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Arquivos da Categoria ‘Histórias do Brejas’
Sexta-feira, 6/Junho/2008

Nosso Confrade brejeiro Michel Wagner, o Miga, diretamente de Genebra (onde mora), nos manda a foto acima. Trata-se nada menos do que o pátio de venda da Abadia de St. Sixtus, na Bélgica, onde é produzida a mítica Westvleteren.
Diz o Confrade que, no último final de semana, aproveitando uma visita a parentes de Amsterdam, resolveu conferir como funcionavam as vendas da “rainha” das brejas. As reservas só podem ser feitas por telefone, e alguém da Abadia lhe informou que na segunda-feira, 2, iriam ser vendidas as excepcionais (e raras) Abt 12. Para tanto, o brejeiro deveria telefonar pra lá entre as 9:00 e as 12:00 horas.
Pura teoria. De Brugge, onde estava, Miga tentou a ligação inúmeras vezes. Até as dez horas da manhã, só o que ouvia era o sinal de ocupado. Como é um guerreiro, dirigiu-se à Abadia, onde chegou por volta das 12:10 horas. Já no estacionamento do In de Vrede (o pub da Abadia), viu várias pessoas saindo da lojinha interna com caixas de seis unidades da breja. Não perdeu tempo e garantiu uma para si e outra em nome da Roberta, sua mulher, já que só permitiam a venda de uma caixa por pessoa.
Ao sair do pub, algum tempo depois, não deixou de passar pelo pátio da Abadia e tirar a idílica foto acima, com as brejas prontas para distrubuição.
Se não podemos estar na feliz pele do Confrade Miga, pelo menos fica a foto como inspiração para o final de semana…
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Sexta-feira, 22/Fevereiro/2008

A grande maioria dos turistas que visita Roma jamais se aventura além do centro histórico e do Vaticano. Desconhecem que, além do Tibre, lá pelos lados da Ilha Tiberina, existe um bairro que é freqüentado pelos romanos que não querem se misturar ao turbilhão de japoneses que fervilham na Fontana di Trevi e no Pantheon.
No bairro do Trastevere (que significa, em tradução livre, algo como atrás do rio) ainda se permitem entrever varais com roupas coloridas estendidas entre os prédios antigos e malcuidados. A arquitetura exala uma doce decrepitude: As ruelas são estreitas. As paredes, em tons ocres, descascadas. As janelas imploram demãos de pintura. O calçamento é irregular e sempre há motorinos estacionados onde não devem. No meio disso tudo, a Piazza Santa Maria concentra uma formidável fauna humana, que perambula entre a infinidade de minúsculos pubs temáticos. O Trastevere, distrito mais “autêntico” de Roma, é hoje o que a Cidade Eterna foi até a metade do século XX.
Era lá que estávamos, eu e os Confrades Daniéis, Rolfsen e Calichio, numa noite qualquer de outubro de 2006. Após cometermos um almoço pantagruélico numa cantina que já não me lembro o nome, eles quiseram dar um tempo no hotel, a gemer e acariciar os estômagos. Já eu queria continuar vagando pelo bairro, no que marcamos um encontro pra mais tarde ali perto na Ponte Garibaldi, logo em frente à Isola Tiberina, no meio do Tibre. Próximo da hora marcada, para esperá-los, resolvi entrar numa pasticceria logo ao lado do ponto de encontro. Distraído, fui até a geladeira e meus olhos logo pousaram negligentes na primeira breja “conhecida”, uma Westmalle Trappist Dubbel, a qual arrematei no balcão e fiquei a bebericar na ponte, direto da garrafinha.

Foto que tirei durante aquela espera, em cima da Ponte Garibaldi. A Ilha Tiberina surge à esquerda do quadro.
Na metade da belga, surgiram, refeitos, os Confrades, logo me inquirindo onde eu havia achado a cerveja trapista. Apontei a doceria, e lá foram eles, me deixando embevecido a observar o rio que corria lépido abaixo de mim. Minutos depois, ouço o tonitroar de gritos em minha direção. Eram os brejeiros, acenando para que eu me juntasse a eles lá na pasticceria.
Na mesma geladeira de onde eu havia sacado a Westmalle, começaram a se materializar outras cervejas que até então nos eram desconhecidas. Em meio a elas, achamos a garrafa de 750 mililitros, vedada por rolha, da Trap 40 Grand Cru.
A breja em questão é fabricada pela Brouwerij Huyghe, a mesma que produz a famosa Delirium Tremens. Quem analisa hoje de cima pra baixo o Ranking BREJAS e vê a Trap 40 entre as dez melhores (média de 4,50), fica a perguntar onde se pode comprar a breja. Pois lhes digo que, em outras viagens que fiz, cansei de procurar a danada, mesmo na Bélgica, e jamais topei com ela novamente. Sumiu, desapareceu, escafedeu-se. Ao que parece, trata-se de uma edição especial, limitada, que sequer consta no site da cervejaria.
Aboletamo-nos na mesinha da doceria e nos pusemos a degustar a breja, a complexidade do sabor frutado, forte sem ser alcoólica no paladar, amarga sem ser “salgada”, lupulada no ponto certo. Era a nossa primeira cerveja “de rolha”, fator que pode ter contribuído para o maravilhamento. Não deu pra saber se o Grand Cru do rótulo era pra valer, mas apostamos que era.

E assim nos deixamos ficar na madrugada do Trastevere, felizes da vida numa improvável mesinha redonda de doceria, a derrubar outras cervejas de estirpe que a despretensiosa geladeira oferecia (como a Val Dieu Tripel, também de 750ml e de rolha), vendo passar a fauna romana e contando histórias fiadas.
Ficou indelével na memória: A Trap 40 Grand Cru nos fez voltar a ser meninos por um breve e mágico momento na Cidade Eterna.
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Quinta-feira, 10/Janeiro/2008
Há no YouTube uma vídeo-reportagem do The Wall Street Journal relatando a “saga” que se enfrenta, mesmo estando na Bélgica, até conseguir degustar a lendária Westvleteren, a “rainha das cervejas”, segundo o repórter John Miller (clique AQUI para ver o vídeo diretamente do YouTube).
O interessante é que, na reportagem, Miller segue o mesmo périplo que este escriba brejeiro trilhou quando esteve por lá em junho de 2007. O repórter pergunta pela cerveja até no famoso Delirium Cafe, boteco de Bruxelas que possui a maior carta de rótulos do mundo. Nem lá encontra a Westvleteren e, como última opção, segue até a “fonte”, no mosteiro trapista de Sint Sixtus, onde finalmente degusta a “Westie”.
Assista ao vídeo e, depois, veja a minha própria busca pelo cálice sagrado (obviamente, sem a produção do Wall Street Journal): VÍDEO 1, VÍDEO 2, VÍDEO 3, VÍDEO 4 e VÍDEO 5.
Aproveite e reveja a reportagem completa de BREJAS sobre a viagem a Westvleteren aqui.
Postado por Mauricio Beltramelli na categoria Bares que Amamos, Histórias do Brejas, Artigos | 2 Comentarios »
Terca-feira, 8/Janeiro/2008

Da esquerda para a direita: Daniel Calichio (Cuca), Mauricio Beltramelli (Mau), Michel Wagner (Miga), Daniel Rolfsen (Dani), Guilherme Scalzilli (Guiba), Alexandre Menke e Ricardo Sangion (Xu).
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Embora a história de BREJAS tenha começado lá pelos idos de 2004, os 7 confrades brejeiros jamais haviam se reunido todos ao mesmo tempo, em um mesmo lugar. Isso porque o confrade Michel Wagner (o Miga) mora além-mar, em Genebra. Portanto, até então só nos encontrávamos com o dileto companheiro de copo nas viagens que os brejeiros “brasileiros” faziam até a cidade suíça (veja uma delas aqui).
Com a visita de Miga ao Brasil neste final de ano, esta lacuna deixou de existir no último dia 23 de dezembro, quando todos os confrades de BREJAS acabaram se reunindo em um grande churrasco numa chácara em Itu (SP).
Na histórica reunião, não faltaram papos cervejísticos, histórias, risadas, cerveja boa (Dana Bier e chopp Universitária alla volontà) e outras nem tanto (Lecker, Petra, Belco, Mãe Preta…). As boas morreram em primeiro lugar, claro. As nem tanto, se não causaram furor, serviram ao menos para preencher as lacunas do Ranking do BREJAS.
Conheça um pouco mais sobre os 7 confrades do BREJAS clicando aqui.
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Quarta-feira, 21/Novembro/2007

Os leitores de BREJAS ficaram, com razão, indignados com o longo período no qual não foram adicionados posts neste Blog. Há explicação.
O começo da história foi que o nosso confrade Guilherme Scalzilli, o Guiba, programou, durante mais de um ano, a sua viagem européia para novembro. Aconteceu, porém, que os brejeiros Mauricio Beltramelli (Mau) e Daniel Calichio (Cuca), que são muito invejosos, também decidiram, na última hora, estar por lá no mesmo período. Os roteiros de viagem foram ligeiramente diferentes, mas se programaram para estar em Genebra, na casa do dileto confrade Michel Wagner, no exato dia em que Guiba também estaria. E, pra tirar ainda mais onda, decidiram fazer uma aparição-surpresa.
Isso explica a falta de posts, já que os dois “invejosos” não queriam estragar a surpresa. Nossa última postagem foi em 29 de outubro, ocasião em que Guiba já estava na Europa e Mauricio e Cuca estavam a dois dias de embarcar. A surpresa — e a cara — do confrade Guiba ao nos ver em Genebra é matéria a ser contada em uma postagem especial.
Mas vamos à vaca-fria… VOLTAMOS!
Embora o confrade Guiba ainda esteja em solo europeu concluindo a sua aventura, Mau e Cuca retornaram ontem. Na mala, DEUS (foto) nos acompanhou, além de outras preciosidades belgas, as quais serão degustadas por BREJAS.
Nos bloquinhos de anotações, mais “algumas” cervejas novas que experimentamos e avaliamos, sendo que os comentários e as notas já estão sendo planilhados e serão inseridos no Ranking dentro dos próximos dias.
No coração, a maravilhosa noite trapista-degustativa em Genebra, sobre a qual o confrade Miga comenta aí embaixo. Na cabeça, felicidade e muitas outras histórias, as quais serão contadas neste blog ao longo das próximas semanas.
Postado por Mauricio Beltramelli na categoria Histórias do Brejas | 3 Comentarios »
Segunda-feira, 12/Novembro/2007

Foi na tarde do último sábado dia 10 de novembro que aconteceu finalmente a comentada degustação de Trapistas em Genebra com brejeiros aparecendo de todas as partes. As condições estavam mais que favoráveis e as cervejas puderam ser conservadas em temperaturas ideais porque foram deixadas na sacada do apartamento numa tarde que ja fazia 5°C, 6°C .

Após encontro triunfante no Les Brasseurs que fica em frente a estação central de Genebra, os brejeiros se esquentaram com curiosidades Suiças, para então estourarem a rolha de uma Garre comemorativa de 20 anos, a qual espalhou espantosa satisfação na mesa e foi seguida de tripels como a Karmeliet, Carolus ou mesmo uma St Bernardus Tripel! Tudo isso aconteceu do lado de fora, no frio.

Após necessaria “forrada de estomago” e estratégica mudança de mesa , desta vez dentro do apartamento, iniciou-se os trabalhos de degustação das Trapistas. Na deliciosa tarefa estavam presentes as três Westvleterens, as duas Achels, as duas Westmalles, as três Chimays, as três Rocheforts, a única Orval e as quatro La Trappes tradicionais, assim como os respectivos 7 copos originais.

As análises e comparações foram variadas e numerosas, os brejeiros puderam tirar dúvidas de apreciações e estarão em breve publicando seus comentários e as tabelas de notas registradas!


Postado por Miga na categoria Histórias do Brejas, Degustação | 6 Comentarios »
Segunda-feira, 29/Outubro/2007

Senhores passageiros, estamos iniciando o procedimento de pouso. Coloquem seus assentos na posição vertical, verificando o travamento das mesinhas à sua frente.
Nesta semana BREJAS está chegando novamente na Europa, com a costumeira sede por experimentar a maior variedade de cervejas que for possível.
Desta vez, a maior novidade estará por conta de uma degustação de cervejas trapistas. Sim, degustaremos TODAS. O paraíso virá até nós no próximo dia 10, um sábado. O palco será em Genebra, na Suíça, casa do nobre confrade brejeiro Michel Wagner , o Miga.
Ao longo dos dias passaremos mais e melhores informações sobre a viagem e o evento. Aguardem!
Postado por Mauricio Beltramelli na categoria Histórias do Brejas, Degustação | 3 Comentarios »
Quarta-feira, 17/Outubro/2007
Iniciamos então a série: Na rota Trapista!
Aquilo que fazemos,
Como o fazemos,
E o fato de fazermos.

No interior destas abadias trapistas os monges se esforçam para viver do trabalho de suas próprias mãos, que transcendem a sobrevivência para transbordar solidariedade com o homem ativo fraterno à criação divina.

Os Trapistas pertencem a uma congregação religiosa católica da Ordem dos Cistercienses de Estrita Observância. Depois de sua fundação em 1098, esses religiosos cumprem diversas formas de trabalhos manuais principalmente no setor alimentício, como na produção de pães, queijos, cervejas e licores.

A reputação de qualidade de seus produtos alcançou fama internacional. O segredo destas receitas foi conquistado com a maneira como fazem o trabalho, realizando como simples atividade terapêutica de demonstração de amor naquilo que fazem e nunca visando construir uma imagem, uma carreira empresarial ou acúmulo de dinheiro. O trabalho então representa uma atividade de lazer e de contribuição comunitária ! A renda adquirida pela atividade comercial deve ser direcionada as necessidades materiais, intelectuais, e espirituais dos monastérios sendo o excedente consagrado as obras de caridades sociais e as necessidades de outros monastérios trapistas.

Conscientes do valor econômico da nominação trapista, ainda antes da segunda grande guerra, os trapistas tentavam proteger a economia de seus monastérios proveniente da produção de cerveja. Os monges de Orval, anjos guardiões protetores dos interesses trapistas abriram uma ação na justiça com o objetivo de proteger o nome “cerveja trapista”, e a partir dai, aquele que usasse o nome abusivamente seria processado. Mas foi em setembro de 1985 que o Tribunal de Comércio de Bruxelas reconhece claramente a nominação e cria-se a Associação Internacional Trapista e o selo Produto Autêntico Trapista.

O Selo garante não somente a origem monástica do produto mas também que os produtos vendidos satisfazem a qualidade e a tradição encontradas dentro da vida comunitária trapista.

Atualmente o selo é usado em cervejas, licores e queijos e as abadias autorizadas a utilisá-lo em suas cervejas são as abadias de Achel, Orval, Scourmont(Chimay), Rocheford, Westmalle, Westvleteren na Bélgica e Koningshoeven (La Trappe) na Holanda.
Postado por Miga na categoria Histórias do Brejas | 1 Comentario »
Terca-feira, 11/Setembro/2007
“Histórias do Brejas” volta no tempo para relembrar uma noite inacreditável vivida em Paris pelos confrades Cuca, Xu, Guiba e Mau. O calendário marcava 04 de setembro de 2004.
Após três dias percorrendo juntos os roteiros básicos de Paris, decidimos tirar um dia inteiro para, cada um, fazer sua rota individual e curtir livremente o dia. Assim, nos separamos logo pela manhã e marcamos de nos encontrar às 20:00 horas em frente ao Louvre para, então, decidirmos em qual boteco iríamos encher a nossa cara.
Eu e o Xu tínhamos planos parecidos, de forma que nos encontramos antes do horário combinado. Mau e Guiba, cada qual, foram para lados opostos da cidade.
Pois bem, o dia passou e, no local e horário combinados, Xu e eu esperamos por cerca de 40 minutos os figuras. Nada… Resolvemos, então, prosseguir, supondo que eles poderiam ter mudado seus planos e abortado a idéia do encontro.
Como estávamos em frente ao Louvre, seguimos para o Quartier Latin, onde, após passar na frente de uma dúzia de bares, resolvemos eleger um deles e finalmente entramos.
Por volta da segunda rodada de brejas, quem aparece na calçada olhando para a fachada do bar? Mau! Ele olha, olha, pensa, e entra… e nos encontra…
Incrível! Sem qualquer combinação, em plena Paris, Mau-Mau garganta seca elege o mesmo boteco que nós… Festa!
Mais uma rodada de brejas. Agora éramos três.
Papo vem, papo vai, onde estará Guibão? O relógio apontava 22:00 horas e nada dele… Bom, ele é adulto e saberá se virar, pensamos. Ninguém mandou não aparecer no local e hora combinados… Azar dele, terá de tomar umas sozinho.
Mas… não demorou muito e, inesperadamente, o milagre começou a se desenhar. Nós três, sentados dentro do bar, devidamente abastecidos… Eis que surge defronte ao boteco Guibão. E parecia até mentira… Ele pára, olha, sequer hesita e entra. Bingo!
Não sei até hoje se a surpresa maior foi a nossa ao vê-lo, ou se foi a dele aos nos encontrar dentro de um mesmo boteco, sem qualquer tipo de combinação, num dos trocentos bairros da cidade, o qual tem uma infinidade de bares e restaurantes, numa metrópole como Paris… Eis o Milgre do Quartier Latin.
Até hoje, quando retornamos a Paris, visitamos esse bar, que virou símbolo de uma noite indescritível e incomparável.

Quartier Latin, poucos metros antes da fachada do bar do “milagre”.
Postado por Daniel Calichio na categoria Histórias do Brejas | 1 Comentario »
Segunda-feira, 10/Setembro/2007
O ano era 2004. A cidade, Brugge, na Bélgica. Numa noite chuvosa, os confrades Cuca, Xu, Guiba, Mau e Miga estavam reunidos no `t Brugs Beertje, saboreando uma rodada de Lambics, enquanto que, numa mesa próxima, cerca de oito barulhentos gringos se divertiam, participando de uma espécie de gincana.
Pelo que se podia perceber, a brincadeira era mais ou menos assim: algum deles dizia uma palavra, ou uma charada, e os demais tinham de buscar a resposta. Se não sabiam, podiam perguntar. Havia uma disputa entre eles. Era evidente.
Num dado momento, notamos uma certa desolação daqueles que, naquela rodada, tinham o encargo de responder ao enigma. Ao que parecia, a resposta deveria ser algo impossível… Eram vários em busca da solução. Sentado à mesa, o autor da charada duvidava que alguém pudesse acertar a resposta. Entre um gole e outro, ele visivelmente se mostrava certo da vitória.
Enquanto isso, seus amigos, os participantes, começavam a pedir ajuda de mesa em mesa, mas notávamos que era completamente em vão. As pessoas balançavam a cabeça, como se dissessem “não sei” ou “não faço a menor idéia” ou, ainda, “essa é difícil, hein?”.
Mas aí ocorreu o inesperado… Nem o mais otimista participante daquela brincadeira poderia imaginar que a tão inalcançável resposta para o enigma estava bem ali ao lado, naquela mesa repleta de brazucas…
Após percorrer diversas mesas, um dos participantes, já “entregando os pontos”, chegou a nós e, apenas para cumprir tabela, nos questionou: “Com licença, estou participando de uma brincadeira e preciso saber quem diabos é Édson Arantes do Nascimento. Vocês conhecem?”
Fizemos silêncio, olhamos uns para os outros e soltamos aquela gargalhada… Inacreditável! Com uma só palavra, como se a pergunta fosse a mais óbvia do mundo e aqueles gringos fossem um bando de alienígenas, repondemos: “Pelé”.
O moleque saiu vazado, num pinote entre as mesas e, triunfante, levou a resposta ao seu inquiridor, que parecia não acreditar no que ouvia…
A algazarra se formou entre eles e o bar inteiro olhou para a nossa mesa, tentando imaginar quão sábios éramos.
Mas, como nossa brincadeira era outra, chamamos o garçom e pedimos: “Mais cinco, por favor!”
Postado por Daniel Calichio na categoria Histórias do Brejas | Nenhum comentario »
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