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Arquivos da Categoria ‘Degustação’
Domingo, 15/Junho/2008
Cerveja pilsen – 4,7% - Brasil
A cerveja Nobel é uma típica pilsen nacional. De coloração amarela clara, fica bonita na tulipa, mantendo por muito tempo a subida das bolhas. O creme inicial tem tamanho médio que diminui logo, mas permanece uma fina camada que não acaba antes do líquido.
O paladar tem corpo leve para médio, com textura aguada e carbonatação média. Para os mais atentos surge um sabor levemente adocicado, com final pouco amargo e de curta duração.
Com aroma comum de malte, falta um lúpulo mais marcante.
Tem rótulo discreto e bonito, com um lacre que dá um diferencial na aparência. É muito parecida com as pilsen nacionais, mas com certa personalidade. Percebe-se que é produzida com os cuidados necessários das cervejas que querem ganhar mercado, com produtos de qualidade na produção da bebida.
Minhas notas foram:
Aparência: 2
Paladar: 2
Sabor: 4
Aroma: 3
Geral: 10
Total: 2,1
Seu site é muito bonito; de acordo com o confrade Cuca, é o mais bonito entre os das cervejarias nacionais. Não trás muitas informações relevantes sobre a cerveja, infelizmente. Mas fala sobre a origem e a história da fábrica da cerveja Nobel, que hoje pertence ao grupo Schincariol.
Gostaria de saber dos confrades que a tomam regularmente suas opiniões a respeito dela. Concordem, discordem, mandem seus comentários.
Grande abraço a todos!
Postado por Menke na categoria Degustação | 5 Comentarios »
Domingo, 8/Junho/2008
De Genebra, na Suíça.
Nada mais interessante e agradável do que conhecer a região onde é produzida a mais famosa dentre todas as Trappistenbiers. Entre florestas que dividem a região sul belga com o nord français esta localizada a região de Chimay, rodeada por vilarejos como Forges, Baileux, Bourlers, e onde se encontra o Auberge de Poteaupré, excelente ponto de partida (e de chegada!) para explorar e degustar esta saborosa região.

Aqui encontrei toda a produção trapista da Abadia de Scourmont que fica a não mais do que 300 metros dali. Queijos , patês, licores e, é claro, a cerveja! Aproveitei então para experimentar os dois tipos de cervejas on tap oferecidas pelo estabelecimento.
- A Chimay tripel 8% “na pressão” é algo realmente raro e é encontrada apenas na região, curiosamente chamada de blanche pelo serviço da casa. Sua versão on tap é deliciosa e para mim muito próxima da versão garrafa, porém com mais frescor e talvez menos intensidade, características normais das versões em pressão.

- A segunda cerveja na pressão servida pela casa é a Chimay Spéciale Poteaupré, exclusivamente produzida e vendida ali, servida em copos estilo tulipa.

Com 4,5% de volume alcólico, é uma cerveja puro malte, de cor dourada e levemente turva, mais fraca e um pouco menos intensa que a primeira, ideal para dias de calor no terraço do albergue.

No cardápio encontra-se também a já comentada fórmula triple dégustation, com a qual se pode provar os três tipos de cerveja. Existe também a fórmula dégustation mixte, que alterna cervejas e queijos. A mais completa é a chamada la totale, um carrossel completo com as três Chimays, mais a Spéciale Poteaupré e os quatro tipos de queijos mais tradicionais da casa. Quer mais ?
Não preciso reforçar que, na lojinha da entrada, encontram-se todos os tipos da cerveja em garrafas pequenas e as três versões garrafas grandes com rolha, alem de toda a gama de produtos e acessórios Chimay. Toda esta produção é feita pelos monges trapistas da Abadia de Notre Dame de Scourmont que estabeleceu-se na região em 1850 e logo já foi conhecida pela sua produção de queijos e cervejas.

É possivel entrar no jardim central da Abadia e visitar a igreja que ali se encontra.

A região é realmente agradável e a própria localidade de Chimay também vale a pena ser visitada. Além de tradicionais estabelecimentos entre cafés, restaurantes e bares, existe ali o Château de Chimay, e sua visita proporciona um mais amplo conhecimento da história da região.

Logo na entrada da cidade, a mensagem de “bem-vindo”.

Postado por Miga na categoria Viagem e Cerveja, Degustação | 2 Comentarios »
Segunda-feira, 2/Junho/2008

A microcervejaria De Struise Brouwers, da abençoada região belga de Flandres Oeste, ainda é desconhecida pela maioria dos sites e blogs cervejeiros nacionais. Em contrapartida, na Europa, a Struise vem sendo incensada e considerada talvez a melhor surpresa cervejeira dos últimos anos.
“Struise” vem do inglês sturdy (resistente). O termo define bem os quatro amigos homebrewers Phil, Peter, Carlo e Urbain, que há cerca de 8 anos dedicavam-se à produção de poucos litros para consumo pessoal. O produto era excepcional, mas faltava capital para alavancar um possível negócio. O jeito foi “alugar” um espaço na Brasserie Caulier, uma cervejaria próxima, onde permaneceram fabricando as Struise por três anos.
Em 2006, com o aumento significativo da demanda e da produção, os quatro resistentes tomaram a decisão de alugar espaço numa cervejaria mais ampla. A escolha recaiu na Deca Services, localizada muito próxima da Abadia de St. Sixtus, onde os monges continuam placidamente a produzir a mítica Westvleteren. O mais espantoso é que, mesmo com o repentino sucesso, os quatro amigos ainda exercem as suas próprias profissões, dedicando-se à arte cervejeira apenas em regime part-time.
É difícil encontrar o set de rótulos da Struise mesmo estando na Bélgica. BREJAS já havia degustado e avaliado a extraordinária Pannepot (veja AQUI), que hoje ocupa lugar de destaque entre as nossas cervejas “Top 50″. Nesta última viagem em terras de Flandres, deitamos mão na Rosse, belgian pale ale a qual, se não possui a força da primeira, impressiona pela leveza aliada a um paladar levemente seco.
A coloração é alaranjada. O creme bege é bastante consistente e medianamente persistente. De baunilha é o forte e agradável aroma. Na boca, a alta carbonatação é de textura macia e não compromete. No paladar, mais baunilha e um toque de maçãs verdes confere um surpreendente frescor. No acabamento, uma suave sourness e um leve amargor.
A Rosse, que possui uma graduação alcóolica de 5%, merecia um pouco mais de álcool de forma a igualar o corpo ao aroma. Todavia, trata-se de mais uma demonstração da excelência da Struise, uma das brasseries artesanais belgas ainda resistentes nesse mundo cada vez mais assediado pelas megacervejarias.
Minhas notas: 8 (aroma), 4 (aparência), 7 (sabor), 3 (paladar), 17 (geral). Média: 3,9. Veja e entenda o critério de avaliação AQUI.
Postado por Mauricio Beltramelli na categoria Degustação | Nenhum comentario »
Terca-feira, 20/Maio/2008
Trago à discussão um tema que considero oportuno: o quanto que a data de validade influi no desempenho da cerveja.
Particularmente, revelarei duas experiências recentes que tive.
A primeira, há cerca de três semanas, trouxe um resultado negativo. Abri uma De Koninck Winter Koninck (belga) vencida em novembro/2007. De início, ela apresentou sua bela coloração, um excelente creme e um aroma muito bom. Tudo aparentemente normal. O problema apareceu quando ela foi levada à boca: ela estava completamente azeda. Azeda de doer! Foi a garrafa toda para a pia… Sem chance… Interessante é que tudo parecia normal, estando apenas o sabor e o paladar seriamente prejudicados. Confesso que havia um depósito de sedimentos um pouco mais volumoso no final da garrafa, mas não acredito que isso tenha sido o problema. Enfim, uma pena.
Hoje, no entanto, voltei a experimentar uma cerveja vencida. Dessa vez rolou uma Backer Trigo (brasileira) vencida em agosto/2007, ou seja, um pouco mais velha que a De Koninck. Para a minha sorte, o resultado foi muito satisfatório. Ela estava absolutamente normal, inclusive com o aroma mais evidente que em outras ocasiões. Show de bola!
Já andei tomando Skol, Brahma e Itaipava com data vencida, mas, talvez por se tratarem de cervejas niveladas por baixo, seja um pouco mais difícil de se constatar algo estranho no seu desempenho, que já é bem fraco.
Pergunto a você: já tomou uma breja vencida? Como ela se saiu?
Postado por Daniel Calichio na categoria Degustação | 7 Comentarios »
Domingo, 18/Maio/2008

Inaugurada em 2005, a Cervejaria Premium está localizada na cidade de Frutal, nas Minas Gerais.
Segundo seu Mestre Cervejeiro, Egon Carlos Tschope, não se trata de uma micro-cervejaria, uma vez que a Premium possui capacidade instalada para até 1.000.000 de hls/ano.
No último mês, BREJAS avaliou três das cervejas produzidas pela Premium, quais sejam, Fass, Bella e Bauhaus.
Fass e Bella, ambas do tipo Pilsen, avaliadas na versão “lata”, se mostraram cervejas leves, carecendo de notas mais acentuadas de malte e lúpulo. Mesmo sdo voltada a um público de cervejas suaves, faltou, talvez, um pouco mais de personalidade. Ao que parece, elas não terão forças para competir no mercado com as renomadas pilsens produzidas pelas gigantes nacionais e suas verbas de mídia estrondosas, mas poderão brigar, em igualdade de condições, com outras pilsens menos competitivas, que disputam muito mais o bolso que a lembrança ou paladar do consumidor.
Felizmente, o mesmo não se pode dizer da excelente Bauhaus. Também avaliada na versão “lata”, essa surpreendente Premium Lager demonstrou muita competência da cervejaria. Trata-se de uma cerveja de coloração âmbar, translúcida, com um creme branco denso e persistente. Embora não tão presente, o aroma traz traços florais, evidenciando o lúpulo. O sabor é agradável e refrescante. Sem dúvida, trata-se de uma Premium Lager acima da média, que no Ranking BREJAS se posicionou na frente de várias de suas famosas rivais. Recomendamos!
A Bauhaus também está disponível em garrafas 600ml e atualmente pode ser encontrada facilmente em bons pontos de venda. O Tortula em São Paulo, por exemplo, já tem em sua lista de opções. Nosso confrade Menke degustou também a versão garrafa e deixa aqui suas impressões:
“Sua aparência é bonita, de cor âmbar avermelhado, com creme marrom bem claro, de tamanho médio e persistente. Enquanto é tomada, o creme fica nas paredes, deixando bela aparência no copo.
No paladar, ela é leve, de textura aguada e carbonatação branda. Seu sabor inicial é levemente adocicado, sem exageros, com final levemente amargo. Sua duração é média, com retrogosto muito bom, lembrando fumo de cachimbo.
Seu aroma é uma surpresa, para cervejas premium nacionais. Tem malte tostado e açúcar queimado. Lúpulo pouco perceptível, infelizmente. No geral, tem personalidade, é gostosa e não empapuça, sendo facilmente apreciável.
Não sou, nem de perto, conhecedor de harmonizações, mas experimentei pinhão e tremoço junto com ela, e ambos se deram muito bem. Para mim, sua nota foi um honroso 3,0. Abaixo, as parciais:
Aroma= 5 / Aparência= 3 / Sabor= 5 / Paladar= 3 / Conjunto= 14″
E você? Conhece a Cervejaria Premium ou já experimentou algumas das cervejas acima? Estamos aqui aguardando o seu comentário!
Postado por Daniel Calichio na categoria Degustação | Nenhum comentario »
Quarta-feira, 30/Abril/2008
Há muito tempo estou para escrever sobre as excelentes cervejas canadenses. Por enquanto, conheço apenas as fabricadas pela Unibroue, mas sei que a Dieu du Ciel também produz grandes cervejas.
Falando daquilo que conheço, posso dizer, sem exageros, que a qualidade das cervejas fabricadas pela Unibroue é de primeira linha.
Foi em 2006, em Genebra, na Suíça, que eu e os confrades Michel, Mauricio e Daniel Rolfsen saboreamos pela primeira vez uma breja da Unibroue, no caso, a La Fin du Monde. Interessante é que, logo que voltamos, essas cervejas passaram a ser vendidas no Brasil. Resultado: não paramos mais de comprá-las.
Lembro que no ínicio de 2007 chegamos a reunir todas as versões disponíveis no Brasil para uma degustação. Assim, numa mesma noite, degustamos: Trois Pistoles, La Fin du Monde, Don di Dieu, Maudite, Raftman, Chambly Noire e Blanche de Chambly.
De lá pra cá, ainda experimentamos a 15, a 16 e, no último mês de novembro, lá em Bruxelas, eu e o confrade Mau acabamos por saborear a Eau Benite, ainda não comercializada no Brasil.
Cervejas como a Trois, a La Fin, a Maudite, a Don di Dieu, a 15 e a 16 se destacam pela complexidade e pela semelhança com as belgas. Embora elas não sejam uma unanimidade no BREJAS ( uns as acham apenas boas, outros as acham excelentes), é inegável que são o resultado de um grande e caprichoso trabalho realizado pela Unibroue. Clique aqui e veja as notas dessas belezuras no Ranking BREJAS.
Destaque também fica para os rótulos, todos de muito bom gosto e de notável originalidade. Eis alguns exemplos:
  
  
Para aqueles que ainda não conhecem as cervejas fabricadas pela Unibroue, fica aqui a dica: não percam tempo! Mesmo se tratando de cervejas caras (vendidas entre R$ 25,00 e R$ 60,00), recomendamos a experiência. Clique aqui e veja onde comprá-las.
E, caso alguém já tenha saboreado alguma das cervejas produzidas pela Dieu du Ciel ou por qualquer outra fábrica canadense, fica o convite para que postem algo a respeito a fim de enriquecer nossa cultura cervejeira.
Postado por Daniel Calichio na categoria Degustação | Nenhum comentario »
Sexta-feira, 18/Abril/2008

O ribeirão-pretano Luis Teixeira tem somente 41 anos e já é avô. E foi pra abastecer os cervejeiros das festas em família que teve a idéia de produzir, ele próprio, a sua cerveja. Dentre as primeiras levas, nasceu a Celta Golden Ale, breja do tipo Pale Ale elaborada com aveia e maltes premium e caramelo de cevada, além dos lúpulos Sladeck e Saaz.
Refermentada na própria garrafa com levedura de cepa ingesa, seu método de fabricação é por infusão. O creme é denso e medianamente persistente. Coloração alaranjada e muito turva, devido a ausência de filtragem artificial. A carbonatação é média. No delicioso aroma, cascas de laranja e fermento de pão. Perde um pouco no corpo um tanto fraco, mas o final frutado é longo e persistente.
BREJAS degustou a Celta e lhe conferiu nota média de 3,02 no nosso Ranking. Os 5 Confrades brejeiros foram unânimes ao menos em um ponto: Trata-se, definitivamente, de uma cerveja de personalidade, dando uma vontade danada de provar as próximas criações do Luis Teixeira.
Postado por Mauricio Beltramelli na categoria Degustação | 4 Comentarios »
Quinta-feira, 17/Abril/2008

Em 2005, a Brasserie Bosteels, de Buggenhout (Bélgica), preocupada com a queda do consumo anual de cerveja per capita dos belgas — de 121 para 98 litros em 10 anos — resolveu desenvolver uma nova breja elaborada com cevada e leveduras especiais, concebida para ser uma autêntica simbiose entre uma cerveja especial e um vinho espumante.
A Deus Brut des Flandres é uma cerveja especialíssima em função da sua técnica de elaboração, conhecida por champegnoise. Confira, passo a passo, como a breja é elaborada:
- A largada é na Brasserie Boosteels, onde a Deus é fermentada por duas vezes;
- O líquido é transportado para a região de Champagne, na França (daí o método ser conhecido por champegnoise), onde recebe mais açúcares e fermentos, e é posto para maturar por no mínimo 12 meses em barris de carvalho;
- A breja é posta em garrafas — por sinal, as mesmas que são usadas no célebre champagne Dom Pérignon, da casa Moët&Chandon – que são submetidas à técnica da remuage, na qual um profissional as gira diariamente, no mesmo sentido, cada vez inclinando um pouco, até ficarem com os gargalos totalmente voltados pra baixo;
- Após essa fase, congela-se somente os gargalos, nos quais se depositaram os fermentos e demais borras, os quais são expulsos pela própria pressão do líquido;
- Adiciona-se à garrafa um pouco da cerveja previamente pronta apenas para preencher o espaço vazio resultante da expulsão dos fermentos congelados. Deus está pronta.
BREJAS degustou a Deus, pela primeira vez, na Bierbrasserie Cambrinus, em Brugge, na Bélgica (veja matéria completa AQUI). Servida gelada em taças flûte de champagne, o perlage (creme) é consistente e perolado. No aroma, festa! Fermento, carvalho, cítrico, vinho branco, erva-doce, manjericão… Quanto mais se inspira, mais se descobrem novos matizes aromáticos. No paladar, quatro palavras descrevem a divindade: Complexidade, leveza, balanceamento e sofisticação. O álcool (11,5%!) praticamente desaparece ante aos sabores frutados (pêra e damascos) e florais. No Ranking BREJAS, Deus recebe a respeitabilíssima nota 4,22.
Aqui no Brasil, Deus castiga: Em algumas casas de importados chega a R$ 300,00 por unidade de 750ml. Em Bruxelas, topamos com Deus em supermercado por € 10,00! Juro por Deus!
Postado por Mauricio Beltramelli na categoria Degustação | 6 Comentarios »
Sexta-feira, 11/Abril/2008
(Nota introdutória do BREJAS – Se você ainda não conhece o estilo Lambic, recomendamos que você clique AQUI para entender a definição desta variedade de cervejas.)

Há muito tempo hesito em escrever um artigo sobre as cervejas do estilo Lambic. Isso porque, desde que nos interessamos pelo assunto cervejeiro, jamais encontramos entre os degustadores um consenso minimamente pacífico. Em geral, o estilo parece seguir o conselho bíblico da Carta de Laudicéia: “Seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito”. Em miúdos, ame-a ou odeie-a.
Talvez nossa primeira esperiência com as Lambics se deu através da Chapeau Banana, uma belga da cervejaria De Troch. Trata-se do sub-estilo que se convencionou denominar de Fruit Lambic, aroma marcante – de banana, ora pois! – bastante docinha, very drinkable, apesar de apresentar leve amargor e azedo no final um tantinho salgado. De cara adoramos o estilo por acharmos marcante pelo que se propunha, mesmo com a característica ausência de creme. Depois da Chapeau Banana, vieram outras Fruit Lambics, Gueuzes e Faros, a maioria delas razoavelmente bem colocada no Ranking BREJAS.

A brincadeira estava interessante até que, dia desses, BREJAS decidiu investir em algumas Lambics “de verdade”, da Cantillon. Digo investir porque o preço dessas belgas não é de bolinho de bacalhau: Uma Cantillon Kriek, no Brasil, custa algo em torno de R$ 70,00.
O leitor precisava ver as caras dos Confrades brejeiros quando degustaram algumas delas juntos. O docinho e a drinkability das Fruit Lambics degustadas alhures foram substituídos por doses nocauteantes (nauseantes, para alguns de nós) de cítrico, azedo, salgado, ácido e seco. O aroma até que era interessante (notas de uva, maçã, acerola e madeira), mas cadê a cereja que deveria estar aqui?
Ano passado estive por alguns dias na Bélgica e me impingi um desafio: Iria ficar um dia inteiro a tomar exclusivamente Lambics. Nesse dia outonal, determinado, perambulei pelos bares de Brugge a experimentar o que me parecesse imperdível em matéria de fermentação espontânea. Provei das incensadas Hanssens Oude Kriek e 3 Fonteinen Oude Geuze a líquidos intragáveis feitos apenas para turistas, como a Mongozo Coconut e sua pretensão de ser uma cerveja “exótica”, cujo copo é um meio-coco.

Sei que há “cervejólogos” (particularmente, não simpatizo com o termo cervejólogo…) que dizem gostar das Lambics, mesmo as mais azedas e avinagradas. Se o fazem apenas para não parecerem “out” no meio cervejeiro, jogando a breja na pia quando ninguém está olhando, jamais saberemos. Quanto a mim, tenho a humildade de reconhecer que, em linhas gerais, as Lambics ainda não me convenceram.
Mas, talvez, resida exatamente nesse “extremismo” o verdadeiro charme escondido em meio à salobra aridez das Lambics. É preferível o erro à omissão. O fracasso, ao tédio. O escândalo, ao vazio… Quem sabe não é isso e a gente — ainda — não percebeu?
Postado por Mauricio Beltramelli na categoria Artigos, Degustação | 7 Comentarios »
Quinta-feira, 13/Marco/2008

Os mineiros adoram ditados populares. “Quem vê cara não vê coração” é um deles. Contudo, o bordão jamais foi tão falso como agora, após a chegada dessa mineirinha artesanal de Belo Horizonte. Isso porque a apresentação — ou ”cara” (a garrafa) — é uma das mais belas de que se tem notícia no mundo cervejeiro. E o “coração” — o líquido – é tão interessante quanto.
Na aparência, essa dubbel ostenta uma coloração castanho-escura bastante turva. O creme bege é consistente e persistente. No aroma, a breja surpreende um bocado. Um nariz menos avisado pensaria tratar-se de uma autêntica strong ale trapista, com notas bastante perceptíveis de castanhas, nozes, frutas cristalizadas, além de sugestões de café e chocolate. Há, ainda, notas florais evidenciando a presença do lúpulo.
No paladar, a cerveja explode ainda mais com notas cítricas (casca de laranja?) e algo frutadas. O álcool (7,5%) se mostra presente, mas é bem inserido e não prejudica o conjunto. O corpo é aveludado e o final é longo e persistente, com notas de torrefação. No Ranking BREJAS, a mineira alcançou a nota 3,96, sendo alçada automaticamente à nossa seleção das Melhores Artesanais Brasileiras, com louvor.
Analisando mais detidamente, a verdadeira complexidade da Wäls reside no fato de ser uma breja que “entra” de um jeito — com florais e cítricos — e “sai” de outro, torrada e seca. Isso a faz uma cerveja ímpar, e sem qualquer sombra de dúvida uma das melhores cervejas nacionais. Lá pelas bandas de “Belzonte”, as caras são tão boas quanto os corações.
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A Wäls Dubbel pode ser adquirida em bares de cervejas especiais ou em lojas virtuais (www.cervejasnet.com.br é uma delas), ao preço médio de R$ 35,00 a garrafa de 750ml. Vale cada centavo…
Postado por Mauricio Beltramelli na categoria Degustação | 6 Comentarios »
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