Avaliações escritas por Fabian Ponzi
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Seu líquido é dourado e translúcido, bastante borbulhante, e seu creme é espumoso, com grandes bolhas, de excelente tamanho e formação, mas de curta duração. O aroma é perceptível no já primeiro chiado do abrir da garrafa. Toda aquela complexidade das cervejas belgas aparece em notas de banana, laranja, abacaxi, frutas cítricas e especiarias, entremeadas pelo gostoso maltado de cereais e pelo aroma floral do lúpulo. O sabor é extremamente frutado e cítrico, com todos os aspectos acima aparecendo mais intensamente, acrescidos do álcool que esquenta levemente a boca e dá uma certa picância à breja. Sua carbonatação é vivida, com um corpo leve e uma textura tão leve quanto, e seu final é adstringente e seco, de altíssima duração.
Cerveja equilibradíssima, refrescante e complexa. Vale todo o folclore e um pouco mais. Se fosse um pouco mais encorpada, seria perfeita.
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Não dá nem para chamar de cerveja. A Lust está um patamar acima. A começar pela apresentação, que chega a dar pena de ter que rasgar o papel e estourar a rolha, de tão chique e classuda que é essa garrafa. Descendo seu líquido na taça apropriada (flutê, rapá!), o que se vê dá vontade de ficar só olhando (“quando é que esse cara vai beber essa cerveja, DeuS?”). Tem aquela cor dourada e aquela turbidez de cerveja das boas, mas com um creme branco e duro e borbulhas (“perlage… PERLAGE!”) finas e abundantes de champagne. O aroma confunde. Bastante. Requer concentração para não deixar passar nada. Apesar do meu DDA, deu pra identificar notas florais, frutadas e cítricas de laranja, uvas, abacaxi e frutas cristalizadas, com um certo toque de mel. O sabor é coerente com o aroma. Mas o grande barato dessa cerveja-champagne é a sua carbonatação, que faz cócegas na língua. Os 11,5% de álcool só aparecem bem no finalzinho da degustação, esquentando confortavelmente a boca e acalorando a doçura cítrica, a adstringência e a secura que pede mais outro gole logo em seguida. Ah, e para terminar, vale dizer que ela harmonizou mais que perfeitamente com o queijo gouda que estava na minha geladeira. Recomendo.
Cerveja, champagne, não importa. O que importa é que ela deve ser presença obrigatória na geladeira de qualquer um que saiba o que é uma boa bebida. Não se assuste com o preço. Depois do primeiro gole, você vai ver que pagou muito barato…
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A Slava tem um líquido límpido, translúcido e borbulhante, de coloração amarelo-palha. Seu creme alvo é de ótima formação, de tamanho médio e excelente retenção. Seu aroma não é muito pronunciado, mas dá pra se notar o malte de cereais e um leve lúpulo floral aparecendo deliciosamente, com algumas notas cítricas de abacaxi e limão. O sabor da Slava é de um amargo característico do estilo, sem agredir, apenas para conferir à cerveja uma alta drinkability. Com um corpo leve e uma ótima carbonatação, a Slava deixa um after-taste seco e refrescante na boca. Leve, deliciosa e refrescante.
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epois de provar essa oatmeal stout, confesso que entendo e concordo com a expressão. Eu nunca tinha provado uma cerveja que passasse tanto a sensação de “nutrição” como essa breja americana. A sua aparência não é bem seu ponto forte. De uma coloração negra e opaca, ela não forma um belo creme, se resumindo a uma pequena coroa marrom-clara e espumosa, de curta duração. Entretanto, seu aroma povoado com todas aquelas notas carameladas, de café, chocolate, malte tostado e aveia dão a impressão de que estamos diante de uma bela cerveja. O lúpulo floral aparece discretamente, conferindo um perfume gostoso e suave. Quando ela entra na boca é que ela mostra mesmo sua identidade. A Barney Flats é encorpada, leitosa, pesada. A impressão é de que estamos tomando um café com leite turbinado. Os caracteres do aroma aparecem novamente, com destaque ainda maior para o café e o tostado, que formam um belo conjunto com a sensação aveludada da aveia. No final, as notas tostadas permanecem na boca e, apesar de seu peso e da sua complexidade, ela se mostra equilibrada.
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A altbier da Bamberg tem um líquido avermelhado-acobreado, translúcido e borbulhante, encimado por um creme bege-claro de tamanho médio, consistente e duradouro. Seu aroma mostra um lúpulo floral sendo balanceado perfeitamente com o malte que lembra caramelo e toffee, juntamente com notas frutadas discretas. No sabor, o lúpulo aparece com mais intensidade, mas sem mascarar o umami do malte. Levemente encorpada, a sua carbonatação é de média à alta, dando uma surpreendente refrescância à cerveja. Seu final é seco e amargo, de média duração, e por isso, demonstra alta drinkability.
Se não chega a impressionar, não deixa de ser uma bela cerveja. Vale para conhecer o estilo.
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Ela tem um creme alvo e denso, de grande formação e estabilidade, que gruda na caneca. Seu líquido é dourado, brilhante, translúcido e borbulhante. No aroma, o malte predomina, com notas de caramelo e um leve lúpulo floral. Na boca, ela se mostra uma cerveja agradávelmente leve e adocicada, com o lupulo aparecendo um pouco mais, na medida para contrabalançar um pouco o dulçor proveniente do malte, mas sem comprometer seu protagonismo. Bem carbonatada, a Helles deixa um gosto adocicado na boca, sem ser enjoativo, demonstrando altíssima drinkability.
Mais uma grande cerveja da Abadessa. Me sinto agradecido por ser portoalegrense e poder apreciá-la facilmente por aqui.
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Seu líquido é âmbar, com certa transparência e poucas borbulhas, precedido por um creme bege e duro que, se não é dos maiores, é persistente na lâmina que permanece acima do líquido. Um caramelado gostoso do malte – e reforçado pela rapadura – é facilmente percebido no aroma, somado à um perfumado e cítrico floral proveniente do lúpulo. Na boca ela se mostra intensa no dulçor e no amargor, mas equilibrada, com uma certa predominância do lúpulo, que aparece mais no seu final. Seu corpo é médio e tem ótima carbonatação. A Indica deixa um gosto amargo na boca e um leve adocicado, o que a deixa um pouco enjoativa, mas nada que prejudique sua drinkability. Também é sentida uma certa picância e um calor confortável advindo do álcool.
Uma cerveja que não frustra nenhuma expectativa. Pela facilidade de acesso e pelo bom preço, torna-se obrigatória sua presença nas geladeiras de quem gosta de uma boa cerveja.
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O líquido dessa cerveja apresenta uma cor e uma turbidez coerente com a proposta da cerveja. De cor âmbar, parece mesmo mel derramado no copo, precedido por um creme branco, duro, grande e persistente, de excelente formação e duração. No aroma, o mel aparece com grande intensidade, mas deixando transparecer algumas notas de um delicioso lúpulo floral e perfumado. No entanto, quando a cerveja cai na boca, vemos a maestria do equilíbrio supra-citado. O mel, que se esperava forte e onipresente, deixa transparecer uma certa citricidade, equilibrando a bebida. Com boa carbonatação em um corpo leve, ela deixa um gostinho adocicado no final.
Apesar do inusitado da idéia e do equilíbrio demonstrado, acredito que o mel poderia ser mais presente, o que daria maior personalidade à cerveja.
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Sou um fã assumido das cervejas da Brooklyn Brewery, mas eles sempre acham um jeito de me surpreender. Essa imperial stout sazonal de inverno não deixou nada a desejar em relação à alta expectativa que tinha. Pelo contrário. Ela já mostra sua imponência pelo rótulo classudo, de extremo bom gosto. Ao abrir a garrafa - notem bem, “ao abrir”, não “ao servir” - o aroma exalado já mostra que lá vem coisa boa. Notas de um maltado intenso, toffee, caramelo, tostado, o café inerente ao estilo e o prometido chocolate, juntamente com um perfumado maravilhoso dos lúpulos Willamette e American Fuggle, inundam o ambiente. Além disso, pode-se sentir o álcool e um certo frutado, que identifiquei como uvas, mas confesso que a complexidade já tinha me deixado atordoado. No copo, a BCS é negra como petróleo, precedida por um creme marrom-claro que, se não é grande, é persistente e cremoso, deixando um excelente belgian lace. O sabor é tudo aquilo que se esperava, de acordo com o seu aroma intenso, porém, com o álcool aparecendo bem mais, causando um aquecimento confortável na boca. A BCS é encorpadíssima, quase licorosa, e deixa um retrogosto duradouro, alcoólico e bem balanceado entre o adocicado e o amargo tostado. Por conta disso, sua drinkability é comprometida. No entanto, a sua intensidade de sabor, de aroma e de corpo, é mais que suficiente pra satisfazer o paladar.
A melhor stout que já tomei, sem nenhuma dúvida.
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A Joinville Porter tem um líquido preto e opaco, sem nenhuma translucidez e precedido por um creme marrom-claro médio, mas persistente e que deixa um bom belgian lace no copo. Seu aroma é típico do estilo, com o malte torrado sobressaíndo, mas com algumas notas de café bem presentes e chocolate, caramelo e toffee em segundo plano. O lúpulo, nesse caso, é um coadjuvante bem inserido, dando um toque floral à mistura. Alguns ésteres frutados são notados mais para o final da degustação. Na boca, ela demonstra um dulçor mais proeminente, mas bem equilibrado com o amargor do lúpulo e a adstringência do torrado do malte. A Joinville Porter é uma cerveja encorpada, com uma textura grossa e aveludada, que deixa um retrogosto adocicado e duradouro na boca. Apesar disso, ela demonstra uma surpreendente drinkability, não sendo nada enjoativa.
Ótima cerveja, correta e perfeitamente dentro do estilo.
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Analisado por Fabian Ponzi 30 de Julho de 2010
Atualizado pela última vez: 30 de Julho de 2010
Analista Top 500 -
Essa vienna lager natural, não-filtrada, nem pasteurizada, tem um líquido âmbar, cor de mel e bem turvo, com poucas borbulhas. Seu creme pequeno é branco e consistente. No aroma, ela surpreende, pois tem uma intensidade bem maior do que a esperada. O malte aparece bastante, com um leve lúpulo floral na medida para contrabalançar. O álcool é muito bem inserido no conjunto. O amargor do lúpulo aparece mais no sabor, dando um toque cítrico e contrapondo muito bem o adocicado do malte, conferindo à cerveja uma ótima sensação de refrescância. A Coruja tem um bom corpo e boa carbonatação, e deixa um after-taste levemente amargo, sem ser incômodo. Pela alta drinkability, entende-se por que a facilidade em consumi-la aos borbotões nas rodas de amigos.
Uma cerveja corretíssima, com um sabor que não vai assustar aquele seu amigo bebedor de Skol. Apresente uma Coruja pra ele e, quem sabe, sua missão de beerevangelização estará cumprida. Mas fica a dica: vá direto para a versão Extra Viva, muito melhor que a Viva.
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Quando saio pra beber aqui em Porto Alegre, geralmente vou no Biermarkt, que serve a Abadessa Export e Slava na pressão. Duas excelentes cervejas, icônicas, por assim dizer. Por isso, minha expectativa em relação à essa cerveja sazonal de inverno era altíssima. Contudo, essa expectativa não se confirmou. A doppelbock da Abadessa é escura, opaca, com um belo creme marrom-claro grande, duro, cremoso e de alta duração. No aroma é que a Emigrator encontra seu principal problema. De baixíssima intensidade, foi difícil identificar quaisquer notas com facilidade. Deu pra sentir alguma coisa de caramelo, malte tostado e mel, com uma pequena presença de lúpulo floral e notas frutadas. Mas foi difícil, volto a dizer. Seu sabor é bastante adocicado, enjoativo até, mas que tem como principal qualidade a imperceptibilidade do álcool, apesar dos 7,2% ABV. A Emigrator tem um corpo leve, com baixa carbonatação. Sua drinkability, devido ao alto dulçor, é baixa. Cabe dizer que o exemplar degustado apresentou bastante sedimentação no fundo da garrafa, o que pode explicar alguns dos problemas relatados acima. Tenho a impressão que a versão chopp deva ser melhor, mas…
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A Nº1 já começa impressionando com seu rótulo, criativo e coerente com a história da cerveja, num belo trabalho do André Clemente. No copo, a cerveja mostra pouca formação de espuma, mantendo uma fina e fugaz camada de creme bege acima do líquido acobreado-escuro, opaco e sem borbulhas. O aroma recheado de notas inunda o ambiente já no abrir da garrafa. Pode se identificar traços de caramelo, chocolate, café, malte tostado e defumado, rapadura e mel, além de frutas secas, passas e, por óbvio, o amadeirado alcoólico proveniente dos barris. Tudo isso costurado com um gostoso aroma floral do lúpulo (Cascade?). Na boca, ela mostra que não é uma cerveja para paladares não treinados. De altíssima personalidade, ela é licorosa, grossa e aveludada, com baixa carbonatação, doce no início, mas amarga no final, lembrando whisky e conhaque. O álcool agora aparece com maior intensidade, esquentando a boca. Seu final é amargo e doce ao mesmo tempo, duradouro e alcoólico. Pela potência das suas características, é uma cerveja com baixa drinkability, mas isso não faz com que sua degustação não seja uma experiência inesquescível. Uma cerveja que diferencia os homens dos meninos.
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Trata-se de uma cerveja translúcida, dourada e borbulhante, correspondente ao estilo. Seu creme é de ótima formação, formando uma barreira enorme, dura e cremosa, com alta duração e que deixa uma linda renda de espuma no copo até o final. O aroma é delicioso, com o lúpulo Saaz predominando e perfumando o ambiente, mas não escondendo o malte por completo. No sabor, a Tcheca continua sendo uma cerveja bem lupulada, mas com o malte abrandando um pouco o amargor, não deixando-o agressivo, mas mantendo seu protagonismo. É uma cerveja leve e refrescante, com ótima carbonatação e que deixa um after-taste amargo e de duração impressionante. Acho que fiquei com seu gosto na boca por uma boa meia hora depois da degustação! Das pilsners que provei, é certamente melhor que a Schiehallion, ficando bem perto da Wäls Pilsen, ainda insuperável pela intensidade de seu aroma.
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Há muito tempo atras, tinha uma propaganda de shampoo com um slogan muito cretino que dizia “parece, mas não é”. Experimentando essa cerveja mineira, me veio essa frase à cabeça. A Pale Ale da Backer se auto-descreve como uma autêntica bitter inglesa, mas fica bem longe disso. Mesmo não tendo aquele amargor gostoso das ESB inglesas, não deixa de ser uma bela cerveja. Seu líquido âmbar é levemente turvo e com algumas borbulhas. Ela tem um creme bege, espumoso, duradouro e de excelente formação. O aroma remete à caramelo e cereais, com notas de toffee e tostado. O lúpulo floral também é perceptível, mas em menos intensidade. O sabor é protagonizado pelo malte, bem adocicado, mas o amargor do lúpulo aparece um pouco mais. É uma cerveja grossa, encorpada e carbonatada, que deixa um after-taste adocicado, porém de curta duração. Ótima drinkability.
Não é uma ESB, mas vale a degustação. Um pouquinho mais de lúpulo no aroma e no sabor e estaríamos diante de uma excelente cerveja.
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Ela não impressiona pela sua aparência. A espuma de pequena formação e uma certa turbidez no líquido dourado e borbulhante perdem para outros exemplares do estilo. No entanto, seu aroma é excelente, com o lúpulo herbal predominando, dando uma característica cítrica à breja. O malte aparece também, mas só o suficiente para equilibrar o conjunto. Seu sabor confirma o aroma, mas as notas cítricas aparecem mais. Em alguns momentos, posso dizer que senti um delicioso gostinho de abacaxi. A Schiehallion, por óbvio, não é encorpada, mas a sua alta carbonatação e seu retrogosto amargo e duradouro a deixam refrescante e com grande drinkability. Ela me lembrou muito a Wäls Pilsen, mas a brasileira ainda leva uma pequena vantagem na intensidade do aroma e na aparência.
Mais complexa que a grande maioria das pilsners. Ótima cerveja.
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Cerveja translúcida e dourada, com muitas borbulhas e um creme médio de ótima formação, consistência e duração. No aroma, sobressai a intensidade do malte que lembra pão e cereais. O lúpulo herbal se mostra presente, mas como um coadjuvante bem colocado. Na boca, ela se mostra uma cerveja equilibradíssima e refrescante, com o amargor do lúpulo aparecendo um pouco mais. Ela tem uma ótima carbonatação num corpo leve e aguado, como se espera numa cerveja do estilo. Seu final é duradouro, levemente amargo e adstringente, demonstrando alta drinkability.
Uma premium lager honesta e refrescante.
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Ao descer no copo ela já impressiona por seu lindo líquido alaranjado e turvo, com algumas borbulhas. O creme é aquilo tudo que se espera de uma boa cerveja do estilo: branco, grande e cremoso, não tão duradouro mas que deixa uma lâmina insistente acima do líquido. O aroma, meu Deus! Mais uma daquelas tarefas quase impossíveis de desvendar ítem por ítem numa nuvem de cheiros e sensações (ah, esses belgas…): maltes que lembram cereais e aveia, lúpulo floral, perfumado e cítrico, e ainda notas de laranja, cravo, damasco, frutas vermelhas e cristalizadas, além do álcool que também aparece nessa mistura toda. O sabor confirma toda essa complexidade e intensidade, somado à uma ótima carbonatação num corpo médio, que pesa na boca. Tudo isso deixa um final cítrico e seco, cuja curta duração pede mais uma na sequência.
Uma Hoegaarden de gente grande. Excelente cerveja.
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Um salve à ousadia da cervejaria americana em tentar reinventar um estilo clássico, mas a experiência de adicionar uma ultra-dosagem de lúpulo numa porter acabou por deixar a cerveja desequilibrada. Sua aparência é a default do estilo, com um creme pequeno e denso precedendo um líquido preto, calmo e opaco feito petróleo. Já no abrir da garrafa podemos sentir no aroma a marca registrada das novas cervejas americanas, o agradável e delicioso cheiro do lúpulo Cascade. Numa análise mais detalhada, podemos também sentir no background um pouco de malte torrado. Como esperado, o lúpulo é o protagonista, característica que segue no sabor, amargo e picante. Os 85 IBU declarados no rótulo acabam por esconder as outras notas maltadas que se espera de uma boa porter, apesar de não parecerem tão violentos na boca. Sua textura é oleosa, encorpada, deixando um retrogosto amargo, duradouro e levemente enjoativo.
Uma experiência interessante, mas um pouco desequilibrada. Vale pela ousadia, pelo rótulo bacana e pelo perfume do Cascade.
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Essa é uma cerveja que não dá nem vontade de tomar. Calma, não estou dizendo que ela é intragável, MUITO PELO CONTRÁRIO! A questão é que o seu aroma não é apenas um cheiro qualquer, mas sim, um perfume delicioso e inebriante. Dá até medo de provar, pela intensidade do lúpulo aromático floral que se sente antes do primeiro gole. A impressão que dá é que estamos prestes a beber uma bomba de amargor. Aí é que está a grande qualidade dessa IPA. Ora, é uma IPA, então não poderíamos esperar uma cerveja adocicadinha, não é mesmo? É claro que ela é amarga! Mas ainda assim, a sua fórmula é tão balanceada que, mesmo com a introdução aromática, o lúpulo de sabor é muito bem inserido, sem deixar a cerveja desequilibrada. É amarga, sim, mas não é agressiva, já que o malte caramelo aparece para contrabalançar com seu dulçor. Outras impressões: seu líquido é dourado e translúcido, com bastante borbulhas e seu corpo é um pouco aguado, mas que é compensado pela alta carbonatação, que chega a repuxar a língua. Como não poderia deixar de ser, seu final é amargo e longo, pedindo mais uma em seguida.
Mais uma Brooklyn que me deixa de queixo caído. Pelo ótimo custo-benefício que chega no Brasil, é de ter sempre na geladeira.
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