteligível húngaro, o idioma “que até o diabo tem medo”. E os bares já não serviam somente a cerveja local — o que, convenhamos, não significa exatamente uma desgraça. Mas se, no cômputo geral, as brejas húngaras não são lá essas coisas, vamos aos bares!

Jardins botequeiros

Fogasház Kert: Repare na "grade" do mezanino...

A grande sacada do momento em Budapeste são os kerts, termo local que quer dizer jardim. Funciona assim: Casas abandonadas no centro da cidade são “arrendadas” gratuitamente na prefeitura da cidade por “produtores culturais”. O que seria uma forma da municipalidade evitar que essas antigas habitações se transformem em cortiços — de quebra oferecendo cultura aos cidadãos–, na prática, transforma-se em bom negócio aos “produtores”, que ali montam seus bares pagando zero de aluguel. Cultura? Há sim, pra não dizer que não falei das rosas. Talvez uma sessão esporádica de cinema ou um show acústico às vezes. Mas o que a rapaziada de Budapeste curte mesmo é o clima botecão, com certa dose de descolamento e, vá lá, aventura.

Visitei três dos mais badalados kerts da cidade, o Szimpla (Kazinczy utca, 14), o Fogasház (Akágfa utca, 51) e o Inztant (Nagymezö utca, 38). Em todos eles, mais ou menos os mesmos elementos: jeitão de república de universitários, cadeiras, sofás e mesas desparceiradas e com cara de lixão, salinhas labirínticas, cabos elétricos pendurados, DJ tatuado a postos e diversão descolada. Tudo acontecendo em meio a ruínas que parecem que vão despencar na sua cabeça a qualquer instante.

Parece inacreditável? Dá uma conferida nas fotos abaixo:

Continuar lendo ‘Bares que Amamos: “Kerts” de Budapeste’

Maior choperia do Brasil será inaugurada em Porto Alegre

Comentários
8.893 visitas

Biermarkt Vom Fass terá 24 torneiras de chope

Está marcada para o próximo dia 09/04 a inauguração da filial do já tradicional bar cervejeiro Bier Markt, em Porto Alegre. O novo Biermarkt Vom Fass será, até prova em contrário, a maior choperia do Brasil — não em metros quadrados, mas em número de torneiras diferentes de chope, que é o que mais importa.

Pedro Braga, o proprietário, conta que a casa possui uma câmara fria com capacidade para mais de 80 barris de chope de 50 litros cada. As 24 torneiras — um recorde brasileiro — ficam cravadas diretamente no vidro da câmara, através do qual os clientes podem admirar os barris gelando lá dentro. Ele já anuncia os rótulos que estarão disponíveis na inauguração: Eisenbahn Weiss, Pale Ale, Dunkel e Pilsen, Abadessa Helles e Export, Barley Natural, Coruja Extra, Colorado Vixnu, Demoisselle e Appia, Bierland Vienna Lager, Way APA, Bamberg Rauchbier, La Trape Quadruppel , Weinhenstephaner Weiss, Rogue Brutal IPA e Cap. Sig’s Northwestern Ale, Brewdog Punk IPA, Brew Dog 5 A.M, Brewdog Trashy Blonde, Anderson Valley Hop Ottin IPA,  Fulllers London Pride e uma convidada.

Como o foco do Biermarkt Vom Fass são os chopes, a casa contará com uma carta de cervejas reduzida, com apenas 40 rótulos. A inauguração oficial está prevista para acontecer a partir das 18 horas na Rua Barão de Santo Ângelo, 497, no bairro porto-alegrense de Moinhos de Vento.

Bares que Amamos: HOFBRÄUHAUS LAS VEGAS

Comentários
1.068 visitas

Hofbrauhaus1

Em 4510 Paradise Road, Las Vegas, Nevada, Estados Unidos

Foi após experimentar uma espécie de nirvana cervejeiro que, em 2007, postei neste Blog minha experiência na Hofbräuhaus de Munique, Alemanha, cervejaria fundada em 1589 pelo duque Guilherme V, da Baviera — por sinal, filho do autor da Reinheitsgebot, a Lei de Pureza da Cerveja. Como eu contei naquela oportunidade, pelas mesas da cervejaria passaram grandes vultos da história mundial, como Lênin, a imperatriz Sissi, Mozart e o nefasto Adolf Hitler.

A secular cervejaria se tornou uma atração turística tão famosa que, logo após a II Guerra Mundial, já havia gente ao redor do mundo disposta a replicá-la. Parte dessa fama mundial se deveu aos soldados americanos então lotados em Munique, os quais traziam para a América as famosas canecas de porcelana adornadas com a logomarca da cervejaria Hofbräu. Desde então, várias franquias foram sendo abertas na Europa, Austrália e Estados Unidos. Foi na de Las Vegas, em Nevada, que, boquiaberto, experimentei uma estranhamente agradável sensação de déjà vu.

Tudo igual!

A arquitetura e a decoração são idênticas às da cervejaria original alemã. Assustadoramente idênticas, eu diria. Estão lá as mesas enormes de biergarten, onde todos se sentam juntos a erguer brindes. Os canecos estilo mass, de 1 litro, ficam aguardando os bebedores sobre o imenso aparador de madeira. O schnitzel com salada de batatas possui exatamente o mesmo aspecto e sabor — ótimo, aliás.

No biergarten (jardim da cerveja) interno, provavelmente por não ser possível ter um abiente ao ar livre, eles não se apertaram: O teto foi pintado à perfeição emulando o céu da Baviera. No centro do “jardim”, a cópia exata da fonte que ainda adorna a matriz.

De diferente? O idioma falado em derredor. Enquanto na Hofbräuhaus original, além do alemão, a babel linguística impera, em Las Vegas é o inglês que conta, inclusive pra fazer os pedidos à garçonete.

As fotos

Situada fora da Strip — a larga avenida que concentra quase todos os hotéis, cassinos e as demais atrações de Las Vegas — a Hofbräuhaus local é parada obrigatória ao cervejeiro que visita a sin city. Mais obrigatória ainda se você não conhece a original. Acompanhe, a seguir, algumas fotos que produzi por lá e viaje comigo por mais um dos Bares que Amamos!

Continuar lendo ‘Bares que Amamos: HOFBRÄUHAUS LAS VEGAS’

Bares que Amamos: U PINKASU

Comentários
573 visitas

UPinkasu

Em Praga, na República Tcheca (Jungmannovo námestí 15/16)

É 1843. Um certo Jakub Pinkas ouve falar de um tipo novo de cerveja que começara a ser produzido na cidade de Pilsen, a noventa quilômetros de Praga, e que vinha fazendo enorme sucesso entre os habitantes de lá. Ele faz, então, um acordo com seu amigo comerciante Martin Salzmann, o qual lhe traz dois baldes da nova breja.

Mas por qual motivo essa nova cerveja era tão diferente das brejas produzidas até então? Era a nova cerveja do estilo Pilsen, que utilizava um então revolucionário método de fermentação (Lager, ou “baixa fermentação”), e que conferia ao líquido um novo caráter e, novidade das novidades, uma nova aparência translúcida e brilhante — as cervejas daquele tempo eram turvas. Pinkas, que era alfaiate, largou a antiga profissão e fundou o U Pinkasu apenas para vender a Pilsner Urquell, primeira cerveja do estilo fabricada no mundo.

Torneira sagrada

A primeira torneira a jorrar o precioso líquido na capital tcheca ainda está por lá, embora desativada (abaixo).

UPinkasu2

A atmosfera mistura velhos frequentadores e alguns turistas desavisados da importância do lugar. Em dias mais quentes é uma epopeia conseguir lugar nas mesas estilo stammtisch do lado de fora, mas não se acanhe de sentar-se junto com outros clientes, já que a prática é costumeira na Europa. E ganhe amigos!

Além da razão histórica, também estive por lá atraído pelos rumores dando conta de que o lugar servia a Pilsner Urquell não filtrada. Ao perguntar ao garçom, porém, não contive um esgar de decepção ao ser informado que, pelo menos até onde ele sabia, ali jamais a breja tinha sido vendida dessa forma. Contudo, reclamar seria injusto. Minha viagem de redenção com o estilo Pilsen não estaria completa sem antes conhecer torneira tão sagrada.

Veja abaixo mais algumas imagens que fiz no U Pinkasu.

Continuar lendo ‘Bares que Amamos: U PINKASU’

Página 1 de 1212345...10...Última »

Anuncie

Anuncie no Brejas e divulgue o seu negócio:

Baixe nosso Mídia Kit

Entre em contato: brejas@brejas.com.br

Cursos do Brejas

Participe dos cursos de cerveja do Brejas

  • Fabricação de Cerveja Caseira
  • Estilos e Degustação de Cerveja