Avaliações escritas por Pedro Bianchi
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Interessante provar a Marzen da Rothaus, já que não temos muita variedade do estilo aqui no Brasil. A da Rothaus é bem fiel, deixa as atenções um pouco mais voltadas para o malte, deixando os lúpulos nobres em segundo plano.
Apresentou coloração dourada e lÃmpida. Se formou um creme branco, em volume razoável e de duração um pouco curta.
Os aromas de malte se destacam, como já dito, trazendo o DSM em destaque, o que me remete a cereais, milho verde e legumes refogados. Os lúpulos mostram delicadeza, de aromas mais cÃtricos.
O adocicado dos maltes ainda se destaca na boca, quebrada pela acidez, também destacada, que traz mais refrescância a cerveja. Possui carbontação média e corpo de leve para médio.
Achei a doçura um pouco desequilibrada. Acredito que uma lupulagem um pouquinho mais abundante ia cortar essa doçura residual intensa e ainda contribuir com a complexidade de aromas.
Detalhes
Das cervejas da Rothaus, a Weizen foi a que mais me agradou. Não possui complexidade de aromas tão extensa como alguma do estilo, mas é agradável e refrescante, com os elementos aromáticos bem equilibrados.
Apresentou no copo, uma coloração amarelo queimado, e com a turbidez casracterÃstica do estilo. Seu creme se formou em abundância, com coloração branca e uma persistência razoável.
Os aromas mostram-se um pouco mais rústicos, puxando para o terroso e tons condimentados de cravo. Ao fundo a esterificação, lembrando banana e limão, além da panificação trazida pelos maltes.
Possui um caráter leve e refrescante na boca, com os maltes em evidência (chegando até a tons de caramelo) e uma acidez cÃtrica. O amargor é discreto e a carbonatação frisante.
Uma pena que a Rothaus chegue com um preço até mais elevado do que as outras alemãs, graças ao transporte refrigerado até o Brasil. Vale a pena provar para conhecer, mas a Alemanha já tinha rótulos superiores e com preços mais baixos.
Detalhes
A Black Damnation surgiu de uma parceria das cervejarias amigas, De Molen, da Holanda e De Struise, da Bélgica. Trata-se de um blend da Imperial Stout mais famosa de cada cervejaria (as duas são consideradas das melhores do velho mundo): De Struise Black Albert e De Molen Hel & Verdoemenis. A segunda edição desta maravilha foi batizada de Mocha Bomb, e tem a utilização de 50% da Black Albert maturada com grãos de café, 25% de Hel & Verdoemenis maturados em barril de Jack Daniels e 25% da Cuvée Delphine, outra ótima Imperial Stout da Struise.
Apresentou coloração completamente negra e opaca quando vertida na taça, já mostrando alta viscosidade no serviço. Acima do lÃquido, se formou um creme de cor marrom claro, uma formação abundante e alta duração, apresentando ainda uma textura cremosa, deixando as laterais da taça marcadas.
Como não poderia deixar de ser, os aromas que dominam são do café utilizado na maturação da Black Albert. Os maltes torrados também se destacam, trazendo chocolate amargo, caramelo e cinzas. A maturação nos barris de uÃsque também trouxeram aromas fundamentais, como baunilha, madeira e coco queimado. A lupulagem intensa da Hel & Verdoemenis aparece, com aquele intenso caráter herbal da holandesa. Ao fundo, o álcool, que não consegue se esconder com tamanha potência.
A cremosidade que os maltes trazem ao paladar é deliciosa. A doçura residual causada pelo mesmo, é igualmente divina e não deixa com que aquele gostinho de café tome conta de tudo, e deixe a cerveja enjoativa. Em segundo plano, aparece um pouco dos aromas frutados, trazendo uma leve doçura e acidez. O amargor, obviamente, é matador, mas não agressÃvo. Possui um corpo muito sedoso e macio, que acompanha uma carbonatação razoável.
Para quem espera uma Stout com café em grande destaque, acaba se enganando. Mesmo que o café apareça evidentemente, holandeses e belgas não deixaram com que se sobreposse a riqueza dos maltes e a lupulagem um pouco mais intensa. Não tinha como esperar menos de duas das minhas cervejarias européias favoritas.
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Após provar a excelente Imperial Stout da Emelisse, que continha maltes defumados com turfa, não tinha como não querer conhecer a base da cerveja. Na minha opinião acabou apresentando um pouco menos de complexidade e acabou agradando um pouco menos ao meu paladar, por não ter aquele "quezinho" de turfa.
Vertida na taça, apresentou coloração marrom escuro, quase chegando a negrura e completamente opaca. Seu creme se formou razoavelmente bem, mostrando coloração bege e uma duração um pouco baixa, mas desenhando rendas nas laterais da taça.
Maltes torrados se sobressaem no aroma, remetendo a chocolate, café e cinzas. Mesmo com este perfil extremamente torrado, a cerveja ainda consegue deixar notável os traços de ésteres frutados, que lembram frutas vermelhas e frutas escuras. O álcool já mostra-se também nÃtido, acompanhando uma lupulagem secundária, que traz um pefil cÃtrico e amadeirado.
A entrada do gole traz um pouquinho da doçura dos residual dos maltes, junto a tons frutados das leveduras, evoluindo para um amargor cavalar, da torrefação, que chega até ao desequilÃbrio, na minha opinião. Este amargor mostra-se muito persistende e se combina com tons resinosos dos lúpulos. Tem corpo muito licoroso e aveludado, com carbonatação baixa.
Me agradou bastante, mesmo que a versão com maltes defumados tenha me surpreendido muito mais. De memória, a versão original, acabou mostrando um caráter torrado mais evidente, quebrando um pouco o equilÃbrio. Continua sendo uma das melhores imperial Stout produzidas na Holanda.
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Como se espera de uma francesa, a Triple Secrets tem muita elegância e delicadeza. É o tipo de Belgian Tripel que gosto, mais delicada e seca, com um caráter achampanhado.
Apresentou coloração amarelo palha, bem clarinha, com uma translucidez razoável. Formou-se acima do lÃquido, um creme branco, abundante e cremoso, durando por um bom tempo e desenhando as laterais da taça.
Traz um bouquet frutado bem interessante, com ésteres frutados de tutti-fruti, pêssego e laranja. Em equilÃbrio, subprodutos fenólicos que remetem a cravo e coentro. Ao fundo aromas mais delicados de flores e aveia, em contraponto com a rusticidade herbal do fumo.O paladar n]ao traz muito das doçura dos maltes e das frutas, puxando muito mais para o lado picante das especiarias. O amargor e a secura são perceptÃveis, mas de maneira elegante, assim como o álcool, que graças a timidez, deixa a cerveja com um caráter até refrescante. O corpo é extremamente delicado e carbonatação frisante, como um belo espumante.
Com certeza, minha cerveja francesa favorita até hoje. Uma das Belgian Tripel mais delicadas que já tive a chance de provar e ao mesmo tempo, dona de uma forte personalidade. Uma dama, de fato, para ser apreciada a cada gole e notar cada detalhe.
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Garrett Oliver realmente caprichou nesta cerveja. Se há pouco tempo atrás não tinhamos cervejas do estilo Saison no Brasil, hoje em dia temos um dos exemplares mais interessantes do estilo. A Brooklyn Sorachi Ace, é feito com apenas um tipo de lúpulo homônimo, que surgiu de um cruzamento entre o Tcheco Saaz e o inglês Brewers Gold, resultando num lúpulo de perfil cÃtrico-condimentado. Para caprichar ainda mais, a cerveja é ainda refermentada na garrafa com leveduras de Champagne.
O rótulo já chama atenção, um dos que acho mais bonitos das cervejas disponÃveis aqui no Brasil, na minha opinião. A apresentação na taça não faz por menos, mostrando uma coloração dourada e lÃmpida. Seu creme foi muito bem formado e duradouro, apresentando uma cor branca e desenhando delicadamente as laterais da taça.
Os primeiros aromas que me chamaram atenção foram os de ésteres frutados, lembrando pêssego e abacaxi em calda, além de banana. Como esperado, os lúpulos trazem um caráter mais cÃtrico, lembrando limão e uvas verdes, com um fundo herbal de erva cidreira. Os maltes trazem uma sensação macia de panificação e bolacha amanteigada.
Estes maltes trazem uma leve doçura, que faz contraponto a acidez frutada. Ao final, um amargor elegante, um toque picante do Sorachi Ace e até algo de notas terrosas. Como uma boa belga, traz carbonatação frisante, além de um corpo.
Provavelmente é a Saison com mais personalidade que já provei e muito provavelmente a minha favorita do estilo, superando até a clássica Saison Dupont. Saison é um dos estilo que mais gosto como "session beer" e a da Broolyn vem por um preço bem razoável. Para quem quer conhecer o estilo, está aà um ótimo exemplar.
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Primeira American Wheat Ale (pelo menos até onde eu me lembre) a ser fabricada aqui no Brasil. Como ingrediente extra, traz o capim-limão, para ressaltar a citricidade e refrescância da cerveja.
Vertida no copo, apresentou coloração amarelo claro, mas sem translucidez. Seu creme se formou em grande volume, mostrando cor branca e uma duração razoável.
A adição do capim limão mostra-se evidente já no aroma, sobressaindo-se aos outros elementos. Ao fundo aromas de malte lembrando pão e aveia e ésteres frutados que remetem a laranja e tutti-frutti.
O paladar abre com uma sutil panificação e desenvolve-se para um cÃtrico de capim-limão. Ao final, uma lupulagem bem evidente, diferenciando-se bastante das German Weizen, por exemplo. Possui uma carbonatação razoável e um corpo aguado.
A proposta é muito interessante e ousada. Uma cerveja simples, diferente e muito refrescante. A adição do capim limão mostrou-se fundamental para formar o caráter da cerveja. Pelo jeito, Paulo Schiavetto não estava afim de fazer à moda belga.
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A Imperial Porter da Backer foi eleita a minha favorita na linha americana da cervejaria. Apresentou um caráter dos maltes torrados leve, deixando com que os aromas secundários de madeira tivessem um pouco mais de destaque,
Apresentou coloração marrom com nuances avermelhadas e pouca translucidez. Seu creme tinha coloração bege, uma formação razoável, mas uma duração um pouco curta.
Os aromas de madeira se sobressaem, fazendo um bom par com os aromas achocolatados dos maltes torrados. Ao fundo aromas condimentados de canela e frutados que lembram cereja, além de um leve láctico de fundo.
O paladar mostra um pouco mais do que o esperado da doçura dos maltes, pelo menos para mim, que esperava um caráter mais torrado como a de uma Flying Dog Gonzo. A doçura dos maltes se combina novamente com o doce/picante das especiarias, principalmente às lembranças de canela, que confesso, acabam sendo até um pouco enjoativas. O amargor é leve e a secura da madeira mostra-se um pouco mais relevante. Graças a intensa carga de maltes, traz um caráter licoroso, além de uma carbonatação mediana.
Um cerveja intensa, que é verdade, até peca um pouco na intensidade e tente ao desequilÃbrio. Achei a mais interessante da linha justamente pela maturação na madeira, o que acabou contribuindo fundamentalmente para a estrutura aromática da cerveja.
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A 3 Lobos é a linha da Backer, com inspiração em cervejas americanas, e com receita assinada por nada mais nada menos do que Paulo Schiaveto. Já causou grande polêmica antes mesmo de ser lançada, pela semelhança dos rótulos com a cervejaria do estado de Maryland, Flying Dog. Sua IPA tem adição de cascas de laranja, justamente para ressaltar os aromas cÃtricos dos lúpulos americanos.
Mostrou uma coloração âmbar em tons avermelhados e uma média translucidez. Acima do lÃquido, um creme bege de formação abundante, mas uma duração curta.
Os aromas até trazem bastante das notas de malte, pelo menos para mim que esperava uma porrada de lúpulo. Este maltes remetem a caramelo, nozes e açúcar mascavo. Obviamente os lúpulos não ficam discretos e como esperado, mostra um perfil mais cÃtrico, lembrando a laranjas e grapefruit. Um leve toque metálico também apareceu, mas logo não era mais perceptÃvel.
O paladar mostra também uma intensa base de maltes, com o amargor relativamente suave e o álcool se destacando muito mais do que deveria. O corpo é médio e a carbonatação boa.
Graças a forte presença de maltes e um amargor um pouco mais leve do que o esperado para uma American IPA, acabou me lembrando um pouco a Colorado Indica, com um perfil um pouquinho mais cÃtrico. No geral é uma cerveja boa, mas podia se inspirar mais nos americanos e não ter medo de abusar.
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Cerveja comercial da França, não surpreende por uma complexidade abundante, até porque não é proposta do estilo. Acabou surpreendendo por ter mais intensidade que as nossas comerciais, principalmente no que diz questão a lupulagem, mas mantendo-se delicada e fácil de beber.
Servida na pressão, apresentou coloração dourada, completamente lÃmpida. Seu creme de coloração branca, me foi servido com razoável generosidade e manteve boa duração, desenhando rendas nas laterais da taça.
O aroma traz o maltado de pão e um herbal dos lúpulos em equilÃbrio. Ao fundo uma esterificação interessante ao para o estilo, lembrando maçã e laranja, além de um adocicado de cereais.
O destaque no paladar vai para a doçura dos maltes, mas não deixando de trazer um amargor fino e equilibrado dos lúpulos, de perfil levemente terroso. Possui um corpo delicado e uma carbonatação média para ressaltar a refrescância.
Já havia provado esta cerveja há alguns anos atrás e confesso que me surpreende muito mais hoje em dia. Talvez eu não soubesse apreciar a delicadeza desta francesinha.
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Depois de um bom tempo ouvindo falar desta Old Ale, tive a sorte de prova-la e com as expectativas supridas. Trata-se de uma cerveja muito complexa, com caracterÃsticas pertinentes ao estilo, puxando um pouco mais para o maltado fechado.
Apresentou coloração âmbar em tons mais escuros, com reflexos rubi e boa limpidez. Seu creme se formou razoavelmente bem, apresentando coloração bege e uma duração Ãnfima.
Em destaque, os maltes trazendo uma leve caramelização, ainda lembrando chocolate com avelã. Os ésteres frutados, esperados para o estilo, estão ali, lembrando principalmente ameixas, além de vinho do porto, maçã e tâmaras. Ao fundo, aromas amadeirados.
A potente doçura dos maltes, evidencia-se também no paladar, vindo em contraste com a acidez frutada/vinificada e um final seco e amadeirado. Graças a quantidade imensa de malte, a Old Tom tem um corpo robusto, com muita maciez e licorosidade. Possui uma carbonatação baixa e até um leve amargor de malte tostado.
Até sou meio suspeito para falar de Strong Ales inglesas e a Old Tom definitivamente faz a minha cabeça. Uma pena que encontremos ainda pouca variedade destas inglesas mais potentes por aqui.
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A cervejaria diz ser um Belgian Tripel, mas trata-se de uma cerveja bem peculiar, que traz os tÃpicos aromas frutados de cervejas belgas, mas que me pareceu definitivamente contaminada.
Logo que aberta a garrafa, a cerveja começa a vazar um pouco. Apresentou coloração âmbar puxando um pouco para tons dourados e nada de translucidez, mostrando até bastante sedimentos em suspensão. Como esperado, seu creme teve boa formação e coloração marfim, mantendo-se por um bom tempo sobre o lÃquido.
Os aromas frutados dominam o aroma, remetendo a tutti-fruti, limão, grapefruit, damasco além de sal de frutas. Ainda há bastante de aroma de fermento de pão e um fundinho adocicado de mel.
Na boca, traz uma acidez potente, já esperada de certa maneira, mas que acabou até surpreendendo pela intensidade. Essa acidez e os tons mais salgados acabaram me lembrando um pouco as Lambic. O final, para contraste, traz um amargor bem intenso e um forte picante do álcool. Há carbonatação alta e um corpo médio.
A cerveja parece um pouco exagerada em muitos sentidos, não apresentando muito equilÃbrio. A provável contaminação talvez tenha potencializado essa falta de harmonia. Vale a pena provar de novo, já que a cervejaria tem alguns outros bons rótulos.
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Cerveja francesa produzida na Bélgica, com estilo de influência belgo-americana, traz um perfil frutado intenso, provocado tanto por leveduras, quanto pela lupulagem um pouco mais abundante, se comparada a outras Blond Ale.
Vertida na taça, apresentou coloração dourada, com translucidez mediana. O creme se formou razoavelmente, mostrando coloração branca e uma duração curta.
Os lúpulos se destacam no aroma, trazendo caráter mais cÃtrico, remetendo a laranja, grapefruit e unido a um pouco dos aromas de leveduras que lembram manga. Há ainda um caráter mais herbal do lúpulo, lembrando capim cidreira, um leve maltado de mel e o álcool pinicando um pouco o nariz.
A doçura dos maltes mostra-se até menos presente do que no nariz, mas ajuda a fazer a base para que o amargor dos lúpulos sole livremente, mas de maneira agradável e equilibrada. Possui um bom drinkability, e um corpo médio e carbonatação alta.
Um ótima surpresa dos franceses, fazendo uma cerveja de um perfil que me agrada bastante. No geral, ainda não é possÃvel encontrar uma grande variedade de cervejas francesas, mas algumas mostram boa qualidade e equilÃbrio, até saindo um pouco da "zona de conforto" das Biére de Garde e inovando um pouquinho mais.
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German Pilsner das mais famosas e também considerada uma das mais amargas do estilo. Não é o tipo de cerveja que surpreende por ter uma vasta gama de aromas, mas sim por se agradável e refrescante, e principalmente por ter um pouco mais frescor do que as Pilsners que chegam ao Brasil.
Na taça, apresentou coloração dourada, completamente lÃmpida e brilhante. Seu creme tem coloração branca, uma ótima formação, com duração razoável.
No aroma aparece bastante de lúpulo, de caráter herbal (remetendo a fumo) e até um pouco frutado (frutas vermelhas). Num segundo plano, os maltes lembrando panificação e um perfil limpo, sem esterificação. Graças a garrafa verde, começa a mostrar alguns sinais de oxidação, trazendo aquele aroma caracterÃstico de Heineken.
A simplicidade continua no paladar, trazendo um pouco de doçura dos maltes e um amargor muito firme. Há uma acidez destacada também, ressaltando o caráter de refrescância da leve cerveja.
Mesmo sendo uma ótima representante do estilo (talvez a melhor delas), não me atrai tanto. Ainda prefiro as Pilsens Tchecas, muito provavelmente pela maior leveza e perfil aromático dos lúpulos tchecos.
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Se a Traquair já aparecia aqui em solo nacional com uma ótima Scotch Ale há anos, no caso a House Ale, a Jacobite Ale é a concretização de que a cervejaria tem de fato ótimos rótulos do estilo. Numa versão mais potente e complexa da sua mais tradicional cerveja, a Jacobite agrada a quem achava que faltava algo na House Ale.
Vertida na taça, apresentou coloração marrom e nuances avermelhadas, com translucidez relativamente baixa. Formou-se um creme bege, abundante e duradouro, apresentando uma textura bem densa.
Os aromas de malte caracterÃsticos do estilo estão ali, de maneira intensa e lembrando vividamente a caramelo, avelã e castanhas. Há presença intensa também de esteres frutados, que lembram a ameixas, uvas passas e vinho do porto. Interessante também os aromas de condimento que aparecem ao fundo, em tons mais doces/picantes de anis e canela, acompanhados por notas de madeira.
O paladar mostra novamente a boa interação entre a doçura dos maltes e ésteres frutados, e os toques picantes dos condimentos numa segunda camada. Tudo isso numa corpo denso, licoroso e uma carbonatação razoável.
A potência da Jacobite Ale é o que eu mais sentia falta na House Ale. A Jacobite, na minha opinião, mostrou-se uma versão mais potente e mais importante, até mais redonda, beirando quase a perfeição do estilo.
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A Outblack é uma parceria belgo-americana bem caracterÃstica e ousada. Trata-se de uma Belgian Dark Strong Ale mesclada a uma Black IPA. A parceria foi concretizada pela cervejaria belga De Struise e a americana, Stillwater, do estado de Maryland. O resultado é uma cerveja marcante, de sangue belga, com aromas extremamente condimentados.
Quando servida, apresentou coloração negra, com alguns reflexos que chegam ao marrom, com opacidade absoluta. Seu creme se forma com facilidade e se mantém por um bom tempo acima do lÃquido, apresentando coloração marrom claro e um textura bem cremosa, desenhando toda a lateral da taça.
A gama de aromas de especiarias e ervas é impressionante, instigando minha memória olfativa e até onde consegui ir, achei anis (principalmente), erva doce, cardamomo, canela e menta. Os maltes e esteres frutados vem intensos, mas numa segunda camada, lembrando chocolate ao leite, melão, além de uvas e ameixas.
Sensações de malte e especiarias não ficam em tanta harmonia no paladar. A cerveja acaba não evidenciando tanto do que se espera de doçura na boca e sim uma intensa picância das especiarias, que aparecem de maneira tão marcante, que acabam esgotando o paladar. A presença do malte é mostrada principalmente no mouthfeel, em sua textura muito cremosa e aveludada e um residual vinificado e frutado.
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Se tem um estilo que ainda não conseguiu me encantar é Biére de Garde. A 3 Monts, não possui nenhum elemento que me amarrre, mostrando a doçura carcaterÃstica do estilo, com alguns aromas rústicos e lupulados.
Apresentou uma coloração dourada e lÃmpida. Seu creme tinha coloração branca e se formou em grande volume, mas perdeu-se rapidamente.
O aroma mostrou-se predominantemente maltado, com aromas de cereal e mel se destacando. Ao fundo uma delicada esterificação que remete a tutti-fruti e damascos, um delicado floral e algo mais rústico que me lembrou feno.
A doçura impera na boca, novamente com os maltes e os tons frutados em destaque, e com um amargor muito suave, mas que dá uma certa quebrada na intensa doçura. Há uma leve picância do álcool, mas nada que agrida. aliás, na minha opinião, um dos maiores meritos da cerveja é esconder muito bem os 8.5% de álcool. Seu corpo é médio e a carbonatação frisante.
Não sei se levo muito para o lado pessoal, mas estou pra ver alguma Biére de Garde que me pegue de jeito. Essa é a primeira Blonde que tenho a chance de provar e pelo menos mostrou menos de doçura dos maltes e mais esterificação do que a Jenlain Ambreé, por exemplo.
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Como também é de costume na Bélgica, algumas cervejarias não produzem suas próprias Lambics, e sim fazem blends entre Lambics produzidas por outras cervejarias. É o caso da Tilquin, cervejaria que sinceramente nunca tinha ouvido falar, e que usa como fontes cervejarias como Boon, Lindemans, Girardin e Cantillon.
Apresentou coloração amarelo queimada e uma opacidade alta. Acima do lÃquido se forma um creme de mais ou menos um dedo, e se perde rapidamente, mostrando rapidamente a coloração esbranquiçada.
No aroma se destacam as notas de maçã verde, laranja e limão. Além dos aromas frutados/cÃtricos, um fundo rústico que remete a couro e palha, além das notas de panificação trazidas pelo malte. Nada de muita complexidade.
Este caráter simples e direto se mantém no paladar, apresentando uma boa maciez conferida pelo malte e uma acidez relativamente equilibrada, aumentando potencialmente o drinkabillity, Para uma Lambic, a cerveja até que tem a dolura dos maltes destacada, mostrando ainda um leve amargor ao final do gole. A textura é macia e a carbonatação me pareceu baixa.
Sinceramente não me encantou muito e acredito que as versões originais são um pouco superiores a esses blends malucos. Tem um perfil bem mais acessÃvel para iniciantes, mas não traz muita complexidade aromática.
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A Flying Dog, não satisfeita em reproduzir uma Schwarzbier alemã, inova fazendo uma versão potente do estilo, o que seria uma Double Schwarzbier, ainda com alguns toques de defumação para ampliar a gama de aromas. O resultado é muito bom, se diferencia bastante das tradicionais alemãs como a Kostritzer, por exemplo, e me satisfazendo mais pela maior potência.
Vertida na taça, apresentou coloração marrom, bem escuro e com nada de translucidez. Acima do lÃquido se forma um creme de coloração bege, formação abundante e uma duração razoável.
Os aromas de torrefação dos maltes, como esperado, ficam a frente, trazendo bastante de chocolate ao leite, café, baunilha e ainda tons amadeirados. Apesar de ser uma Lager, os esteres frutados mostram-se bem evidentes lembrando a ameixas e maçã. Ao fundo, aromas mais salgados de azeitona.
Os maltes trazem uma maciez impressionante ao paladar, novamente remetendo a tons achocolatados com um frutado de fundo. O defumado descrito pela cervejaria mostra-se mais evidente no paladar, trazendo lembranças salgadas de copa defumada e madeira. O amargor não é nada exagerado, e lembra muito mais o torrado de café do que lúpulos. Possui uma textura rica e cremosa, com carbonatação razoável e um retrogosto interessante que mistura a doçura dos maltes com o salgado do defumado. Apesar dos seus quase 8% de álcool, quase não há percepção do mesmo na cerveja.
Apesar de ser uma "Imperial Schwarzbier", apresetou um equilÃbrio fantástico, unido a uma boa complexidade de aromas e um toque de criatividade, esperados da Flying Dog. Vale a pena pra quem quer uma Lager diferente.
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Para uma cerveja que tem um nome de responsa desses, se espera uma Blond Ale super-lupulada, beirando uma Belgina IPA. Não é o caso da Luppoo, que traz uma Blond Ale com o uso do Dry-Hoppin', mas com poucas caracterÃsticas de amargor, e os aromas de lúpulo, até um pouco camuflados pela presença dos aromas de levedura.
Vertida na taça, apresentou coloração dourada, em tons mais claros e pouca translucidez. Um creme branco, com uma formação boa e duração razoável se forma, ainda desenhando rendas nas laterais da taça.
Os aromas frutados das leveduras belgas predominam, lembrando a pêssego, banana e tons cÃtricos de abacaxi, limão e tangerina (talvez estes advindos da lupulagem). Os aromas florais e de grama fresca ficam em segundo plano, ao lado da base de maltes que traz baunilha e aveia, além de aromas mais picantes de cravo e gengibre.
Surpreendentemente, também traz bastante da doçura dos maltes e frutas, com um amargor relativamente suave, que aparece mais na abertura do gole. Possui um perfil leve, refrescante e muito fácil de beber em quantidades, mesmo que os maltes tragam uma maciez impressionante. A acidez destacada e a alta carbonatação ressaltam ainda mais a refrescância.
De fato, não era o tipo de cerveja que esperava, mas mesmo assim, trata-se de uma cerveja muito fácil de beber, com uma gama grande de aromas frutados, e um delicado perfume de lúpulos. Tenho saudade da época que alguns rótulos da Belgoo ainda eram encontrados aqui no Brasil.
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