Avaliações escritas por Alexandre Marcussi

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Brasil
 
2012-01-14 23:41:35 Alexandre Marcussi
Avaliação Geral 
 
3.3
Aroma 
 
6/10
Aparência 
 
4/5
Sabor 
 
14/20
Sensação 
 
3/5
Conjunto 
 
6/10
Alexandre Marcussi Analisado por Alexandre Marcussi    14 de Janeiro de 2012
Analista Top 50  -  

Em primeiro lugar, parabenizo a Bamberg pela iniciativa de não apenas patrocinar o I Concurso da Acerva Paulista, mas também produzir e lançar a receita campeã sob o rótulo "Bamberg ESB". A cerveja se destaca pela presença dos maltes, macios e com boa profundidade, remetendo a castanhas, doce de leite, avelãs e caramelo, muito bom. Um leve abaunilhado ressalta o malte. O lúpulo traz aquele terroso típico das varietais inglesas, mas também um floral que achei um pouco destacado demais para o estilo. Nota-se um toque sulfuroso da água, também perfeitamente adequado ao estilo. A doçura maltada é bem presente, como pede o estilo, e não é ofuscada pelo amargor correto, mas senti uma acidez excessiva para uma ESB, prejudicando um pouco o conjunto. Encorpada, apresenta boa textura aveludade e mais carbonatação do que o comum para as cervejas inglesas. ESB é um estilo infelizmente pouco representado no Brasil devido à preferências pelas IPAs, de modo que a Bamberg acertou em produzir um rótulo mais puxado para a profundidade dos maltes ingleses. Contudo, acho que a acidez acabou sendo um pouco excessiva - se fosse menor, esta seria uma excelente cerveja, melhor do que a maioria das importadas a que temos acesso.

Detalhes

Degustada em
13/Janeiro/2012
Envasamento
Garrafa
Volume em ml
355 ml
Onde comprou
Empório Alto dos Pinheiros
Preço
R$ 8
Brasil
 
2011-10-25 19:40:44 Alexandre Marcussi
Avaliação Geral 
 
3.1
Aroma 
 
5/10
Aparência 
 
3/5
Sabor 
 
13/20
Sensação 
 
4/5
Conjunto 
 
6/10
Alexandre Marcussi Analisado por Alexandre Marcussi    25 de Outubro de 2011
Analista Top 50  -  

Finalmente tive minha chance de provar a cerveja comemorativa da Oktoberfest da Eisenbahn, a qual, por diversos motivos, não tinha conseguido provar em anos anteriores e não havia sido produzida em 2010. Espero que este novo lote sinalize o retorno definitivo da receita ao portfólio da cervejaria, porque é um rótulo bacana que vale a pena para marcar um momento especial. Trata-se de uma Märzen “das antigas”, tradicional, com o perfil de maltes levemente tostado, um pouco menos seca e clara do que as cervejas de Oktoberfest que as grandes cervejarias alemãs têm produzido ultimamente. Ponto positivo para a Eisenbahn, ao meu ver. No copo, mostrou bonita cor alaranjada escura, sem turbidez e com espuma relativamente estável. No aroma como no sabor, são os maltes levemente tostados que fazem a alegria deste rótulo: pão, um toque caramelado e uma sensação acastanhada compõem uma suave e agradável combinação. O lúpulo exibe, discreto, aquele típico floral de variedades alemãs. Infelizmente, um tiquinho de sensação metálica tirou algo do brilho da minha garrafa. No paladar, a doçura do malte predomina suave, mas com amargor final suficiente para equilibrá-la e não torna-la enjoativa – afinal de contas, uma cerveja da Oktoberfest deve ser adequada para consumo em quantidade. O corpo é mediano, levemente cremoso, agradável, e o álcool nem se faz notar. No geral, receita bem agradável, com a leve tosta do malte adicionando camadas de sabor sutis mas interessantes, tornando-a mais marcante sem deixar de ser bem fácil de beber e equilibrada. Claro, não espere uma receita impactante, pois não é isso que ela propõe. Fico feliz de poder ter a oportunidade de finalmente prová-la e completar minha coleção dos rótulos “fixos” da Eisenbahn.

Detalhes

Envasamento
Garrafa
Volume em ml
355 ml
Onde comprou
Empório Alto dos Pinheiros
Preço
R$ 7
Brasil
 
2011-10-21 19:09:27 Alexandre Marcussi
Avaliação Geral 
 
3.9
Aroma 
 
8/10
Aparência 
 
5/5
Sabor 
 
14/20
Sensação 
 
4/5
Conjunto 
 
8/10
Alexandre Marcussi Analisado por Alexandre Marcussi    21 de Outubro de 2011
Analista Top 50  -  

A combinação de lúpulos aromáticos da receita é o grande destaque deste rótulo da Bierland, que combina a base tostada de maltes com um frescor cítrico e apimentado. No copo mostra-se muito bonita, com uma bela coloração acobreada-avermelhada bem brilhante e sem turbidez, coroada por um ótimo creme bege. O aroma explode em lúpulos, trazendo camadas: primeiro vêm as sensação de varietais norte-americanas, com remissões a maracujá, geleia de frutas e flores; e depois começa a aparecer um perfil mais europeu e clássico, com sensações apimentadas e terrosas que lembram muito a varietal Saaz. Combinação bacana de tradição com irreverência e inovação – uma pena que essas características não se apresentem de forma simultânea e combinada, já que a cerveja mostrou dois “momentos” bem diferentes. O malte, apesar de pouco marcante. fornece uma boa base e dá “substância”: inicialmente traz uma doçura caramelada e depois, ao final, mostra um sabor macio de pão, torradas e até um toque sutil queimado. O fermento se une aqui para aumentar a maciez do sabor. Sem ésteres frutados, sem diacetil e sem DMS relevantes, mostrando a boa pureza aromática de lager. O paladar apresenta doçura inicial e conduz a um fundo com um amargor fino e oleoso, mas assertivo, fechando de forma equilibrada entre o amargor e a doçura residuais, sem incomodar na garganta. Muito fácil drinkability para o estilo. O corpo é leve e tem aquela sensação de limpeza da boca. O resultado final é uma cerveja que não chega chegando, mas tem personalidade apesar de ser fácil de beber, e que combina de forma interessante o perfil descontraído norte-americano com a sobriedade dos lúpulos tradicionais. Opção versátil e acessível da Bierland.

Detalhes

Degustada em
18/Outubro/2011
Envasamento
Garrafa
Volume em ml
600 ml
Onde comprou
Empório Alto dos Pinheiros
Preço
R$ 15
Holanda
 
2011-10-18 02:59:43 Alexandre Marcussi
Avaliação Geral 
 
4.3
Aroma 
 
9/10
Aparência 
 
4/5
Sabor 
 
16/20
Sensação 
 
5/5
Conjunto 
 
9/10
Alexandre Marcussi Analisado por Alexandre Marcussi    17 de Outubro de 2011
Analista Top 50  -  

As saison belgas são, lamentavelmente, um estilo difícil de achar por aqui. Até onde sei, o estilo tampouco é produzido pelas cervejarias nacionais. Resta-nos esperar pelo lançamento ocasional de alguns exemplos do estilo a um preço mais acessível. E esta Urthel, ainda por cima, é uma excelente representante, balanceando o perfil doce/frutado belga com o seco/amargo do estilo e uma complexidade de especiarias fazendo uma ponte perfeita entre ambas as facetas desta receita que se caracteriza, antes de mais nada, pela complexidade em harmonia. A coloração é alaranjada clara, bem opaca (segui a recomendação do fabricante de depositar o fermento no copo), com espuma de bom desempenho. No aroma e no sabor, muitas camadas: a primeira a se revelar de forma evidente é um gostoso frutado com remissões de banana, peras e melão. Segue-se um aroma complexo de especiarias: primeiro o cravo, bem evidente (dando ares de Weissbier), depois notas crescentemente presentes de pimenta-do-reino. O lúpulo, em segundo plano, apresenta floral clássico e terroso. O malte aparece tímido, mas suas notas de mel ajudam a balancear o conjunto. Não senti sinais de fermentação espontânea, embora o estilo admita (e eu goste). O paladar é equilibrado e harmonioso, com entrada doce e refrescantemente ácida conduzido a um final mais amargo e seco, com retrogosto de pouca expressão. O corpo é mediano, e a alta carbonatação potencializa a refrescância. O interessante é que o final seco e a presença do lúpulo no aroma lhe dão uma certa leveza elegante, mas não tiram a expressividade dos ésteres frutados que caracterizam as cervejas belgas, resultando um conjunto balanceado e complexo.

Detalhes

Degustada em
07/Outubro/2011
Envasamento
Garrafa
Volume em ml
330 ml
Onde comprou
Cervejoteca
Preço
R$ 13
Brasil
 
2011-10-10 01:17:35 Alexandre Marcussi
Avaliação Geral 
 
3.6
Aroma 
 
7/10
Aparência 
 
5/5
Sabor 
 
12/20
Sensação 
 
5/5
Conjunto 
 
7/10
Alexandre Marcussi Analisado por Alexandre Marcussi    09 de Outubro de 2011
Analista Top 50  -  

Cerveja virtuosa da Bamberg, dessas de impressionar pela qualidade em todos os quesitos técnicos dentro de um estilo extremamente difícil de se produzir com qualidade. Embora tenha uma proposta simples e direta (não espere grandes impactos ou complexidades dela), realiza-a com extrema competência, revelando a maturidade técnica dessa grande cervejaria nacional. A cor é dourada bem clara e transparente, com creme digno do estilo. No aroma e no amargor, são as características do lúpulo Saaz que trazem a personalidade desta cerveja. O aroma desenvolve boa complexidade de notas lupuladas, mas de forma fiel ao tradicional perfil das lagers europeias. Pode esquecer aquela exuberância quase espalhafatosa dos lúpulos norte-americanos que estão dominando cada vez as cervejas centradas em lúpulos: esta é uma cerveja sóbria e elegante, que traz notas florais em destaque acompanhadas daquela sensação apimentada típica da variedade Saaz (o gosto apimentado no fundo da língua é inconfundível) e um bom suporte cítrico com sugestões de limão, laranja e até peras. Normalmente a Bamberg é uma cervejaria bem tradicionalista, e o estilo prega que se use apenas lúpulo Saaz; não fosse assim, eu até arriscaria dizer que existe outro lúpulo na receita, talvez um Hallertauer, para ressaltar o aroma floral e a complexidade. O malte é quase imperceptível, mas nota-se algo de cereais ou flocos de milho ao fundo, dando interesse. No paladar, nota-se a intensa atenuação da Camila, Camila, que se mostra implacavelmente seca e amarga: não se nota dulçor relevante. O amargor predomina e se estende de forma persistente no final, mas há também uma boa acidez de entrada. Aquela sensação de limpeza devido à baixa mineralização da água está presente, mas o amargor raspa um pouco no final e diminui essa sensação. No geral, trata-se de uma receita executada quase à perfeição, limpa, refrescante e leve, com altíssima drinkability. Ela combina a secura e o amargor de uma German pilsner ressaltando o perfil aromático elegante e delicado de Saaz de uma Bohemian pilsner. Pelo conjunto, realmente talvez se enquadre mais no estilo German, no fim das contas. Mais uma bela pilsner brazuca!

Detalhes

Degustada em
06/Outubro/2011
Envasamento
Garrafa
Volume em ml
600 ml
Onde comprou
Empório Laura Aguiar
Preço
R$ 15
Brasil
 
2011-10-06 04:47:14 Alexandre Marcussi
Avaliação Geral 
 
3.6
Aroma 
 
7/10
Aparência 
 
4/5
Sabor 
 
15/20
Sensação 
 
3/5
Conjunto 
 
7/10
Alexandre Marcussi Analisado por Alexandre Marcussi    06 de Outubro de 2011
Analista Top 50  -  

Mais uma IPA com perfil bem americano de lúpulos no mercado nacional - mas, diferente de outras brasileiras, temos aqui uma representante bem seca e amarga, como tradicionalmente se faz na terra de Tio Sam. Esta Pele Vermelha combina o frescor cítrico e floral do lúpulo com uma leve doçura maltada, com resultado remetendo a geleia de frutas cítricas. No copo, apresenta coloração acobreada-alaranjada, com espuma mediana. Claro que a predominância é dos lúpulos, como pede o estilo, trazendo aromas florais (lavanda) e cítricos-frutados (maracujá e laranja) em equilíbrio. Com o tempo, começam a se abrir notas mais rústicas de grama seca que, ao meu ver, atrapalham um pouco seu frescor. As raspas de laranja reforçam a citricidade do aroma, mas também se percebe um aroma sutil, próprio de casca de laranja, lembrando vagamente gengibre. O malte fica em segundo plano, com uma doçura de geleia de frutas e um leve sabor de torradas acompanhando o lúpulo. Um fundo oleoso de cebola prejudica seu aroma. No paladar apresenta amargor destacado e persistente, como pede o estilo, com doçura leve. O corpo é mediano e o álcool começa a se manifestar. Pelo perfil de lúpulo de aroma, ela lembra razoavelmente a Colorado Indica, mas mostra-se menos maltada e caramelada, com uma pegada mais de geleia de frutas e um amargor um pouco mais rasgado e refrescante. As raspas de laranja mostram-se pouco relevantes, a meu ver. Infelizmente, notas mais rústicas (cebola, grama seca) tiraram um pouco do brilho do seu aroma. No mais, uma receita interessante, que agradará especialmente àqueles que procuram um pouco mais de amargor do que as IPAs nacionais oferecem, em média.

Detalhes

Degustada em
17/Setembro/2011
Envasamento
Garrafa
Volume em ml
355 ml
Onde comprou
Cervejoteca
Preço
R$ 9
Brasil
 
2011-10-06 04:30:08 Alexandre Marcussi
Avaliação Geral 
 
3.7
Aroma 
 
8/10
Aparência 
 
3/5
Sabor 
 
13/20
Sensação 
 
5/5
Conjunto 
 
8/10
Alexandre Marcussi Analisado por Alexandre Marcussi    06 de Outubro de 2011
Analista Top 50  -  

Ótima surpresa da Backer. Normalmente, quando lemos "pilsen" no rótulo de uma nova cerveja nacional, já pisca um alerta vermelho na nossa memória cansada de cervejas sem personalidade que empregam essa denominação, mesmo entre as artesanais. Felizmente, não é este o caso. Tampouco se trata de uma tradicional pilsner boêmia ou alemã, mas de uma reinterpretação da leveza da pilsen boêmia e da secura da pilsen alemã empregando o frescor dos lúpulos americanos. Bola dentro. No copo já mostra uma coloração escura para o estilo, um dourado profundo com nuances acobreadas, e uma espuma mediana. O aroma desprende ótimo frescor lupulado, combinando notas florais com o cítrico do maracujá e da laranja. Esses sabores se confirmam mais tímidos na boca, escoltados por uma lembrança de fermento de pão. O malte é pouco presente, o que a deixa menos saborosa, mas muito leve. O paladar é bem seco, com pouco doçura inicial e um amargor consistente e duradouro que deixa uma sensação meio oleosa, refrescante (e que raspa só um tiquinho na garganta). A sensação do gole é ótima, muito limpa, evidenciando possivelmente baixa mineralização - que lhe dá, por outro lado, um retrogosto tímido. A combinação de todos esses fatores oferece uma experiência muito agradável: uma cerveja de paladar bem limpo e refrescante, para beber em quantidade, com um suave refinamento aromático. O açúcar mascavo da receita deixa o corpo bem seco e pronuncia o amargor refrescante. Uma cerveja que oferece um breve e delicado momento de frescor - fugaz, mas muito prazeroso.

Detalhes

Degustada em
04/Outubro/2011
Envasamento
Garrafa
Volume em ml
355 ml
Onde comprou
Cervejoteca
Preço
R$ 8
Brasil
 
2011-07-18 04:27:13 Alexandre Marcussi
Avaliação Geral 
 
4.3
Aroma 
 
9/10
Aparência 
 
5/5
Sabor 
 
16/20
Sensação 
 
4/5
Conjunto 
 
9/10
Alexandre Marcussi Analisado por Alexandre Marcussi    18 de Julho de 2011
Analista Top 50  -  

A imperial milk stout da Bodebrown é uma oportuna questão lançada à indústria microcervejeira nacional: qual é a próxima fronteira? Isso porque ela envereda pelo ramo das cervejas extremas, não só pelo altíssimo teor alcoólico, mas pela intensidade das sensações que oferece, trazendo uma forte “pegada norte-americana” ao nosso cenário cervejeiro. No copo, mostra-se um líquido preto opaco, de viscosidade visível e excelente creme marrom escuro. Inicialmente, o “milk” se revela de forma bem clara: a primeira impressão que se tem é a de lactose fermentada, um aroma que lembra Yakult, que logo perde força e é atropelado pela porrada de lúpulos cítricos e frutados que vem na sequência (o americano Simcoe é usado na receita), trazendo sensações intensas de geleia de frutas com remissão a maracujá, tangerina e framboesas, além de um floral suave. O torrado aparece apenas em segundo plano com chocolate e café suaves, pois é o lúpulo quem brilha no aroma. Há ainda uma certa licorosidade, como de licor de ameixas, e notas de leite de coco envolvendo o conjunto (creio que advindas da maturação em carvalho norte-americano). O sabor confirma essas percepções: inicialmente ela é bem doce com sabor de geleia de frutas e pouco tostado, com uma finalização picante e alcoólica conduzindo a um final amargo, em que o torrado ganha mais espaço, mostrando chocolate, café e um queimado macio e limpo. Doçura e amargor não chegam a se fundir harmoniosamente, antes mantendo sua brutal disputa do primeiro ao último gole. O corpo é extremamente grosso, licoroso e oleoso: quase dá para mastigar. A sensação alcoólica é bem perceptível, e nem poderia deixar de ser com este teor cavalar (14,5%), mas ela não agride e é bem equilibrada pela doçura. Ao final do copo, você quase cai nocauteado pelo extremismo das sensações: extremo doce, extremo aroma, extremo álcool. Um delicioso nocaute, entenda-se, mas talvez um pouco agressivo para quem quer aconchego e conforto, pois ela tem um toque de irreverência, de atitude, de combatividade. Não é a cerveja que eu degustaria no conforto de um pé-de-lareira. Um rótulo de muita ousadia da Bodebrown, que está sendo produzido agora numa versão ainda mais alcoólica. Resta esperar para ver a pedrada que sairá desse experimento.

Detalhes

Degustada em
12/Julho/2011
Envasamento
Pressão
Volume em ml
300 ml
Onde comprou
Empório Alto dos Pinheiros
Preço
R$ 15
Argentina
 
2011-07-16 20:07:17 Alexandre Marcussi
Avaliação Geral 
 
3.4
Aroma 
 
6/10
Aparência 
 
4/5
Sabor 
 
13/20
Sensação 
 
4/5
Conjunto 
 
7/10
Alexandre Marcussi Analisado por Alexandre Marcussi    16 de Julho de 2011
Analista Top 50  -  

As American barleywines, a princípio, podem surpreender aqueles que estão acostumados aos ricos, caramelados e vinificados exemplares ingleses do estilo. O que temos neste rótulo argentino é a combinação da densidade e da doçura dos maltes claros com o vigoroso aroma dos lúpulos usados na receita, com uma pegada rústica e poucos toques frutados. A coloração alaranjada, de boa transparência, já destoa do que estamos acostumados a ver em barleywines inglesas. No nariz, ela mostra a força dos lúpulos: um aroma cítrico (tangerinas) e levemente floral de Cascade a princípio, que no entanto foi perdendo o frescor e se tornando progressivamente herbal e rústico, remetendo a mato seco, com algo apimentado do Fuggles ao fundo. Frutado não está ausente: sente-se algo de maçãs vermelhas, mas um tanto ofuscado por tanto lúpulo. Por fim, um certo aroma medicinal. No sabor, as sensações se adicionam do denso sabor doce do malte, limpo, sem torrefação, remetendo a mel. Na boca, aliás, é essa doçura característica do estilo que predomina na boca, mas depois ela termina num final mais seco e medianamente amargo: a intensidade do aroma de lúpulo não equivale ao amargor, mais suave e equilibrado. O corpo fica entre médio e encorpado, potencializado pela riqueza dos açúcares residuais, com uma textura acetinada. O álcool não é brincadeira (10%), mas a sensação de aquecimento é bastante bem ocultada. Se você estiver esperando licorosidade, doçura caramelada e complexidade de aromas frutados e de maturação/envelhecimento (como numa típica barleywine inglesa), vai cair do cavalo – esta hermana prima pela combinação do doce do malte com uma rusticidade de aromas de lúpulo. Aliás, foi essa rusticidade o que mais me incomodou, pois acredito que se perdeu um pouco da complexidade da combinação de lúpulos da receita em meio ao forte herbal. Irá agradar em cheio quem curte aquela pegada mais rústica do aroma de lúpulo mas não está a fim de um amargor tão acentuado.

Detalhes

Degustada em
05/Julho/2011
Envasamento
Garrafa
Volume em ml
355 ml
Onde comprou
Empório Alto dos Pinheiros
Preço
R$ 15
Brasil
 
2011-07-14 05:22:47 Alexandre Marcussi
Avaliação Geral 
 
3.5
Aroma 
 
9/10
Aparência 
 
3/5
Sabor 
 
13/20
Sensação 
 
3/5
Conjunto 
 
7/10
Alexandre Marcussi Analisado por Alexandre Marcussi    14 de Julho de 2011
Analista Top 50  -  

Mais uma das receitas inovadoras da Bodebrown, esta Cerveja do Amor usa como base a receita de uma cerveja de trigo alemã, à qual são adicionadas amoras. O resultado é uma cerveja de perfil fresco, agudo e delicado, bastante distinto do estilo-base, aproximando-se um pouco do perfil das lambics elaboradas com frutas vermelhas, embora guarde algumas interessantes características das cervejas de trigo. A coloração é um âmbar levemente rosado que entrega na hora a presença das amoras, com uma espuma sutilmente tingida de rosa. O aroma mostra com clareza a presença da fruta, com notas de amoras bem frescas, lembrando uma bala do tipo “ice kiss”. O que me surpreendeu bastante é que ela lembra uma kriek lambic, possuindo inclusive um toque, suave, daquele mesmo aroma característico produzido pelas leveduras selvagens, lembrando couro cru ou feno. Ao fundo se percebe uma complexidade de aromas advindos do estilo-base: um perfume de cravo complementa a fruta e os aromas mais rústicos, enquanto notas mais suaves de banana e lático adicionam uma certa cremosidade constrastante com a agudeza dos outros aromas (para mim, o efeito foi um pouco estranho). Na boca, as mesmas sensações se confirmam de maneira mais suave, trazendo também um pouco de notas de aveia do malte de trigo. O que impressiona de cara é a forte acidez. É verdade que se trata de uma característica típica de cervejas de trigo, mas aqui ela está ainda mais acentuada – mais um indício, talvez, de leveduras selvagens? Um palpite completamente chutado: talvez as frutas adicionadas na fermentação (o rótulo indica “amoras”, e não suco ou polpa pasteurizada de amoras) “contaminem” a cerveja com leveduras selvagens que adicionam esses charmosos toques de acidez e rusticidade de aromas. Essa acidez é razoavelmente seca, apenas com a doçura necessária para dar equilíbrio e arredondá-la na boca, terminando de novo ácida e com leve adstringência tânica – lembrando um espumante levemente doce. O corpo é leve, e o final tem duração mediana. No geral, a história de amor tem um final feliz: a união das amoras com uma Weissbier intensifica a acidez do estilo e a torna uma bebida leve, elegante e fresca, harmonizando muito bem os aromas da fruta com os de cravo. O charme ficou, para mim, por conta dessa indicação de leveduras selvagens, que a tornam sutilmente aparentada ao efeito causado por uma fruit lambic.

Detalhes

Degustada em
12/Julho/2011
Envasamento
Garrafa
Volume em ml
500 ml
Onde comprou
Empório Alto dos Pinheiros
Preço
R$ 17
Brasil
 
2011-07-11 01:26:24 Alexandre Marcussi
Avaliação Geral 
 
3.6
Aroma 
 
6/10
Aparência 
 
4/5
Sabor 
 
15/20
Sensação 
 
3/5
Conjunto 
 
8/10
Alexandre Marcussi Analisado por Alexandre Marcussi    10 de Julho de 2011
Analista Top 50  -  

A cerveja sazonal de inverno da Baden Baden de 2011 é uma receita controversamente classificada como doppelbock, que foge um pouco ao estilo tradicional, com um perfil de maltes mais torrado e seco, mas se mostra agradável e consistente. Comparando-a com a do ano passado, fiquei com a impressão de ela estar levemente menos seca e torrada, o que me agradou. No copo, apresenta cor marrom escura com nuances brilhantes avermelhadas (mais escura do que o típico para o estilo), e uma espuma bem característica das cervejas da Baden Baden: farta e de boa persistência. O perfil de maltes torrados predomina ao longo da degustação, trazendo notas predominantes de chocolate e castanhas torradas acompanhadas de nuances de caramelo e café, com uma boa paleta, que me agradou. O lúpulo, aparentemente alemão, tem notas florais bastante perceptíveis no aroma e é mais delicado do que a variedade usada nas ales inglesas da cervejaria, o que permite que o sabor do malte apresente-se com maior diversidade. Ao fundo, notas frutadas de maçãs vermelhas convivem com um toque de esmalte que foi se tornando cada vez mais intenso ao longo da degustação, prejudicando-a com o tempo. Embora menos doce do que outras doppelbocks típicas, ela ainda tem uma doçura levemente dominante sobre um bom e equilibrado amargor de fundo. O corpo é denso, com uma textura oleosa, mas não chega a ter aquela licorosidade marcante de outras cervejas do estilo, mostrando-se um pouco mais drinkable talvez. Pode ser que seja por causa do açúcar mascavo, que permite atingir um alto teor alcoólico sem desenvolver um corpo grosso e licoroso. É possível argumentar que ela destoa (pelo menos um pouco) do estilo proposto? Possivelmente, mas esta sempre foi a marca deste rótulo e não lhe tira o interesse – pelo contrário, ele se mostra bem-resolvido com sua torrefação mais marcante. Até fiquei com a impressão vaga de que, este ano, ela está um pouco menos torrada. As notas esmaltadas, embora suaves, a prejudicaram um pouco e sugerem que talvez ela evolua com um pouco mais de maturação na garrafa. Vale o experimento.

Detalhes

Degustada em
08/Julho/2011
Envasamento
Garrafa
Volume em ml
600 ml
Onde comprou
Pão de Açúcar
Preço
R$ 14
Brasil
 
2011-07-05 04:11:45 Alexandre Marcussi
Avaliação Geral 
 
4.1
Aroma 
 
10/10
Aparência 
 
3/5
Sabor 
 
16/20
Sensação 
 
4/5
Conjunto 
 
8/10
Alexandre Marcussi Analisado por Alexandre Marcussi    05 de Julho de 2011
Analista Top 50  -  

Quem pensaria em empregar lúpulos norte-americanos numa Weissbier alemã, estilo normalmente bastante modelar e até um pouco monótono para algumas pessoas? Mais que isso, empregá-los com lupulagem a seco (dry-hopping) para que esta característica seja notada de forma ainda mais intensa? A Bodebrown foi em frente e criou esta receita descontraída, inesperada e divertidamente aromática, em que o frescor não advém (apenas) dos fenóis e da acidez, como normalmente ocorre nas cervejas de trigo alemãs, mas da combinação do frescor lupulado com o caráter frutado. Na aparência, não remete a uma Weissbier, mostrando coloração dourada-alaranjada com levíssima opacidade e uma espuma apenas mediana. O aroma é uma pancada de frescor: o frutado do lúpulo se une às notas de banana do estilo para passar uma intensa e vívida impressão de tutti-frutti, com sensações de grapefruit e florais com o tempo. Lembra até uma vitamina. Cravo e algo lático, típicos das cervejas de trigo alemãs, aparecem ao fundo. Na boca, esse divertido frescor interage com o sabor de pão branco do malte (remetendo mais à cevada do que ao trigo). O paladar é equilibrado e acessível: no lugar da forte acidez do estilo, encontramos aqui uma doçura predominando sutilmente sobre um amargor refrescante e limpo e uma acidez mediana. O corpo é leve para médio, jogando a drinkability nas alturas. Inesperada, descontraída, mas definitivamente diverte e agrada! Mesmo eu, que não sou um grande fã das Weissbiere, tive de me render ao experimentalismo desta receita. Como se diz lá em Curitiba: viva la revolución!

Detalhes

Degustada em
15/Junho/2011
Envasamento
Garrafa
Volume em ml
500 ml
Onde comprou
Empório Alto dos Pinheiros
Preço
R$ 17
Brasil
 
2011-07-05 04:03:43 Alexandre Marcussi
Avaliação Geral 
 
3.7
Aroma 
 
7/10
Aparência 
 
4/5
Sabor 
 
15/20
Sensação 
 
3/5
Conjunto 
 
8/10
Alexandre Marcussi Analisado por Alexandre Marcussi    05 de Julho de 2011
Analista Top 50  -  

Para comemorar os dois anos de funcionamento do bar Melograno, em São Paulo, a cervejaria Bamberg produziu uma dubbel com adição de romã, fruta-símbolo da casa. O resultado é uma cerveja de boa complexidade e intensidade, em que a romã aparece de forma discreta, empregada na receita “à maneira belga”, ou seja, de forma que não se perceba claramente o sabor em meio aos outros atributos da cerveja. Se a informação não constasse do rótulo, eu jamais adivinharia. Vertida na taça, apresentou coloração castanha alaranjada, turva, com boa espuma. O aroma parece, inicialmente, o de uma Weizenbock, até mais complexo, mostrando boa paleta de ésteres (bananas passas, ameixas secas e frutas vermelhas) e um sólido caramelado de malte (na boca, o malte mostra notas mais achocolatadas para acompanhar). Sensações secundárias de cravo, floral e de fermento de pão complementam seu perfil. O sabor da romã aparece mais ao final, e lembra aquela sensação meio “carnuda” que fica na boca quando se come a fruta. Apesar deste ótimo conjunto, com o tempo, o aroma começa a mostrar um toque meio químico, que inicialmente me remeteu agradavelmente a spray de cabelo mas foi ficando mais intenso e incômodo, lembrando esmalte ou solvente. O corpo é médio para denso, e cremoso, e ela tem uma sensação frisante acentuada devido à carbonatação. Eu diria se tratar de uma dubbel de boa complexidade aromática, lembrando uma Weizenbock e até de forma mais interessante, mas infelizmente prejudicada por toques meio químicos que lhe foram tirando o brilho com o tempo. Ainda assim, um belo rótulo, que há de ter agradado aos que tiveram a oportunidade de prová-la, e uma iniciativa que merece elogios neste país ainda com pouca tradição de cervejas únicas de celebração. Fica a expectativa agora para saber o que a Bamberg vai aprontar para o terceiro aniversário do Melograno.

Detalhes

Degustada em
23/Junho/2011
Envasamento
Garrafa
Volume em ml
355 ml
Onde comprou
Cervejoteca
Brasil
 
2011-07-05 04:00:20 Alexandre Marcussi
Avaliação Geral 
 
3.7
Aroma 
 
7/10
Aparência 
 
4/5
Sabor 
 
16/20
Sensação 
 
2/5
Conjunto 
 
8/10
Alexandre Marcussi Analisado por Alexandre Marcussi    05 de Julho de 2011
Analista Top 50  -  

A denominação “imperial stout” no rótulo cria uma expectativa equivocada para esta cerveja da Bierland, pois lhe faltam a intensidade alcoólica, o corpo e a complexidade que se esperam dos melhores exemplares do estilo. Contudo, se ela for encarada sob o ângulo de uma stout mais robusta e intensa (como uma foreign extra stout, por exemplo), mostra-se uma receita interessante, em que o marcante perfil de torrefação é bem complementado por toques frutados e florais. No copo, ela mostra um marrom bem escuro e brilhante, com reflexos avermelhados, e uma boa espuma marrom. O perfil torrado dos maltes predomina (principalmente na boca), com notas de café, amendoim doce queimado (como num pé-de-moleque) e até um toque de cinzas. Ésteres frutados aparecem em segundo plano com bananas passas, e o lúpulo dá as caras no aroma com notas florais clássicas. Se eu tivesse que chutar, diria que se trata de alguma varietal alemã, e acho até que um lúpulo inglês cairia melhor nesta receita. Bem no fundo do aroma, um toque esmaltado sugere um problema leve na maturação, mas nada que a comprometa ou que seja notado pela maioria dos consumidores. O paladar puxa mais para o amargor, com uma doçura intermediária ao engolir entre a entrada amarga e torrada e o residual amargo na boca. O corpo talvez seja seu calcanhar-de-Aquiles, apenas mediano, não correspondendo à intensidade da torrefação. No conjunto, é mais produtivo encará-la como uma stout mais intensa e robusta, e então ela se torna interessante; mas não chega à potência que esperamos de uma imperial stout clássica (cujo teor alcoólico, ademais, deve ultrapassar os 8%, o que não é o caso aqui).

Detalhes

Degustada em
02/Julho/2011
Envasamento
Garrafa
Volume em ml
600 ml
Onde comprou
Empório Alto dos Pinheiros
Preço
R$ 14
Brasil
 
2011-06-30 05:27:42 Alexandre Marcussi
Avaliação Geral 
 
4.1
Aroma 
 
7/10
Aparência 
 
4/5
Sabor 
 
17/20
Sensação 
 
4/5
Conjunto 
 
9/10
Alexandre Marcussi Analisado por Alexandre Marcussi    30 de Junho de 2011
Atualizado pela última vez: 30 de Junho de 2011
Analista Top 50  -  

Cerveja que chega a São Paulo já armada até os dentes de credenciais: a primeira strong Scotch ale registrada no Brasil (e produzida a partir de um blend com partes jovens e envelhecidas em carvalho) e medalhista internacional. E não decepciona, mostrando a característica do estilo - o peso e a doçura do malte - bem equilibrados pelo amargor, pelos toques frutados e por um inesperado frescor de lúpulo que lhe dá muita personalidade. A coloração é marrom avermelhada com reflexos rubis, com opacidade considerável, e creme de bom desempenho. As sensações maltadas predominam na receita, com doses cavalares de caramelo escoltadas por algo achocolatado e uma sensação de licor ou xarope típica de cervejas bem maltadas e de alto teor alcoólico. Sensações frutadas de boa complexidade (ameixas passas, frutas vermelhas e bananas carameladas) lhe dão boa complexidade, junto com leve láctico do fermento e toques amadeirados presumivelmente obtidos durante a maturação em carvalho. Todo esse peso é contrabalanceado pelo frescor do lúpulo, que imagino ser norte-americano devido ao perfil fortemente cítrico (grapefruit) com toques terrosos e algo floral. Uma certa untuosidade sulfurosa perpassa todas essas sensações e as une. Apesar da descrição do rótulo, não julguei que os toques de defumação/turfa tenham sido muito perceptíveis para mim. O final poderia ser mais vívido, pois mostrou-se um pouco chapado de tanta intensidade que ela tem na boca. O paladar é solidamente doce, como pede o estilo, mas não de forma enjoativa devido ao correto amargor final. O corpo é bem denso e pesado, licoroso, e o álcool se sente de forma acolhedora a sugerir conforto. No conjunto, mostrou-se interessante, complexa e equilibrada num estilo facilmente dado a excessos. O inteligente blend da austeridade dos barris com o brilho de uma parte mais jovem (de onde presumo que advenha o frescor do lúpulo) lhe deu encanto. Uma cerveja produzida com esmero e engenho, que merece os louros conquistados. A se ter na geladeira e na adega - fico imaginando como ele não estará daqui a dois ou três anos de garrafa.

Detalhes

Degustada em
15/Junho/2011
Envasamento
Garrafa
Volume em ml
500 ml
Onde comprou
Empório Alto dos Pinheiros
Preço
R$ 17
Brasil
 
2011-06-30 05:05:26 Alexandre Marcussi
Avaliação Geral 
 
3.2
Aroma 
 
4/10
Aparência 
 
5/5
Sabor 
 
14/20
Sensação 
 
3/5
Conjunto 
 
6/10
Alexandre Marcussi Analisado por Alexandre Marcussi    30 de Junho de 2011
Analista Top 50  -  

Lei de pureza é a primeira impressão que te soca na cara quando se degusta esta helles no estilo bávaro: o sabor do malte, signo distintivo do estilo, é forte e marcante, mas ao mesmo tempo delicado. Nisso, ela se insere com perfeição no estilo. No copo, ela mostrou aparência impecável, com coloração dourada intensa e transparente e creme excelente. No aroma, não chegou a encantar: o lúpulo se faz presente com características levemente cítricas (limão) e florais típicas das variedades “nobres”, mas é algo ofuscado por um aroma incômodo lembrando ralo, remetendo a problemas na maturação. Será assim na fonte ou a culpa é do transporte até São Paulo? Difícil saber, mas pressuponho alguma responsabilidade do transporte. O sabor dissipa o incômodo, mostrando a sólida e rica base de maltes que caracteriza o estilo, com notas bem macias e limpas de pão branco fresco e algum fermento de pão. A esterificação é baixa, como convém ao estilo, mas alguma maçã vermelha se faz presente ao fundo e confere interesse. O amargor predomina, mas uma leve e macia doçura ao engolir arredonda o gole e garante drinkability. O corpo leve para médio dá boa sensação de limpeza na boca. No conjunto, o forte perfil maltado do estilo é equilibrado por um aroma de lúpulo mais tímido, mas presente. Seria muito correta e agradável se não tivesse sido prejudicada pelos problemas ligados à maturação que prejudicam o que parece ser sua maior virtude: a delicadeza. A provar de novo.

Detalhes

Degustada em
11/Junho/2011
Envasamento
Garrafa
Volume em ml
500 ml
Onde comprou
Cervejoteca
Preço
R$ 14,50
Brasil
 
2011-06-30 04:49:40 Alexandre Marcussi
Avaliação Geral 
 
3.9
Aroma 
 
9/10
Aparência 
 
4/5
Sabor 
 
14/20
Sensação 
 
4/5
Conjunto 
 
8/10
Alexandre Marcussi Analisado por Alexandre Marcussi    30 de Junho de 2011
Analista Top 50  -  

Puxa à tradição inglesa pelo perfil de maltes e à escola americana pela variedade de lúpulo empregada, numa combinação que une o frescor perfumado das IPAs americanas ao equilíbrio e boa drinkability das IPAs inglesas - proposta que parece estar fazendo escola no Brasil. No copo, mostrou uma coloração âmbar profunda, meio avermelhada e de leve opacidade, com creme de bom desempenho. Lúpulos e maltes se equilibram no aroma e no sabor: o primeiro brilha mais no nariz, com notas florais em destaque acompanhadas de cítrico e toques mais rústicos de grama seca e terroso. O malte, proeminente na boca, traz sólido caramelado e algum acastanhado. Em segundo plano se sente uma remissão a abacaxis em calda, difícil de definir se oriunda da fermentação ou do lúpulo americano empregado. O paladar é mais equilibrado do que pede o estilo e irá decepcionar quem procura uma IPA marcante no amargor, com uma entrada doce conduzindo a um final mais seco. O corpo é medio a encorpado, cremoso, e o álcool traz leve aquecimento que se busca no estilo. A combinação do paladar acessível e democrático com o aroma perfumado e fresco garante o interesse desta receita, ainda que talvez um paladar mais asservido lhe desse mais ousadia. Meus parabéns à Dama pelo bom nível desta receita, que, combinada com o preço competitivo e seu perfil democrático, a torna uma cerveja adequada e acessível para uma botecagem.

Detalhes

Degustada em
12/Junho/2011
Envasamento
Garrafa
Volume em ml
600 ml
Onde comprou
Empório Alto dos Pinheiros
Preço
R$ 11
Alemanha
 
2011-06-17 18:52:29 Alexandre Marcussi
Avaliação Geral 
 
2.9
Aroma 
 
5/10
Aparência 
 
3/5
Sabor 
 
12/20
Sensação 
 
4/5
Conjunto 
 
5/10
Alexandre Marcussi Analisado por Alexandre Marcussi    17 de Junho de 2011
Analista Top 50  -  

Cerveja no estilo Dortmunder Export, versão um pouco mais intensa de uma lager clara, que honra o estilo mostrando malte e lúpulo em bom equilíbrio e intensidade, tornando-a uma cerveja agradável embora pouco marcante. No copo, mostrou-se dourada profunda e exibiu alguma turbidez a frio, que se dissipou com o aumento da temperatura. O creme branco teve volume mediano e boa persistência. No aroma, é o perfil de malte pilsen que predomina, com notas intensas de DMS remetendo a grãos, milho verde e flocos de milho - não chega a ser desagradável, mas talvez já seja mais intensa do que o estilo pede. Ao fundo, algo de pão, um toque lupulado de grama (talvez menos destacado do que eu esperaria) e uma sutil esterificação remetendo a maçãs vermelhas. No sabor, predominam levemente as notas do malte, com pão, mel e e flocos de milho acompanhados de um sabor de fermento de pão e equilibrados por notas herbais suaves de lúpulo. Sabor limpo, no geral, com bom perfil de lager. O paladar mostra-se também bastante equilibrado entre a doçura e o amargor, predominando talvez sutilmente a primeira. Algum salgado e uma acidez suave complementam o gosto. O corpo é mediano e tem boa textura cremosa, com álcool pouco perceptível apesar do teor um pouco mais elevado do que a lager clara de sempre. No geral, trata-se de uma cerveja pouco marcante, sem muitas surpresas, mas que se mostra agradável sobretudo devido à boa intensidade do paladar (sem abdicar da suavidade) e ao equilíbrio entre o malte e o lúpulo tanto no sabor quanto no paladar, como é característico do estilo. A presença do DMS é talvez sua característica mais destacada, mas tem aquele perfil de cereais e grãos que não chega a desagradar. Seria uma boa opção para uma cerveja descomplicada para o dia-a-dia se o preço fosse o de uma premium nacional e não o de uma importada. De qualquer forma, trata-se de um estilo pouco conhecido e bem representado por este rótulo.

Detalhes

Degustada em
26/Fevereiro/2011
Envasamento
Garrafa
Volume em ml
500 ml
Inglaterra
 
2011-06-10 03:28:35 Alexandre Marcussi
Avaliação Geral 
 
4.6
Aroma 
 
10/10
Aparência 
 
5/5
Sabor 
 
18/20
Sensação 
 
4/5
Conjunto 
 
9/10
Alexandre Marcussi Analisado por Alexandre Marcussi    10 de Junho de 2011
Analista Top 50  -  

Quando se lê “old ale” no rótulo, em geral se espera já um caráter mais fechado, austero e até rústico, mas este excelente exemplar alia a enorme complexidade do estilo com uma grande maciez de maltes ingleses e um notável frescor que advém da generosa lupulagem feita com varietais norte-americanas (Cascade é usado em dry-hopping na receita). Europa e América se dão as mãos e, embora nem sempre a história reforce isso, aqui o casamento é pura harmonia. A coloração é castanha clara, com reflexos alaranjados, com boa transparência e um creme denso e persistente que marca as laterais do copo. O aroma começa com um soco de frescor floral e cítrico de lúpulo, com notas marcantes de lavanda e gerânios (lembra até a sensação de entrar em um cômodo recém-limpo com desinfetante perfumado) complementadas por cítricos remetendo a limão e grapefruit e um toque picante e perfumado, lembrando gengibre e trazendo algum mistério. Ésteres trazem sensações sólidas de frutas, com destaque para mamão papaya, banana caramelada e uvas passas. O malte mostra todo o seu caráter e profundidade na boca, com caramelo, mel, avelãs, castanhas e até uma sugestão de doce de leite, tudo bem macio. Ao fundo, talvez um toque abanilhado de diacetil reforça a maciez do conjunto. No geral, o aroma é mais complexo e avassalador do que o paladar, o que eleva sua drinkability sem tirar-lhe o caráter. Doce e amargo se equilibram bem na boca, com um leve destaque para o amargor que persiste na garganta depois que o doce já se dissipou. O corpo fica entre mediano e leve, relativamente bem atenuado, com uma excelente textura de seda. A carbonatação é baixa, o que ressalta ainda mais a maciez do conjunto, e o álcool se faz pouco evidente diante do equilíbrio do paladar e da intensidade de aromas. É verdade que se trata de um estilo que eu aprecio bastante, mas este rótulo realmente me impressionou e revelou-se além das expectativas. Muito complexa e aromática, com grande presença de maltes, lúpulos e levedura numa ótima composição que preza pela maciez. Custo-benefício muito bom, a meu ver. Prova vívida de que é possível atingir efeitos extraordinários dentro de estilos estabelecidos, com variações que parecem pequenas mas alteram toda a impressão geral, como é o caso do uso de lúpulos americanos para dar aroma a esta cerveja inglesa.

Detalhes

Degustada em
01/Maio/2011
Envasamento
Garrafa
Volume em ml
500 ml
Onde comprou
Empório Alto dos Pinheiros
Preço
R$ 24
Brasil
 
2011-04-06 14:44:18 Alexandre Marcussi
Avaliação Geral 
 
3.9
Aroma 
 
8/10
Aparência 
 
5/5
Sabor 
 
14/20
Sensação 
 
4/5
Conjunto 
 
8/10
Alexandre Marcussi Analisado por Alexandre Marcussi    06 de Abril de 2011
Analista Top 50  -  

Belíssimo lançamento da importadora On Trade, em associação com a cervejaria Opa Bier, de Joinville, e com a “grife” do mestre Leonardo Botto, responsável pela receita. Este cerveja apresenta como destaques tanto a lupulagem “a seco”, que resulta em um poderoso aroma floral, quanto a adição de guaraná na receita, que se manifesta de forma discreta, quase imperceptível, e bem integrada àquele floral. De resto, apresenta uma excelente versão de Bohemian pilsner, fiel ao estilo. A aparência é muito boa, com coloração dourada cristalina e creme branco de bom desempenho. No aroma como no sabor, malte e lúpulo aparecem deliciosamente equilibrados: o lúpulo brilha no aroma com notas florais intensas acompanhadas de leve condimentado-apimentado. O malte apresenta-se muito macio, com vívida sensação de pão branco fresco e um certo acastanhado, complementados pelo sabor de fermento de pão da levedura. E o guaraná? Não espere uma presença marcante: ele é discreto, aparecendo um pouco no aroma e lembrando mais refrigerante do que suco de guaraná, e talvez deixe um certo sabor também ao final do gole. Mas, sinceramente, se o rótulo não indicasse a presença da fruta, acho que eu não saberia identificar o que é. Isso não é defeito, pelo contrário, impede que a cerveja se torna “folclórica” demais ou enjoativa, muito embora a gente fique imaginando se um sabor mais marcante da fruta não seria agradável. O paladar é muito bem equilibrado: ela começa com a doçura do malte e depois deixa um amargor sólido e perene, característico do estilo. Ambas as sensações são bem equilibradas, com menor protagonismo do amargor do que em outros exemplares do estilo, o que a torna mais balanceada mas talvez menos refrescante. O corpo é leve, com sensação de limpeza e certa cremosidade.

A Göttlich, Divina! é uma boa surpresa da On Trade e vem a se adicionar ao conjunto de ótimas receitas de pilsner que temos no Brasil e que, na minha opinião, deixam no chinelo a grande maioria dos rótulos importados, que perdem seu frescor com facilidade na viagem transatlântica. Neste caso, temos uma cerveja fresca de receita balanceada, saborosa e aromática, com características florais em destaque e um leve toque do guaraná, dando interesse e complexidade mais do que propriamente se impondo no sabor.

Detalhes

Degustada em
02/Abril/2011
Envasamento
Garrafa
Volume em ml
600 ml
Onde comprou
Empório Alto dos Pinheiros
Preço
R$ 15
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