A estranha obsessão brasileira pelo BJCP

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bjcp

Artigo redigido a cinco mãos por:
Mauricio Beltramelli, Marco Falcone, Fabiana Arreguy,
Paulo Schiaveto e Amanda Reitenbach

A fim de situar o leitor que ainda não participa tão ativamente no meio cervejeiro, é nossa obrigação explicar parte do título deste artigo: BJCP é a sigla para Beer Judje Certification Program, entidade fundada em 1985 nos Estados Unidos na intenção de “certificar” juízes para concursos cervejeiros. 

Nos últimos tempos, no Brasil, vem tomando força a idéia de que é necessário formarmos juízes certificados no BJCP. Aliás, um teste já foi aplicado há alguns dias em Porto Alegre (RS) àqueles que se inscreveram. Estamos, inclusive,test1 “importando” juízes estrangeiros que começam a anunciar em solo patropi ” cursinhos preparatórios” para o tal exame (essa venda de conhecimento expresso, por sinal, promete se transformar num belo mercado…).

Há uma analogia pontual — e comparativamente irresistível — a esse novo movimento, que é o tão temido exame da Ordem dos Advogados do Brasil aos bacharéis recém-egressos das faculdades de direito, sem o qual, caso reprovados, não podem exercer a advocacia. Já há vários anos surgiram no país cursos preparatórios para o Exame de Ordem, como se fossem cursos pré-vestibular. Tais cursinhos são notórios por preparar o aluno-bacharel apenas para a prova. Ali, por horas, dias e meses a fio, repisam-se exames passados da OAB, decoram-se artigos, leis, fórmulas e jurisprudências.

Decoreba sem prática

O resultado almejado dessa decoreba toda é o carimbo de aprovação no exame. Todavia, que é feito da prática e vivência jurídica? Os bacharéis que “passam” no exame reunem realmente todas as experiências necessárias pra começar a advogar? A resposta a essa indagação vem dos números: Na semana passada, divulgou-se que 88% dos bacharéis brasileiros — com ou sem “cursinho preparatório” — foram reprovados na última prova da OAB, a atestar a má qualidade do ensino nas universidades nacionais.

O que a analogia tem a ver com o universo cervejeiro?

Tudo e mais um pouco, já que não existem universidades para ensinar a degustar e avaliar cervejas. A despeito da existência de alguns cursos rápidos, tudo advém da vivência cervejeira, ou da experiência do degustador, aliadas ao test2estudo sobre estilos, métodos de produção, insumos, história cervejeira, visitas a cervejarias e sobretudo muita, mas muita experiência empírica. Traduzindo: muita cerveja degustada com seriedade — o que, cabe o aviso, não significa de maneira nenhuma embriagar-se. Ter provado a maioria de rótulos de cerveja que for possível, de maneira ordenada, metódica e imbuída de espírito científico, é a verdadeira chave para, realmente, conhecer de cerveja.

Não há notícia dando conta que o BJCP admite, para fazer sua prova de certificação, somente os que já possuem essa experiência. Nesse pensar, qualquer pessoa afeita ao estudo e à decoreba pode ser aprovada e certificada pela entidade. Mas, para qual finalidade seria usada essa certificação? Em tese, nos concursos cervejeiros  pelo mundo.

Concursos pelo mundo não pedem certificação

Todavia, uma constatação é intrigante: A esmagadora maioria — senão a totalidade — dos concursos cervejeiros internacionais sérios não requer que seus juízes sejam certificados pelo BJCP. Sequer o guia de estilos da entidade norte-americana é utilizado, uma vez que tais concursos ou usam uma tábua própria de estilos, ou o guia da Brewers Association, entidade que reune as principais cervejarias artesanais dos Estados Unidos. E aqui cabe ser colocado mais um importante detalhe: O guia de estilos do BJCP não é atualizado desde 2008, uma infinidade de tempo quando se constata o galopante progresso mundial na criação ou adequação de estilos de cerveja (o guia da Brewers Association, por exemplo, tem alterações frequentes, a última delas feita em janeiro deste ano).

Dadas as constatações acima, pergunta-se: Qual a razão pela qual muitos cervejeiros brasileiros sentem ainda tanta necessidade de aferroarem-se aos juízes do BJCP? 

Há setores cervejeiros mais progressistas e melhor conectados com a evolução — necessária — de estilos de cerveja,test3 como a ACervA Mineira (associação de cervejeiros caseiros do estado), que até já fizeram um célebre concurso interno que premiou estilos “dissonantes” ao guia norte-americano, como cervejas de doce de leite e carqueja, visando conferir maior liberdade à criatividade dos homebrewers. Outras iniciativas sérias de estudo científico em curso no Brasil, a exemplo do Curso de Sommelier de Cervejas Doemens/SENAC, utilizam em sala de aula apenas o guia de estilos da Brewers Association.

Mas então o Beer Judje Certification Program é inútil? De forma alguma, a pensar-se que qualquer iniciativa de ensino sobre cerveja é mais que bem-vinda. E o guia de estilos do BJCP, embora um tanto anacrônico e avesso a mudanças e progressismos estilísticos, é um senhor guia, pleno de informação consistente e noções históricas de estilos de cerveja. O Ranking do BREJAS, por sinal, é baseado nele.

Percepções humanas acima das “robóticas”

É imprescindível observar, ainda, que, qualquer que seja o guia de estilos que utilizemos, temos de estar atentos à condição humana, que permite variações em nossos modos comportamentais, de humor, de condições químicas e biológicas. Não somos máquinas, como cromatógrafos e outras, destinadas a perceber nitidamente os atributos de uma cerveja. Mas entendemos como o conjunto de tais atributos reage em nossa percepção. A norma funciona como orientadora. Contudo, se nos enquadrarmos totalmente nela, seremos seres cibernéticos, e não humanos que, nessa condição, colocam suas experiências emocionais para relatar percepções sensoriais.

O que se convida a pensar, neste artigo escrito a cinco mãos, é sobre a noção errônea de que o BJCP, tanto como formador de juízes quanto como guia de estilos, é o zênite, a palavra final. Se assim fosse, os grandes nomes da cultura cerveja, aqui e lá fora, teriam que ser obrigatoriamente “credenciados” pela entidade, o que acontece somente em raríssimos casos.

Por enquanto, é a experiência cervejeira — aqui definida como a junção da atividade empírica com o estudo técnico — a única capaz de credenciar juízes de cerveja. Passar na prova é apenas um detalhe.

———————–

Mauricio Beltramelli, editor do BREJAS, é mestre em estilos de cerveja e avaliação pelo Siebel Institute (EUA) e sommelier de cervejas pela Doemens-SENAC

Marco Falcone é cervejeiro da cervejaria mineira Falke Bier e sommelier de cervejas pela Doemens-SENAC

Fabiana Arreguy é jornalista, editora do programa radiofônico Pão e Cerveja e sommelier de cervejas pela Doemens-SENAC

Paulo Schiaveto é mestre cervejeiro e engenheiro de produção formado pela USP e em Louvain-la-Neuve (Bélgica)

Amanda Reitenbach é mestra em engenharia de alimentos e tecnologia cervejeira pela Universidade Federal de Santa Catarina e UFLA, e sommelier de cervejas pela Doemens-SENAC

69 Respostas para “A estranha obsessão brasileira pelo BJCP”


  • 1 Pablo Carvalho

    Pessoal,

    Parabéns pelo excelente artigo. Precisamos nos livrar dessa sindrome de boiada, que nos faz seguir caminhos pré-definidos sem questionar.

    BJCP é apenas um conjunto de critérios, que infelizmente está sendo usado mais como algemas do que como guia de referência.

    Os cervejeiros devem ficar atentos a isso, especialmente os novatos, que mal dominam os processos de fabricação mas se preocupam em excesso se conseguiram fazer uma ESB, uma kolsh, uma alt; ao invés de se preocupar em fazer cerveja.

    Façamos cerveja!
    Abraços

  • Bom, depois desse texto escrito por quem REALMENTE entende, fico feliz, pois eu, como MERO BEBEDOR, sempre defendi isso que aqui esta escrito.
    A cerveja eh magia, a cerveja eh tentativa e erro a cerveja é estilo de vida não eh ciência exata.

    Beer lifestyle (lançando a campanha)

  • Excelente texto e que mostra as distorções da realidade cervejeira no país. Parabéns.
    Na realidade foi criado um mito em cima do BJCP, onde só seria entendedor aquele que conheça de cabo à rabo o guia. Eu já tive um exemplo, onde um blogueiro q se diz conhecedor de cervejas, mandou eu jogar fora meus livros, certificado de sommelier e faculdade no lixo, pois o que falava não estava enquadrado no guia e o estilo em questão não existia. – a discussão era sobre a Baden Red Ale, onde ele dizia não existir o estilo Double Red Ale – baseado no Brewers Association- e dizendo ser uma English Barley Wine.
    Brasileiro tem a necessidade de ostentar algo para se dizer conhecedor. Assim como alguns se acham mais conhecedores e profissionais por terem feito o curso da Dommens e carregar um ping no peito. Como vcs disseram, o que irá tornar alguém conhecedor e/ou juiz é seu conhecimento previo e empírico,e muitos horas de vôo detalhando cada pedaço da cerveja. E não só conhecimento em cerveja, mas tbm biológico, químico e sensorial.
    Por tanto o que move esse fascínio pelo BJCP é a ostentação de um título, onde só. seria conhecedor e renomado quem decorou o guia de cabo a rabo.
    Mais uma vez, parabéns pelo post.

  • Isso rende um ótimo debate! Minha reflexão pessoal é de que o BJCP foi criado para servir os microcervejeiros, ajudar, e não limitar – concordo que os guidelines poderiam ser atualizados com mais frequência. Acho muito bom também o guia da BA, até usado no curso da Doemens-Senac e ABS, e acho que, neste estágio da busca do DNA brasileiro na cerveja, é importante o papel do BJCP para informar o consumidor que está descobrindo novas cervejas, e saber o que esperar delas. E como eles mesmos definem, “We hope you find our guidelines useful, but you are free to use your own research and believe what you want. However, if you enter a beer in a AHA/BJCP-Sanctioned Competition, know that these guidelines will be used as the benchmark against which your beer will be judged”.

  • Concordo plenamente. Passar em uma mera prova não coloca ninguém em uma posição de superioridade. Cerveja requer conhecimento histórico, cultural, paixão e individualidade. Padrões para que e para quem? Ainda mais vindos de fora, de outra realidade.

    Belo texto, belo time!! Parabéns

  • Olá, pessoal!

    Acho que estão demonizando o BJCP por questões que não são problemas dele. A culpa não é do BJCP, mas do uso que fazem dele. Concordo quando se referem a isso, mas não quando atacam o próprio BJCP.

    Comecei escrevendo um comentário mais detalhado sobre o texto de vocês mas acabou ficando tão grande que coloquei no meu blog: http://blog.cervejarte.org/2011/07/13/sobre-o-artigo-do-brejas-contra-uma-suposta-obsessao-brasileira-pelo-bjcp/

    Abraços!

  • Lá vem e eu aqui bater de frente com 5 grandes nomes do meio cervejeiro brasileiro.

    Eu concordo com alguns poucos pontos do artigo, mas discordo em grande maioria dos argumentos, inclusive o de tentar tirar crédito e minimizar o BJCP frente aos novos programas de sommelier de cerveja aqui criados no Brasil.

    Muito das coisas abordadas nesse artigo podem ser explicadas simplesmente com as informações do site. Em relação à prova, a filosofia deste órgão sempre foi o de “fazer uma prova fácil de passar, porém difícil de conseguir aumentar o seu ranking”. Sim, um certo conhecimento é necessário, e esse conhecimento se transmite através de provas escritas e degustativas.

    Agora o ponto mais importante para o argumento pró-BJCP: ele é feito basicamente para cervejeiros caseiros. E por isso parte do conhecimento do jurado (e por consequente conteúdo de prova) deve ser o de processos e técnicas de produção, afim de que possa ser passadas sugestões de melhorias ao cervejeiros baseados na análise sensorial. A prova é feita em apenas 3 horas justamente para se testar a capacidade de passar as informações o mais sucintamente. Como todos sabem, em uma competição um jurado pode ter que julgar dezenas de amostras, e se não o fizer de forma ágil e concisa, a competição sofrerá com atrasos e/ou falha de feedback ao cervejeiro.

    Esse último ponto merece um parágrafo só seu. Essa não-certificação do BA entre outros acontece justamente porque cervejeiros comerciais do mundo todo não precisam receber informações detalhadas de toda a análise sensorial, sugestões de modificação de receita e/ou método e elogios ao que se tem de bom na cerveja. Muitas vezes já sabem disso. Muitas vezes não mudarão a receita. A grande diferença está no preenchimento da ficha de avaliação. E isso eu posso sentir na pele como cervejeiro caseiro. O BJCP prega muito isso: “jurados devem preencher as fichas de avaliação totalmente. As vezes até mais do que as linhas ali na ficha do BJCP permitem. Linhas vazias ou pior, campos vazios, são inadmissíveis”. E é justamente o que está acontecendo aqui no Brasil. “Jurados” acabam dando nota e preenchendo 2 ou 3 palavras por campo como ridículos “bom aroma” ou “ótima presença de lúpulo” e de nada adianta ao cervejeiro caseiro ouvir isso. Além de não explicar o que tem de bom no aroma, esse tal jurado não falou 10% do que se espera dele, não deu uma única sugestão de melhoria para a cerveja em questão. É incrível a quantidade de fichas de avaliação que não tem sequer uma crítica para a cerveja e tem uma nota de 23 de 50! “Porque eu não tirei um 35 ou um 40 então?” é a pergunta que fica!

    O conhecimento da prática é realmente muito importante. E por isso não-jurados certificados do BJCP podem participar de eventos, auxiliando e até julgando algumas amostras, desde que tenham o consentimento do capitão da mesa (head judge). Para se tornar um jurado com ranking maior, pontos de experiência são necessários.

    O fato de não ser atualizado desde 2008 é intencional!! Isso é algo que os anti-BJCP não entendem. Como o BA e outros órgãos recebem competições com cada vez mais cervejarias, novos estilos são inseridos justamente para se “quebrar” categorias com muitas inscrições. Se a categoria “maturada em madeira” tiver 180 inscrições, eles simplesmente quebram em “maturada em carvalho” e “maturada em outras madeiras” para poder ter menos inscritos por categoria. O que não indica que estão mais atualizados nos estilos. O BJCP propõe mudanças a partir de tendências. Se notarem que existe uma tendência de estilo nas competições (ie, muitas pessoas estão competindo com esse “novo estilo”), a diretoria do BJCP se reúne e discute se isso é apenas “fogo de palha” ou se é realmente uma tendência que veio para ficar. E aí sim cria-se um novo estilo. Não se pode achar que só porque a Falke Bier fez uma cerveja de jabuticaba temos um novo estilo..

    O “belo mercado” citado na verdade é o inverso: Cursos preparatórios para o BJCP são opcionais. Quem quiser e tiver dinheiro, faz. Quem não quiser, terá as mesmas informações que qualquer outro participante justamente porque toda informação É GRÁTIS E ESTÁ ONLINE. Basta acessar o site do BJCP e você poderá estudar por conta. A primeira vez que uma pessoa faz uma prova, ela paga uma taxa de inscrição de $50 dólares. Se quiser fazer uma segunda prova, paga apenas $35 dólares. E provas parciais (degustação ou parte escrita) custam apenas $15 após a primeira vez. Em contrapartida, cursos de sommelier no Brasil custam R$2500,00 ou mais, por apenas 1 semana de conteúdo, onde se eu quiser ficar dormindo na sala de aula, serei aprovado e poderei me dirigir ao público como “sommelier formado por XYZ…”, sem prova, sem avaliação..

    Jurados BJCP aqui no Brasil seriam de grande valia sim, pois ao contrário dos sommeliers, que tem suas atividades sociais e de divulgação nos encontros e eventos, os jurados BJCP estariam focados apenas no evento. Para demonstrar isso eu entrei em contato com alguns jurados que julgaram amostras esse ano no concurso das Acervas, que me disseram que gostariam de poder “desfrutar do evento” ou então de que não poderia ser julgada 200 amostras de cervejas em 2 ou 3 dias por um corpo de 20 jurados. Tais jurados estão, a meu ver, estão mais focados no social e no evento do que no julgamento, que na minha opinião não é brincadeira de 2 horas por dia rabiscando algumas folhas e depois se cansando e indo beber cervejas sem defeito.

    Em tempo: O BJCP passa por mudanças e para tornar mais ágil a correção de provas, um novo sistema, com uma prova online e subsequente prova degustativa (caso o participante passe nessa prova online) com 6 amostras de cerveja será aplicada, de modo a não ter limite de pessoas por prova. Essa prova degustativa apenas poderá dar o ranking “certified” para o aplicante. Caso ele queira subir de ranking, precisará aí sim da prova escrita.

    Bom, tem até mais coisas a se falar, mas eu paro por aqui. Sei que as diferenças entre os pensamentos é fonte de diferentes origens cervejísticas entre os 5 autores e eu. Mas o outro lado da história tem que ser passado, muito mais para os leitores, mesmo que em um humilde comentário, pois represento aqui os cervejeiros caseiros.

  • 8 Paulo Schiaveto

    Philip

    Entenda o artigo não como um ataque ao BJCP, e sim aos que eventualmente queiram fazer disso um mercado (acho que já foi deixado bem claro no texto, mas em todo caso é bom lembrar).
    Quanto a participação dos jurados nos concursos, aí eu me senti ofendido.
    Por favor não seja injusto comigo e com os demais (que inclusive pagam do seu próprio bolso para participar). Eu fui um dos jurados que você contatou, e respondi que gostaria de aproveitar melhor o evento. Isto compreende ter tempo para assistir as palestras e para atender àqueles que me procuram (inclusive com dúvidas técnicas, às quais nunca me furtei a responder).

    Neste último evento, passamos um dia e meio degustando amostras com todo o cuidado, e acredite não foi nada fácil, embora prazeiroso, devido ao nível cada vez mais elevado dos homebrewers brasileiros.

    É bem possível que você próprio já tenha aproveitado “socialmente” muito mais desses encontros do que a grande maioria dos jurados.

    Mesmo não tendo nada a ver com o artigo, aproveito para reiterar minha opinião de que esse concurso poderia ter um só estilo, com taxa de inscrição a mais baixa possível, para termos um número cada vez maior de participantes, e não 5 estilos apenas com o intuito de distribuir mais medalhas a uns poucos participantes. Prefiro degustar e avaliar cervejas de 200 cervejeiros do que de apenas 40. Uma ou mais de uma cervejaria artesanal poderia eternizar o desempenho do campeão, produzindo um lote da cerveja comercialmente, como nos concursos da Eisenbahn

  • Ok. Entendido. Eu fiquei um pouco preocupado que o artigo realmente dá uma denegrida na imagem do BJCP e por isso tentei enumerar as diferenças.

    Eu realmente aproveitei o social desses eventos, pois ainda não tive a oportunidade de ser jurado. Gostaria muito de ser jurado no próximo concurso e estou trabalhando pra isso. Tendo em vista esse conflito de evento/julgamento, a gente pode tentar criar uma alternativa do julgamento ser em outra data ou “empurrar” a programação para um pouco mais tarde. Não entenda isso como ataque pessoal, pois não é. A minha crítica vem do fato da razão jurado/inscrição ser alto pelo baixo feedback recebido nas fichas de avaliação.

    Sobre o concurso, é consenso entre as Acervas que queremos expandir o número de estilos. Com aproximadamente 50 participantes por estilo acho razoável abrirmos para 5 estilos. Tentaremos fazer o preço mais baixo possível. Essa idéia de eternizar o campeão é super interessante, e por isso eu também propus de fazermos uma rodada “best of show” com o campeão de cada estilo competindo entre si, para eleger a cerveja melhor da competição e ter esse prêmio de ser comercialmente produzida.

  • Embora fuja do tema central do artigo, sou INTEGRALMENTE a favor da opiniao do Paulo Schiaveto.
    Tambem paguei do meu bolso pra ir julgar no Concurso, e nao queria ser tachado de “aproveitador” pot desejar aproveitar mais as palestras (embora jamais tenha manifestado em publico esse desejo).
    Em relacao ao numero de estilos, nao vejo NENHUM MOTIVO pra serem 5. Isso dara menos visibilidade aos campeoes, e MUITO MAIS TRABALHO aos jurados. Um contra-senso sem tamanho na minha opiniao. E tudo pra julgar cervejas que ninguem mais bebera’, visto que nao serao replicadas, ja que o pensamento dominante das ACervAs e’ o de nao associar-se a microcervejarias que poderiam produzir as brejas vencedoras em escala maior. Mas essa ja e’ outra historia…

  • Pessoal,
    a discussão é boa. Mas como fundador da primeira ACervA e participante da organização dos 3 concursos que tivemos aqui no Rio, preciso lembrar que sempre tivemos o estilo livre por aqui, que era um contraponto ao BJCP e o nosso toque de brasilidade. Concordo com o Ricardo que a questão é como se USA o BJCP. É claro que podemos rever o uso que estamos fazendo dele, mas que ele foi muito importante para constituição dos concursos nacionais, isso foi..
    Particularmente, o BJCP não é minha bíblia, mas já me ajudou bastante!
    E sobre a questão do “mercado”, vejo como um ponto mais complexo. Como o Philip apontou, o BJCP tem seu conteúdo disponibilizado online e de graça. Isso é muito bom! Também tenho muito desejo em fazer o curso do SENAC/Doemens, mas ainda considero R$2100 uma grana alta!
    Contudo, considero importantíssimo que ele esteja acontecendo!
    Enfim, precisamos aproveitar o que de melhor cada um pode nos oferecer para seguirmos em frente na valorização da cultura cervejeira no Brasil.

  • 12 fabiana arreguy

    Tamb[em sinto-me obrigada a responder, Phillip

    assim como o Schiavetto sinto-me ofendida como jurada que fui em SC, levando muito à sério tal missão. Diga-se de passagem nada fácil ou feita sem critério. Ressalto que eu era uma das inscritas na prova do BJCP aplicada em POA e só não a fiz por motivos pessoais que me impediram de comparecer. Nosso artigo não tem a pretensão de demonizar o BJCP, muito menos descredenciar quem tem o certificado. Mas é importante que estejamos atentos sim a distorções em relação à obtenção das certificações. Não estamos comparando preço, nem conteúdo de cursos de sommelier ou qq outro.Acho que toda discussão é válida e pensar sobre as verdades que nos apresentam também é de suma importância. Espero que vc seja jurado como tanto pretende e aí perceba que ninguém aceita participar com tal por vaidade ou pra fazer social. Valeu pelas colocações, adoro gente que se posiciona!!! Pão e Cerveja!

  • EM TEMPO: O artigo nao tem NADA A VER com uma pretensa “disputa” entre BJCP e sommeliers de cerveja!
    Convido quem assim considerar ‘a releitura mais cuidadosa antes de pregar no Twitter e Facebook uma “guerra” que nao existe.

  • Maurício,
    não sou mais da diretoria da ACervA Carioca, mas posso afirmar que em nenhum momento foi debatido entre os associados essa questão sobre a relação dos vencedores dos concursos com as microcervejarias. Se a direção da ACervA Carioca se posicionou contrária a essa parceria (o que não acredito) foi sem consultar seus associados.
    Particularmente, SOU TOTALMENTE A FAVOR das parcerias entre cervejeiros caseiros e micros! E não só com os vencedores dos concursos. Gostaria muito de poder discutir mais esse tema.
    Grande abraço!

  • Mauricio, alguns posts acima voce afirma “julgar cervejas que ninguém mais beberá” ? “Pensamento da Acerva de não se associar a microcervejarias” ?
    A AHA não pensa assim. Eles fazem concursos com todos estilos do BJCP e nem por isso elas são produzidas !
    Ninguém mais beberá porque as Micro-Cervejarias não querem produzir as vencedoras ou qualquer outra ! Porque a Acerva tem culpa nessa historia ?
    As Micro-Cervejarias podem sim produzir as vencedores sem com isso estar ferindo a ideia das Acervas em serem associações sem fins lucrativos. As receitas são de propriedade de cada cervejeiro e o cervejeiro negocia ela do jeito que quiser com a cervejaria que desejar produzi-la ! A Acerva pode fazer o link entre as partes interessadas, desde que as partes estejam interessadas. Poucas cervejarias até agora quiseram fazer isso ! E se a cervejaria quiser produzir todos 3, 5, 10 estilos que concorrerem ? Ué ? Por que não ? A Acerva não tem nada a ver com isso ! As receitas não são das Acervas ! Nâo é a Acerva que tem que ter o interesse de se associar às micro-cervejarias e sim o contrario ! Foi o que aconteceu no concurso estadual quando a Bamberg se juntou a Acerva Paulista para realizar o concurso e produzir a vencedora.

  • Vejo o BJCP como um bom meio para avaliação de cervejas, profissional e bem montado.Quando determinamos um estilo em uma cerveja, para quem conhece, é esperado aromas, sabores e sensações do estilo proposto, não atingindo isto está fora de estilo mesmo sendo uma boa cerveja. Cursos de beer sommeliers estão pipocando a torto e a direito. Inclusive o do Senac do qual 4 dos que assinam o texto fizeram, fiquei sabendo que não tem prova de conclusão de curso basta ir em todas as aulas que ganha o título? Isto procede? Aproveitadores vão ter em todas as áreas cabe a cada um de nós definir os que são e os que não são.

    Prost !!!

  • Vamos lá.
    Vou aqui sim, comparar o artigo com a maquina criada no Brasil de ser formar sommelier. Me desculpem, mas sou academico e ultra pragmatico nesse assunto.

    Estamos em um momento de crescimento, discussões são legais e nos fazem refletir. E aqui vão minhas considerações:

    Mercado para o BJCP? No Brasil? acho que ainda não, ainda. Mercado aqui é o que fizeram com o “””titulo””” biersommelier.

    Atacar o BCJP é o mesmo que atacar o estilo Pilsen. Vejam, nao estou falando do artigo, mas vc´s sabem que a maioria que ler ele entederá assim. Como disse o Ricardo.

    O Brasil engatinha ainda, e ter uma referencia é saudavel. Se aqui fosse o BA, seria a mesma coisa.

    Acho válido seguir escolas. Acho válido inventar também.

    Agora concordo integralmente que reserva de mercado é idiota e banal (como CREA, OAB,juizes BJCP e agora sommeliers). Vejam
    nao estou atacando a profissão e sim uma reserva de mercado, que nunca agrega nada. Um mesmo artigo, tirando a palavra BCJP e colocando BiERSOMMELIER passa a mesma mensagem. E é essa minha preocupação atual
    e nao BCJP. Qualquer um indo atras de um titulo. Vc´s sabem, vc´s estavam em SC e viram que certos avaliadores passavam longe do conhecimento de voces 5, mas estampava com orgulho este , para mim agora maldito titulo.
    Sou acadêmico como todos sabem, e formação demora tempo, estudo e pratica. Seja ela qual for.

    Acredito que estudar o BJCP aumenta os conhecimentos e é natural os cervejeiro quererem se apoiar em algum padrão. O mundo é feito de padroes, infelizmente.

    Participo ativamente do movimento Acerva e nao acredito que o BJCP aqui esteja tão crítico quanto se pregou, essa é a minha impressão.

  • Uma coisa a mais: O BJCP não é apenas uma prova. Ele é muito mais do que isso: tem muita gente certificada no mundo inteiro, tem uma diretoria atuante, nos dá apoio e estrutura em como se deve proceder uma competição, tem fóruns de discussão e representantes por região.

    Os resultados de uma competição/prova são enviados por correio para a instituição para processamento e arquivamento. E nos dá a possibilidade/estrutura para crescer como jurados e organizadores de concursos.

  • 1. O artigo não ataca o BJCP, mas coloca em questão a OBSESSÃO no Brasil por ele;
    2. O curso de Bier Sommelier não é treinamento de julgamento de cervejas, mas uma geral sobre a história, formas de disseminação da cultura, técnicas de análise sensorial, formas de tratar e servir a cerveja entre outras funções, entre elas, ética no mercado cervejeiro, não rivalizando jamais com o BJCP ou qualquer outro regulamento. Questionar seu valor é desconhecer o volume de informações, o esforço de quem promove e custos de sua realização;
    3. Sacanagem com os jurados, que são abnegados bancando as despesas para apoiarem o crescimento do movimento cervejeiro;
    4. A polêmica é importante, o caos traz evolução. Aproveitemos o tema e o momento.

  • As parcerias que aconteceram com o Mauro (Dado Bier) e com o Ricardo (Dado Bier e Colorado) também foram inicativas das micros, independente de concursos..
    Abs

  • Como disseram anteriormente, o problema não são as instituições, mas sim o que as pessoas fazem delas. O que enche o saco é ver um “espírito de porco”, como eu tive o desprazer de ver na Brasil Brau, dizendo que a Falke Diamantina estava um horror porque não tinha nada a ver com o BJCP. E isso que o trouxa só tinha feito a prova, nem passou ainda!
    Por outro lado, ouvi o testemunho de gente que fez o curso de beer sommelier e me disse que teve colegas que pegaram o diploma e não sabem a diferença entre ale e lager.
    Em outras palavras, seja jurado BJCP, seja beer sommelier, o que importa é a experiência cervejeira, o bom senso e a ética. Como em todos os braços desse cenário cervejeiro em construção no Brasil, o tempo vai separar o joio do trigo. Acho que é disso que trata esse texto, não?
    Ah, e a citação do Falcone vai virar tatuagem no meu braço: “A polêmica é importante, o caos traz evolução”. 😀
    Abraço e parabéns pelo texto!

  • Polemicas a parte, acho que a coisa mais importante que se pode tirar de toda essa discussao e’ o seguinte:

    Jurados certificados pelo BJCP tem por formacao a obrigacao de dar o feedback detalhado para os cervejeiros caseiros, com os principais defeitos, qualidades e, o mais importante, O QUE FAZER NO PROCESSO CERVEJEIRO PARA MELHORAR A CERVEJA.

    Como o Philip disse, esse e’ o ponto principal em uma competicao de cervejas feitas em casa em que os cervejeiros muitas vezes sao iniciantes e PRECISAM deste feedback para melhorarem.

    Em uma competicao de cervejas “profissionais” a historia pode ser diferente.

    Por isso, enquanto os jurados (por mais capacitados que sejam – e eu nao duvido disso pois conheco o calibre de muitos de voces) nao derem este feedback adequado para os participantes de competicoes caseiras (como o concurso das Acervas, o da Eisenbahn e o da Bamberg) eu continuo defendendo ferrenhamente o BJCP.

  • Eu farei o curso Doemens a quem Doemens!
    Sem brincadeira, essa discussão é muito saudável.
    Não vamos levar para questões pessoais e nem disputas de beleza. Opinião, apenas. Sem desconsiderar o esforço e trabalho de outros.
    Facções de cervejeiros é o que não precisamos.
    Paz irmãos!
    Cerveja não é carrancuda!
    Abraços!

  • 24 Alexandre A. Marcussi

    Tenho notado uma tendência a polarizar certas instituições ou saberes que deveriam muito mais ser encarados como complementares. Por exemplo, há uma tendência a antagonizar equivocadamente “tecnicismo” e “subjetivismo”, como se um conhecimento técnico sólido não fosse a base para uma boa avaliação mais “subjetiva”. Técnica é apenas uma ferramenta que vc vai usar como quiser. Posso ter apreciado o resultado de uma receita inovadora, achar que a cerveja evoca isso e aquilo, mas preciso saber exatamente o que, objetivamente, ela faz para obter esse efeito. Critérios técnicos como corpo, doçura residual, cor, graus de torrefação, varietais de lúpulo etc. etc. são critérios técnicos, mas é a junção de todos eles que vai criar esse efeito “mágico” que a gente pode estar buscando. Ficar falando na linguagem técnica não é encantador, mas é preciso conhecer os critérios para entender a “magia” de uma cerveja.

    Ou seja: guias técnicos são uma necessidade inelutável. E cada guia técnico vai privilegiar certos critérios em detrimento de outros. O que é preciso saber é para que serve cada um deles, quais as prioridades de cada. Acho que essa discussão fica completamente vazia sem uma análise mais cuidadosa das diferenças entre os guias existentes (como o do BJCP e do BA). Você não bate um prego com uma colher e nem toma sopa com o martelo, mas nem por isso uma dessas duas ferramentas é “melhor” do que a outra. Vc só precisa saber qual a finalidade que cada uma delas atende e selecioná-las de acordo com sua necessidade. Na minha visão pessoal, os guias do BJCP e do BA são complementares. Eu *sempre* avalio tomando ambos como base, e não apenas um deles. O BJCP tem um necessário conservadorismo, enquanto o do BA é mais aberto à diversidade mas, por outro lado, se torna mais pluralizado e redundante (há diversas cervejas que podem tranquilamente se enquadrar em 2 ou 3 categorias diferentes do guia do BA). Eu sinto falta de um guia que proponha critérios técnicos sem definir estilos (apenas critérios e categorias que se cruzam em diferentes níveis, à moda de uma classificação filogenética e não taxonômica), mas acho que essa é uma tarefa que ainda precisa ser realizada, e que demanda muito conhecimento.

  • Sou fã e uso contantemente o BJCP pra mim.
    Sinto que há quem entenda o BJCP como amarra. Não é. Tampouco limita ele a diversidade ou determina a qualidade de uma cerveja. É um instrumento importantíssimo pra análise de cervejas, tratando de características de estilo. Na medida que enumera características típicas de um determinado estilo, desde a sua história, ingredientes, cor, aromas e sabores esperados, fornece elementos mais objetivos pra um julgamento de cervejas, pra seu enquadramento dentro de um estilo específico, o qual em concursos é avaliado. Quanto mais elementos damos, mais fácil e menos subjetivo fica a diferenciação. Subjetividade de jurados sempre teremos, mas num concurso devemos diminuir o quanto mais a impôrtancia do gosto pessoal. As cervejas são avaliadas em conformidade com características e ponto. Primeiro tem que preencher requisitos, estar conforme, depois dentre estas se acha a melhor. Uma cerveja que não esteja de acordo com os pré requisitos pode ser eliminada, o que não quer dizer que seja ruim. Pode ser a melhor de todas. Não diz de qualidade. Uma cerveja pra ser boa, ou a melhor, não precisa estar dentro de um estilo do BJCP. As cervejarias e cervejeiros não são engessados, podem fazer o que quiser, assim como gosto é pessoal e tendências podem ser regionais. O BJCP ou qualquer outro guia é uma referência importate pra confronto, pra análise de conformidade, não de qualidade.
    Abraços,
    Botto

  • 26 Paulo Schiaveto

    TODOS os Jurados, certificados pelo BJCP OU NÃO, deveriam dar feedback detalhado para os cervejeiros caseiros, no que diz respeito aos aromas e sabores encontrados na cerveja.

    Dizer o que mudar no seu processo cervejeiro não é tão simples assim, demanda um pouco mais de experiência com o processo, e permita-me discordar, essa capacidade não se aprende só com um curso BJCP ou Beer Sommelier.

    O que não impede que ainda assim sejam excelentes jurados, retornando informações valiosas para os homebrewers.

  • Concordo que todos os jurados deveriam dar o feedback necessario. Mas sera que isso acontece aconteceu? Coloco aqui entao a sugestao de que alguns participantes do ultimo concurso das Acervas em Floripa transcrevam pra gente o que veio na ficha (nao sei se ela ja chegou ou se vai chegar) de avaliacao de suas cervejas que competiram. Quao detalhada foi a avaliacao? Foram feitas algumas sugestoes para melhoria das cervejas? Se sim, escrevam aqui que eu quero ver.

  • Vou dar minha humilde opinião como um homebrewer que tem por interesse somente melhorar a qualidade das cervejas feitas por mim. Não quero vender minha cerveja, não tenho problemas de ego, não quero aparecer em matérias em revistas, nem ser convidado pra algum evento regado a jabá. Não ganho meu dinheiro com cerveja, na verdade gasto muito dele com cerveja, seja comprando insumos, equipamentos, livros e me locomovendo sempre que possível nos encontros da Acerva paulista.
    Para mim o BJCP tem sido extremamente útil como um guia na produção de cervejas e na minha educação no que tenho que encontrar em uma cerveja de determinado estilo, tanto na produção ou degustação.
    Quanto a pagar do bolso para ir a algum concurso, todos nós pagamos não é mesmo, a razão do movimento cervejeiro artesanal e caseiro é a divulgação da causa para os leigos, acredito que se a Acerva Catarinense tivesse condições pagaria com imenso prazer todos os custos, na verdade eu realmente achava que os jurados tinham sua estadia e custos com transportes pagos pela Acerva.
    Quanto a importar juízes e cursos prparatórios do BJCP para o Brasil, qual o problema, o de bier sommelier vem de que país? do Brasil que não. Ora, o país está apenas engatinhando no que se refere a cerveja, há dez anos atrás não tinha uma garrafa sequer de alguma micro em alguma prateleira de mercado e ninguém imaginaria que chegaríamos a esse ponto nos dias de hoje.
    Acredito que para quem quer ser um bom jurado tem que ter o conhecimento do BJCP ou fazer o curso de bier sommelier do Senac, só acho que como homebrewer nós não temos bons jurados, como já participei de alguns concursos e sempre que recebo minha ficha de avaliação vem sem qualquer comentário sobre defeito ou elogio, somente a nota, mostrando que ou eu tenho muito azar e sempre pego uma mesa de jurados que não tem a menor idéia do que escrever ou estão com preguiça. Acho que ainda não temos jurados competentes para a cerveja, salvo exceções como os 5 que escreveram este artigo.
    Por favor não se ofendam com algum comentário, principalmente pelas palavras iniciais, elas não foram dirigidas a voces, e sim a muitos “experts” e “bier çomeliers” (com ç mesmo), que nada sabem e muito gostam de polemizar o meio cervejeiro somente como meio de se auto promoverem. Tenho receio que muitos que fazem um curso de curta duração, que para mim mais parece um supletivo cervejeiro saiam por aí mostrando seus “pins” e títulos falando bobagem, como é o que já tem ocorrido, sem ter degustados a metade dos estilos existentes e com certeza de sabem tudo, seja por má fé ou ignorância mesmo.
    Mas acredito que toda a polêmica gerada com todos estes comentários virá para melhorar e crescer a cultura cervejeria, porque contra nós já basta a AMBEV e os impostos, não é mesmo!
    Abraço e pão e cerveja a todos,
    Gilberto

  • Paulo Zanello,

    Essa espécie de “caça às bruxas” não é nada produtiva. Não cresceremos com esse tipo de conflito. Vamos manter o clima de cortesia, sem deixar de discutir para aprender e melhorar.

    Marco Falcone,

    A questão da “obsessão” só aparece no título. Essa pode ter sido a intenção, mas o texto em si vai por outros caminhos. Em relação à obsessão, eu, em particular, não a vejo na comunidade (talvez em alguns indivíduos, ou em alguma manifestação em lista fechada que eu desconheça, mas a nossa – curta – história não corrobora isso).

    De resto, pelo menos isso está movimentado!!!

    Grande abraço,
    Rcardo

  • Olá todos!

    Já que escrevemos aqui sobre um tema do mercado cervejeiro, podemos interpretar também essa qualificação através do BJCP de uma outra maneira. Não é novidade pra ninguém, quaisquer mercados no mundo capitalista i.e. Telefonia, Bancos, Mineração, Energia, et cetera, funcionam através de demanda, oferta e competição. Essas três variáveis moldam o equilíbrio mercadológico e orientam cada empresa atuante a definir suas estratégias no ambiente competitivo.

    O produto a ser adquirido em questão aqui no artigo é a “Qualificação Cervejeira”. Se existe de fato no Brasil poucas entidades capazes de formar, capacitar e integrar profissionais ao mercado cervejeiro é normal que novas alternativas apareçam. Até aí, não vejo nada de errado nisso. Não entro no mérito de qual qualificação de Jurados ou Sommeliers é melhor que outra e.g. BJCP, BA, Doemmens/SENAC, et cetera ou outras que virão por aí. A certificação que é melhor que outra, o próprio mercado se encarregará de selecionar ao longo do tempo e sua curva de experiência será criada, assim como sempre foi com Universidades e outras Instituições no mundo todo.

    Penso que jurados formados por cursinhos de decoreba do tipo do BJCP ou do BA unicamente podem tender a ser bem mais técnicos e menos empíricos que Sommeliers ou Mestres Cervejeiros, por consequência isso pode de fato definir o resultado de uma análise ou de um concurso. Por este motivo, acho interessante que um corpo de jurados de qualquer concurso seja estratificado, tendo pessoas das mais diversas qualificações e experiências, a fim de que também o resultado final esteja equilibrado e evitando uma margem de erro maior. Se um concurso é feito só para análise técnica puramente, é melhor mesmo que utilizemos um robô ou um cromatógrafo para que faça as análises, pois assim o resultado será mais justo, afinal este é um dos motivos que cada vez mais o trabalho operacional é substituído por máquinas e sistemas automatizados em diversos setores da indústria (até mesmo o macro-, micro- e nano-cervejeiro).

    O melhor ponto que vejo sobre este momentum é que são esses posicionamentos que vão definir a evolução do nosso mercado cervejeiro, tanto profissional quanto amador. Isso é saudável pessoal e vai possibilitar que todos os participantes deste mercado também busquem aprimorar-se, em todos os sentidos. A competição natural promoverá isso e difundirá o conhecimento.

    Eu não interpretei o artigo como demonização do BJCP. Ambos BJCP e BA para mim sempre foram somente referências e parâmetros para se alcançar um estilo, na maioria das vezes para concursos. Entretanto, minha vida de cervejeiro de concurso se resume no máximo a 3 ou 4 dias por ano. Se alguém quer fazer um curso para ser especialista em BJCP ele será, e ponto. Mas eu acho que isso não é indicador de competência nem de conhecimento cervejeiro. Ainda acredito que a experiência em todos seus aspectos unidos (prática, operacional, comercial, acadêmica) é o definidor mais importante. Meus amigos cervejeiros que me conhecem sabem que nunca tive o BJCP ou o BA como guia para parametrizar minhas criações de fermentados, embora acho interessante a maneira como foram formulados e como organizaram os principais estilos, compondo um banco de dados aberto e gratuito que pode ser utilizado para instruir os homebrewers, principalmente em seus primeiros anos de prática. Nunca gostei de copiar um estilo, mas sim de desbravar a criatividade e as fusões de estilos. Já fiz mais de 20 tipos de cerveja, 7 de hidromel, 5 de vinho, 3 de bragote, 1 de fermentação espontânea e tenho bebidas maturando há 2 anos e 6 meses quase e, de todas essas, somente 3 seguindo o BJCP e justamente para participar de Concursos das AcervAs. Para todos os outros fermentados eu criei os meus parâmetros, minha classificação e meu estilo, compondo uma variedade de fermentados no meu portfolio e diferenciada ao meu gosto e ao posicioamento da minha cerveja artesanal e.g. Stone Braggot, Smoked Norse Quadriporter, Cerveja Mineira, Nordic Cyser, Baltic Double Stout, Viking Raid Ale, Slavik Red, Smoked Dark Ale, Old Heathen Ale, et cetera. Por mais que a maioria destes fermentados possam se enquandrar genericamente como estilos dos ítens 23 ao 28 do BJCP, jamais poderiam competir entre si justamente por serem bebidas completamenta diferentes em todos os sentidos e parâmetros, exceto claro por serem todos fermentados pagãos, surpreendendo até mesmo os mais exímios mestres do setor!

    O padrão que é seguido à risca destrói a arte! Que venha o renascimento das cervejas pagãs e com ele a difusão da cultura cervejeira dos nossos antepassados!!

    Cerveja e Porco,
    Daniel Draghenvaard / Smedgard

  • Mauricio,

    Não vi em nenhum lugar ninguém pregando guerra entre BJCP ou Sommeliers. Quando eu digo “Nem BJCP, nem Sommeliers” é exatamente que nenhum dos dois títulos darão a experiência necessária para julgar uma cerveja, mas apenas o notório saber técnico de vocês que possibilitará isso.

    Agora, a sensação que eu tenho, e que acho muitos aqui tiveram, por isso a “polêmica” gerada, foi um descrédito do BJCP. Palavras como uma simples decoreba, estilos engessados e desatualizados e etc, reitero, gerou esta sensação, que provavelmente não era o objetivo de vocês.

    Mas como ponto positivo, gerou uma discussão sobre o papel dos jurados e dos concurso de cerveja caseira. Como diz o Falcone “A polêmica é importante, o caos traz evolução”. Vi muitos amigos meu, cervejeiros caseiros, com receio de mandar pela cerveja não estar, na visão dele, excelente. Eu acho que o foco principal de participar de um concurso não é escolher a melhor cerveja, mas ajudar, na medida do possível, na avaliação da cerveja para o cervejeiro caseiro.

    Acho que a certeza de um bom feedback por parte dos jurados é garantia de sucesso e crescimento dos próximos concursos. Sendo jurado do BJCP, sommelier ou qualquer outra pessoa com este conhecimento.

    Um texto enaltecendo as qualidades e a importância dos julgadores em concurso de cerveja, na minha opinião, teria gerado menos ruídos e acertado mais o foco da discussão do que entrar em alguns méritos de desqualificação da certificação do BJCP.

    Brew happy, pessoal!

  • Pessoal,

    Aproveitando o Tema, gostaria de comunicar que a BODEBROWN estara oferecendo o CURSO PREPARATORIO BJCP nos dias 22 e 23 de Julho/11.

    Saudacoes,
    Samuel Bodebrown

  • Amigos,
    Muito legal esse debate! É assim que crescemos e amadurecemos!
    Gostaria também eu de colocar alguns pontos, que seguem, por ordem de assunto:

    a) Sou docente da disciplina de sommeliers de cervejas da Doemens/SENAC. Embora não existam testes finais no curso (ao contrário do ministrado pela ABS-SP, que também é um ÓTIMO curso), há, sim, reprovação, não bastando o aluno “ir em todas as aulas que ganha o diploma”, como li aí acima. O sistema Doemens/SENAC é desenvolvido através de construção de competências. Se tais competências não forem construídas, não há diplomação. Não vou assinar diploma de quem eu achar que não está minimamente apto pra exercer o papel que lhe cabe como sommelier de cervejas.

    b) Circulo no meio cervejeiro e sempre senti extrema receptividade por parte dos microcervejeiros em eventualmente replicar comercialmente receitas caseiras campeãs em concursos. De modo inverso, conversando com vários homebrewers sobre o tema, quase sempre ouço respostas evasivas do tipo “esse não é o papel das ACerVas”. Todavia, dadas algumas respostas neste tópico, creio não seja bem assim, certo? Com a palavra, os diretores das ACervAs e os microcervejeiros. Se assim for (e eu estiver errado), ótimo! Vamos trabalhar já pra que esse modelo seja implementado a partir do próximo Concurso em SP???

    c) Esse artigo foi proposto não pra que houvesse divisão de qualquer forma, mas sim reflexões e discussões edificantes a partir do tema. O amigo (e grande companheiro de botecagem!) Ricardo Rosa colocou muitíssimo bem seu ponto de vista. Ambos discordamos e concordamos em vários pontos, tanto em relação a este texto quanto ao dele. É somente assim que evoluímos. Não há “caça às bruxas” nem bate-boca. Entendemos que existam pessoas que preferem a dicotomia à construção racional do pensamento lógico, preferindo achar que há divisões e postando-se “do lado” deste ou daquele (embora estejamos do mesmo lado). É claro que essa postura denota que ainda temos um caminho longo no sentido do amadurecimento…

    d) Pessoalmente, acho que o comentário do também amigo (e pagão) Daniel Draghenvaard, logo aí acima, exprime à perfeição o espírito do artigo. Dá vontade de colocar o comentário todo no corpo do artigo! Convido os amigos à leitura do comentário, sob o qual assino sem pestanejar e sem tirar uma vírgula.

    e) “A polêmica é importante, o caos traz evolução”, como sabiamente nos ensina nosso xamã Marco Falcone (cuja frase será tatuada no braço do Fabian. Vou cobrar essa tatoo! rsss). É exatamente por esse motivo que o artigo foi redigido. Não nos postamos como donos da verdade, e adoramos ser contrapostos com argumentos coerentes e bem urdidos. O mais legal de tudo é quando, após as reflexões dos amigos, construímos um pensamento mais ou menos único, mas APERFEIÇOADO. É por isso que aqui debatemos.

    Um abração e parabéns a todos!

  • Draghenvaard, só tenho uma coisa a dizer sobre seu excelente comentário: OÊÊÊÊÊÊÊhhhhhhhh. Para quem não sabe, o Draghenvaard é quem introduziu o brinde Viking, que alguns atribuem a mim, na turma cervejeira de Minas. No mais, muito boa a discussão.

  • Apenas pincelando sobre as afirmações sobre “o que é ou não é papel das ACervAs”, ou sobre afirmações ditas “provenientes das diretorias das ACervAs”.

    Tivemos uma reunião das diretorias das ACervAs presentes na BrasilBrau, e um dos temas mais discutidos foi justamente a proposta de “reposicionamento” das ACervAs.

    No passado muito se falou em deixar as ACervAs afastadas de micros, regulamentações, política, etc. Porém o que vimos na reunião foi um grande número de pessoas contrários a essa mentalidade.

    Na ocasião ao menos 4 das diretorias presentes se posicionaram claramente, dizendo discordar completamente da idéia antiga de que “ACervA é apenas hobby caseiro não comercial, e não pode se intrometer em nada além disso”. (RS, SC, PR e MG, para os interessados…)

    Portanto, vamos tentar “dar os nomes aos bois” pra deixar a coisa mais clara.

  • André,
    Foi, com certeza, a melhor notícia que ouvi hoje!
    Vamos então trabalhar para que o próximo Concurso em SP seja “apadrinhado” por uma microcervejaria, que produziria em maior escala a receita campeã?
    Nos moldes do Concurso da ACervA Paulista, a receita ficaria de posse do microcervejeiro por um lapso de tempo (no caso, 3 anos), ao final do qual retornaria ao homebrewer. Se o empresário quiser continuar produzindo, terá que negociar diretamente com o dono da receita. Isso eu sei porque eu mesmo, como advogado, redigi o contrato.
    Todos ganham! As ACervAs ganham com a exposição (e com eventual apoio em dinheiro para o evento, que seria revertido em insumos ou equipamentos para homebrewers), o caseiro ganha com a notoriedade (e, a posteriori, com a negociação da receita) e o público… ah, o público… Ganhamos em DEGUSTAR as cervejas maravilhosas que saem dos Concursos. Degustamos todos, não apenas os jurados e os próprios homebrewers!
    É assim que se cresce num modelo capitalista que, gostem ou não, é esse o modelo vigente, não adianta dar murro em ponta de faca. Não cresceremos nada tendo mentalidade “só de hobbista”…
    Vamos trabalhar então nesse objetivo??? 🙂

  • Bah, que loucura virou esse post… com esperanças de que o debate continue saudável, envio aqui a minha opinião sobre o assunto.

    mas antes, alguns fatos interessantes:
    – O BJCP surgiu em 1985, em um projeto com parceria e apoio total da American Homebrewers Association (AHA)
    – A AHA está intrinsicamente ligada à Brewers Association (BA) que, dentre outras coisas, divulga o guia de estilos da BA;

    Ainda assim, tanto o BJCP quanto a BA, mesmo estando de certa forma ligados, convivem em perfeita harmonia.

    Acredito que a leitura que muita gente faz do BJCP é distorcida. Como devem (ou deveriam) saber, as propostas iniciais da entidade são de promover o aculturamento cervejeiro, a apreciação de cerveja de verdade e o reconhecimento das habilidades de avaliação e degustação de cervejas. A entidade foi criada com o apoio da American Homebrewers Association para que os mesmos pudessem melhorar naquilo que já faziam, ou seja, cerveja artesanal. Nada mais louvável do que melhorar a qualidade das cervejas existentes.

    A entidade também respeita a sensibilidade e diferenças entre juízes com mais e menos experiência: através de descrições com âmpla gama de interpretação, tais como aroma of esters low to high”; por exemplo, isso dá espaço para aquele juíz com mais sensibilidade a determinado composto de sabor/aroma poder dizer que percebe muito do mesmo em uma amostra, enquanto aquele juíz com pouca experiência possa dizer “percebo muito pouco; mas mesmo assim qualificar bem a amostra e mante-la com boa avaliação. Ou seja, em termos de critérios de avaliação, não é tão engessada quanto se diz.

    Falando enquanto vendedor, outro benefício do BJCP enquanto entidade é o seguinte: além de auxiliar o cervejeiro, aos poucos também ajuda o próprio consumidor. A divulgação do vasto conteúdo existente ali, tanto em simples texto quanto através das pessoas que conhecem o seu conteúdo faz com que o consumidor crie um vocabulário, uma linguagem comum e um canal de conexão com o universo cervejeiro, para poder ter uma idéia do que ele está prestes a consumir. Como chegar em uma pizzaria e estar munido de conhecimento para saber diferenciar o fácil, como uma calabresa e uma quatro queijos (i.e. uma pilsen e uma stout) e o mais difícil, como uma calabresa ou uma pepperoni (uma stout ou uma porter, que ultimamente andou gerando debate até entre os entendidos do assunto). Parece óbvio, pois a gente sabe fazer isso com pizza, mas com cerveja não, pois como todo mundo sabe, a esmagadora maioria da população só conhece a loira gelada!

    O BJCP é informação, é cultura, é conhecimento. É coisa de beer geek. Quem se diz estudioso de cerveja e que gosta do assunto não tem porque não gostar do BJCP. Estamos em um estágio onde informação é tudo, e manter o público bem informado sobre o que existe é fundamental. O melhor para a nossa revolução cervejeira é ter um consumidor inteligente, antenado. Foi a falta de informação para o cliente que sacudiu a indústria de craft beer americana em 1997.

    Além de fabricante também sou consumidor, e fico triste em ver cervejas disponíveis no mercado que são vendidas como sendo representantes de determinado estilo mas que fogem completamente dele. É ruim pra todos: pra quem conhece, vira uma bagunça; pra quem não conhece, vira uma surpresa, por vezes desagradável. A título de exemplo, provei algumas cervejas curiosas na Brasil Brau. Cervejas anunciadas como “American IPAs”, mas que na verdade eram cervejas doces, ricas em caramelo. Algumas eram boas cervejas, sem dúvida, mas é preciso um esforço para admitir que tal cerveja possa ser chamada de IPA. Isso frustra o consumidor que é o nosso alvo, aquele consumidor que já sabe diferenciar o pepperoni da calabresa, que deseja tomar uma IPA naquele momento porque quer algo amargo, porque se ele quisesse algo doce, compraria, digamos, uma Weissbier. Se é diferente, então é melhor dizer que é diferente (quem sabe a gente não inventa o “Caramel IPA”!), do que tentar se encaixar naquilo que já existe. É essa a motivação do artista, de ser diferente, de fugir do status quo. Mas mesmo um artista precisa fazer o seu tema de casa e conhecer o que já existe para poder saber como ser diferente. Quem já trabalhou com outras formas de arte além de cerveja sabe que até na criação artística existem padrões e “classificações” de senso comum para a criação de um texto ou personagem.

    Mas a mensagem mais importante que eu quero deixar é essa: Não é o BJCP quem define os estilos de cerveja existentes, são os estilos existentes que definem o que é o BJCP. A exemplo disso, os nossos amigos argentinos estão pleiteando a inclusão de um novo estilo criado por eles, a Dorada Pampeana, no BJCP, e deve entrar na próxima atualização das guidelines. Nós podemos fazer o mesmo, pois a entidade foi criada para nos servir, não para nos limitar.

    Como forma de agregar valor ao debate, posto aqui o FAQ do BJCP para que se esclarecam mais aspectos acerca da entidade: http://www.bjcp.org/bjcpfaq.php#genfaq

    abraços,
    Leo Sewald, brewmaster, beer nerd que não é sommelier nem juiz BJCP mas trabalha por um mundo cervejeiro melhor todos os dias e acredita que um diploma ou certificado não é um fim, mas sim um meio que traz consigo muito mais deveres e responsabilidades do que direitos.

    Cervejaria Seasons

  • A referência acima ao posicionamento da Acerva Gaúcha está equivocada.

    Acerva Gaúcha é uma associação de cervejeiros caseiros. Como tal, preocupa-se em fomentar a produção de cerveja como hobby e congregar as pessoas que compartilham desse interesse. Para isso ela foi criada e isso que ela é, independente do que outros acham que ela deva ser.

    A Acerva Gaúcha trabalha em constante cooperação com as cervejarias locais, mas sempre respeitando o papel de cada uma: as cervejarias produzem e vendem cervejas e a Acerva atua em favor da cerveja caseira.

    Paulo Dalla Santa
    Presidente – Acerva Gaúcha

  • Os estatutos das Acervas diz que somos associações de fomento à cultura. E sempre mantivemos contato com Micros, discutimos regulamentações, e falamos com politicos…smpre alinhados com nosso estatuto. Para mim, pelo que participei, sempre foi assim.
    Quanto ao concurso não deve ser “apadrinhado” pela A ou B e sim deve ter patrocinadores, como até hoje tiveram, vários, e varios tipos de patrocinio; e como teremos 3 ou 5 estilos, porque não temos 3 a 5 cervejarias para produzir cada qual 1 campeã de 1 estilo ? E se tiver mais do que 1 cervejaria interessada ? Sorteamos, democraticamente ! Este acordo comercial de produção, posse, etc.. será entre cervejaria e cervejeiro caseiro, e não com a Acerva.
    Atualmente as empresas dão premios aos vencedores e não às Acervas.
    A Acerva abre o espaço promovendo o concurso para que estes acordos, patrocinios, etc…aconteçam; mas isso em nada significa que a Acerva “agora” passou a fazer acordos comerciais, ou acordos com cervejarias.
    Apenas teremos premios, como sempre tivemos, só que o “premio” das cervejarias para os vencedores será a produção e posterior negociação.
    Simples assim. Sem radicalismo. Sem protecionismo.
    E falando em capitalismo, o “valor” dos patrocinios, servem a priori para custear o evento na maxima excelencia para os participantes que for possivel pelo valor arrecadado.

  • Edwar, disse tudo! Vamos EM FRENTE!
    E para o proximo Concurso em SP, que tal as ACerVas negociarem esse patrocinio???

  • 41 Paulo Dalla Santa

    Eu respeito a posição defendida no texto inicial, embora me pareça um absurdo sem tamanho.

    Não podemos reduzir a discussão dos concursos a uma queda de braço entre sommeliers e BJCP. Façamos uma análise mais racional e menos apaixonada.

    Meu comentário acabou ficando longo demais, então optei por publicá-lo em uma página externa com uma formatação mais amigável para leitura: http://hop.me/7drqfe

  • Maurício, isto tb já ocorreu, um dos prêmios do concurso de 2009 foi o vencedor produzir sua leva na Bodebrown, o que deve acontecer em breve. Mas há muitas questões envolvidas nisso, não é simples assim. Desde o primeiro concurso houve aproximação com micros, e sempre procuramos estar juntos, fomentando a cultura cervejeira, e assim continuaremos. Mas as acervas não podem ser usadas pra promoção das cervejarias. é preciso ter cuidado. sempre procuramos tratar a todas de igual maneira, independente de quanto próximas fossem. Recebemos ofertas de várias empresas querendo colocar banners mediante pagamento em nossos sites, por exemplo, e até hoje isto nunca foi querido. Não queremos estar associados, ou ter nome nome assim, com nenhuma marca em especial, mas às cervejas e especialmente aos cervejeiros caseiros e cultura envolvida.
    As posições da ACervA são discutidas entre seus associados e diretorias, não falo aqui por ela, mas particularmente acho mais legal as cervejarias promoverem seus concursos com apoio das ACervas, como fez a Bamberg com apoio da ACervA Paulista, ou como faz a Eisenbahn com seu concurso Mestre Cervejeiro, ou ainda como faz a Samuel Adams, por exemplo. Muito importante o tratamento igual das ACervAs pra todas as micros, cervejeiros ou empresas ligadas, não havendo predileção por nenhuma, mesmo que justificada por um patrocínio mais gordo ou vistoso.
    Abs,
    Botto

  • E complementando o que o Botto disse, este foi um dos pontos quee nos norteou a decidir (nos=diretorias das Acervas) a NAO unificar o nosso concurso nacional com o south beer cup ano que vem!
    São duas situação distintas nesse momento no Brasil. E ultra ultra delicada.

    Quanta a fazer a cerveja campea, quem esteve envolvido no concurso paulista sabe que isso não é trivial. Qual cervejaria iria produzir a campea? Nenhuma nos procurou, como foi o caso da Bamberg naquela oportunidade, que propos fazer um concurso em conjunto. E se aquele cervejaria que todos torcem o nariz bancar? Como ficamos?

    Meu sonho? Brassar a mesma receita na Bamberg, Colorado, Falke,Abadessa, Bierland. Mas sabemos que o buraco é mais embaixo.

    Acredito que para o proximo ano temos mais marcos a trilhar do que levar a cerveja campea para o mercado.

    Queremos fazer um verdadeiro congresso homebrew, 3 dias de imersão total no universo da cerveja caseira. Isso é elevar nosso hobby a um degrau a cima.

  • Muito bem lembrado e colocado pelo Metre Botto, de fato em 2009 a Bodebrown ofereceu como premio para o primeiro colocado do estilo American Brown Ale, a producao de sua receita em nossa estrutura, porem, que fique bem claro:

    Esta producao sera repassada em sua totalidade ao vencedor, e nao sera comercializada pela Bodebrown cujo entendemos este nao ser o caminho, mesmo porque é um premio e nao um Negocio.

    Esta execucao nao ocorreu em tempo, por termos passados uma serie de problemas em nossa estrutura e que apenas recentemente foi ajustado. Esta producao ira ocorrer em breve. Honrando o premio oferecido.

    Sou afavor da aproximacao da Microcervejaria aos Homebrewers Sim, porem que se respeite suas independencias. E que, negocios, seja feito (se houver interesse de ambas as partes) sem as mediacoes dos organismo fomentadores. De forma tranquila.

    Samuel Bodebrown

  • David, esse novo degrau ja’ nao foi alcancado em Florianopolis? Estive la, e foram 3 dias de imersao total, como vc apontou!
    E’ por isso que, na minha opiniao, estamos mais do que prontos para solucionarmos os problemas pontuais que voce observou (muito bem, por sinal) e seguirmos em frente com parcerias que seriam edificantes pra todo mundo.
    Minha opiniao, respeitando as contrarias.

  • O debate ia bem, eu não ia me manifestar mas tenho que me dirigir ao sr. Paulo Dalla Santa.
    1- Voce diz respeitar opinião mas seu artigo já começa de uma forma por demais desrespeitosa. Você ia gostar que alguém dissesse que o que você diz é bla-bla-blá? Um pouco mais de maturidade e menos arrogancia cairia bem, ainda mais por ser presidente da Acerva Gaucha.
    2- A respeito do texto em si, tá bom então, vamos arrumar um cromatógrafo e resolver o problema dos jurados! Jurado de qualquer concurso (incluindo os nossos, nao vamos nos nivelar por baixo!) tem que se ater aos pontos SENSORIAIS da cerveja. Se você quer um consultor grátis pra lhe ensinar a fazer cerveja….
    3- Se jurado argentino do bjcp é assim tão bom, porque não são boas as cervejas argentinas?
    As vezes parece que falta um pouco de senso lógico e sobram egos nessa estória!

  • Colegas, Beer sommellier e BJCP são coisas muito diferentes. BJCP não falar sobre o alimento, uma questão fundamental para sommellier. Bem-vindo qualquer programa que ajuda a expandir o conhecimento ea cultura da cerveja. Recomeindo pessoalmente realizar todas e todos.
    South Beer Cup em Ribeirão Preto 23 de junho de 2012.
    abraços,
    Martín Boan

  • Eu, como Homebrewer, acho que o ideal é que se tenha um equilíbrio em um juri. Acho que os Beer Sommeliers e os BJCPs se completam.

    Já vi caras que são totalmente focados em BJCP (não necessariamente que sejam BJCPs) que são verdadeiros “caçadores de problemas”, ou seja, só falam dos defeitos encontrados, se está dentro e fora de estilo, e se preocupam pouco em descrever a cerveja ou dizer se ela é realmente boa, se agrada.

    Ao mesmo tempo, já li reviews de cerveja feitos por Beer Sommeliers que são exagerados no romantismo ao descrever uma cerveja, comparando-a com orquestras, sonhos, música, pinturas e até dança, descrevendo em 50 linhas o que poderia ser feito em 10 e ainda assim de forma bem lúdica. Por vezes já parei de ler reviews no meio por perder a paciência com um texto tão rebuscado.

    Ou seja, participando de um concurso, eu gostaria que ambos julgassem minhas cervejas.

    Só não acho apropriado adeptos de BJCP ou Beer Sommelier ficarem falando mal uns dos outros sem um GRANDE motivo, como é, de certa forma, o caso desse artigo que descredita em vários âmbitos o BJCP sem uma “causa”. Parece ciúmes. Pode até não ser, mas como sabemos, quando nos comunicamos, o que importa é como nos fazemos entender.

    Abraço a todos,

    Guenther Sehn

  • 49 Marco Zimmermann

    O BJCP é de grande valia para um cervejeiro caseiro pois define um grupo de características conhecidas que este deve tentar reproduzir na sua cerveja para se chegar a um objetivo pré determinado.
    Isto é importante no aprendizado e na evolução do cervejeiro. E é para isto que serve um concurso, para avaliar a capacidade técnica dos cervejeiros. Não é a toa que ainda utilizamos o BJCP na definição dos estilos dos concursos.
    Precisamos de parâmetros técnicos para o julgamento. Não estamos falando de concurso de beleza, onde a subjetividade e o bom senso já bastam.
    Acho que a capacidade do jurado não depende de ele ter um título, seja ele de jurado do BJCP ou de Bier Sommelier, mas sim da sua experiência e da sua capacidade de análise e expressão. Mas fica difícil de sabermos disto sem referências…

    Estão depositando sobre os concursos das ACervAs um peso indevido, colocando-o como uma vitrine do movimento cervejeiro nacional.
    Estes concursos não são feitos para eleger e promover as novas estrelas da cena cerveja brasileira, e simplesmente para os cervejeiros caseiros terem suas cervejas avaliadas tecnicamente.
    Que se faça então um concurso nacional entre as cervejas comerciais (aos moldes dos concursos britânicos e americanos), com toda a pompa e circunstância, e com parâmetros menos técnicos e mais hedonistas.

    E não sou a favor de que as cervejarias adotem o BJCP, pois aí sim ele seria um limitador das possibilidades de evolução da cerveja.
    E acho que ele deve ser adotado pelos cervejeiros caseiros apenas como aprendizado, e não no dia a dia na elaboração de suas receitas.

  • Não vou me estender em comentários sobre a instituição, o que já está mais que descrito no artigo e nos comentários.
    Apenas venho parabenizar pelas palavras sensatas e pelo bom poder de argumentação do artigo.
    Boa também, foi a referência à desistimulação do tecnismo como fundamento base para o conhecimento cervejeiro.

  • http://www.cicerone.org (Ray Daniels)

    Anyone can call themselves an expert on beer. But when consumers want great beer they need help from a server who really knows beer flavors, styles and brands. They also want to buy from a place that understands proper storage and serving so the beer they drink will be of the highest quality. Too often great beer is harmed by improper service practices.

    In the wine world, the word “sommelier” designates those with proven expertise in selecting, acquiring and serving fine wine. Lately some beer servers have adopted the title “beer sommelier” to tie into the credibility of the wine world. But anyone can call themselves a beer sommelier regardless of knowledge or experience. And while some will be highly skilled, the only way to demonstrate that objectively is through independent testing of knowledge and tasting ability. The Cicerone Certification Program offers that independent assessment and certification so that industry professionals—as well as consumers—can be sure of the knowledge and skills possessed by current and prospective beer servers.

  • BJCP é mais completo e rico em detalhes. BA é mais direto.. ambos são bons, mas o BJCP é melhor para quem procura aprendizado.

  • Gostaria de parabenizar os novos juízes brasileiros aprovados pelo BJCP. Apesar desta “Estranha Obsessão” como prega esse artigo do blog do Brejas (muito infeliz na minha opinião), considero o fato uma importante conquista para o nosso meio cervejeiro.

  • Paulo, na minha opinião o artigo não é infeliz. É somente um tema de debate sobre competição e a capacitação no meio cervejeiro no Brasil, a qual é escassa. Os juízes estão de parabéns por terem conseguido a certificação, e isso vem a contribuir para o fortalecimento das AcervAs do ponto de vista profissional e dos concursos também, que agora poderão contar cada vez mais com pessoas mais qualificadas para julgar as obras fermentadas nacionais.

    Alguém tem a lista de todos os juízes aprovados?
    Pode passar?

    Cerveja e Porco,

    Daniel Draghenvaard / Smedgard Brewery

  • Pelo que vi dessa prova do BJCP, TODOS passaram, salvo engano.
    Muito interessante e um “presta-atenção” nesse pessoal que fala mal do curso de Sommellier porque passa todo mundo. A diferença é que no Sommellier tem curso de 100 horas, e no BJCP é só a provinha mesmo. No final, todos aprovados.
    Sei que a maioria do pessoal que fez a prova já é fera no assunto, e nem precisaria de título nenhum pra provar isso. Mas não tá estranha essa parada???
    O BJCP é ótimo como guia de estilos, bom auxílio no julgamento de cervejas em concursos de caseiros. O problema é o uso que fazem dele.

  • 56 Paulo Dalla Santa

    Ralph,

    Todos os que prestam a prova entram para o ranking do BJCP, mas nem todos são considerados reconhecidos ou certificados.

    Quem não atinge o conceito mínimo para ser reconhecido, é ranqueado como ‘aprendiz’ e precisa prestar o exame novamente.

    Entre os que prestaram o 1º exame no Brasil, temos reconhecidos e aprendizes (não sei precisar quantos estão em cada categoria porque a informação é passada individualmente pelo BJCP).

    Para ser um juíz certificado não basta fazer a prova, é necessário acumular pontos de experiência.

    O Ranking funciona da seguinte forma:

    Aprendiz: nota = 60 na prova
    Certificado: nota >= 70 na prova e 5 pontos de experiência
    Nacional: nota >= 80 na prova e 20 pontois de experiência
    Master: nota >= 90 na prova e 40 pontos de experiência

    A infelicidade dessa discussão é não saber reconhecer o papel que cada um tem no meio cervejeiro.

    Para elaborar a carta de cervejas do meu restaurante, eu preciso de um sommelier, não de um juiz.

    Por outro lado, para julgar as cervejas de um concurso de homebrewers são necessários juízes com qualificação certificada e cervejeiros profissionais, não sommeliers.

    É claro que existem juízes que saberiam elaborar uma carta de cervejas e que também há sommeliers capazes de julgar em um concurso. Essas, no entanto, são qualificações individuais não presupostas pelas suas formações.

    Desprezar o fato de que a metodologia do BJCP vem sendo desenvolvida ao longo de mais de 4.500 concursos ao redor do mundo parece ser o mesmo que inventar um padrão brasileiro de plugs e tomadas, ou seja: mania de querer reinventar a roda.

  • 57 Humberto Fröhlich

    Errata:

    Aprendiz: nota = 60 na prova (sem pontos de experiência)
    Certificado: nota >= 70 na prova e 5 pontos de experiência
    Nacional: nota >= 80 na prova e 20 pontos de experiência
    Mestre: nota >= 90 na prova e 40 pontos de experiência

    Ou seja:
    Todos que fizeram a prova são considerados juízes BJCP.
    Quem tirou menos de 60, é classificado como aprendiz.
    Os que tiraram acima de 60, não importando a pontuação (70, 80…) estão classificados como reconhecidos, porque não possuem ainda os pontos de experiência necessários para mudar de nível, otorgados apenas em competições sancionadas pelo BJCP.

  • 58 Ralph Vedoatto

    Obrigado pela explicação Humberto.
    Confirmou o que eu tinha dito: TODOS os que fizeram a provinha do Bjcp passaram, e podem se auto-considerarem “juízes do Bjcp”. Basta fazer a provinha e pimba!
    Então, antes de falar mal dos sommeliers, eles pelo menos tem um curso de 100 horas pra vencer, ao contrário da provinha do Bjcp pra ser “JUIZ”.
    Outra confirmação. Como guia de estilos, o Bjcp é muito bom, mas como formador de juiz, só serve mesmo pra concurso de caseiro. Prova disso é que nos grandes e mais importantes concursos pelo mundo ninguém dá bola por um cara ser ou não juiz do Bjcp.

  • Ralph, eu acho que você está com um problema sério de leitura.

    O nível de “reconhecido”, ou “Recognized Beer Judge”, como foram reconhecimentos os juízes que foram citados, precisa de NOTA IGUAL OU SUPERIOR A 60. Entendeu? Ou seja, necessariamente quem fez a prova e recebeu o título de “Recognized Beer Judge”, é pq tirou acima de 60. Do contrário, seria reconhecido com juiz “Aprendiz”, ou “Apprentice”.

    Continuando, interessante a tua análise quando tu diz: “Então, antes de falar mal dos sommeliers, eles pelo menos tem um curso de 100 horas pra vencer, ao contrário da provinha do Bjcp pra ser ‘JUIZ'”.

    Quer dizer que 100 horas de aula vale um monte? E os cervejeiros que passaram na prova, que devem ter pelo menos umas 30 ou 40 brassagens nas costas? Tem alguns ali que já fizeram mais de 60 levas.

    Mas vamos fazer a conta por baixo… 30 brassagens, contando umas 8 horas por brassagem (contando por baixo novamente) dão somente 240 horas de mão na massa.

    E tu quer me dizer que isso não vale nada? Pelo amor de Deus… isso é muita “puxa-saquisse”.

    O grande fato, é que tanto BJCPs quanto Sommeliers são importantes e necessários na formação de uma comissão de juizes.

    REPITO: ambos são importantes!

    E a grande verdade, é que esse artigo tendencioso e parcial, escrito por somente sommeliers (que pelo visto ficaram com ciúmes), foi um dos maiores desastres de 2011.

    Abraço!

    Guenther

  • 60 Ralph Vedoatto

    Guenther, vamos lá
    a- Eu entendi tudinho, não tenho problema de interpretação. Talvez você tenha. Eu disse que “reconhecido” ou “aprendiz”, todo mundo que faz a provinha do Bjcp é juiz e pronto. Você mesmo disse isso agora. Confirmou o que eu já tinha dito.
    b- Se você avalia o conhecimento cervejeiro pelo número de brassagens, algo está muito errado com você. Conheço alguns que fizeram a provinha e agora são “juízes” sem ter feito nenhuma brassagem. E conheço sommeliers que entendem MUITO de cerveja sem serem cervejeiros caseiros, como o Maurício Beltrameli, Kátia Zanata e tantos outros. E também conheço sommeliers que também são cervejeiros profissionais, como o Marco Falcone e o Alexandre Bamberg. Não digo que o número de “brassagens” de um cara não vale nada, mas isso tá longe de ser o único parâmetro pra avaliar um estudioso de cerveja.
    c- Desastre é não expor opinião. O artigo é brilhante. E não me consta que o Paulo Schiaveto, um dos autores, é sommelier, pelo contrário, é um dos cervejeiros mais importantes do Brasil. Ninguém aí tem o menor motivo pra ter “ciúmes”, isso que você falou é de um ridículo sem tamanho.

  • 61 Ralph Vedoatto

    Só pra constar:
    BJCp é pra julgar cervejeiro CASEIRO. Bjcp não é usado em quase nenhum lugar do mundo, em concurso de PROFISSIONAIS, só na AMérica Latina isso ainda está tão na moda. Vá lá ver se os americanos usam isso em concurso do porte de WBA e outros. Não usam.
    O Guia do Bjcp é ótimo. Já esse programa de formação de juízes é discutível SIM. Na minha opinião, é pior do que o sistema de aprovação dos cursos de sommelier. Mas pra julgar só cerveja CASEIRA, talvez seja o suficiente.

  • É.. é realmente brilhante escrever um artigo pra ficar detonando um tipo de certificação em cerveja, sem nenhum motivo. Em outras palavras, o texto diz, “esqueçam os BJCPs, eles não valem nada, os sommeliers sim!”. Hehehe.. realmente.. brilhante. Isso nada mais é do que LOCUPLETAÇÃO cervejeira, hehehehe.
    Abraço!

  • Quando tu diz concursos para PROFISSIONAIS, tu quer dizer os mesmos que deram prêmio pra KAISER?

    Ah bom…

  • Estimados,

    Em março junto com Festival da cerveja http://www.southbeercup.com
    primeira competição profissional do sul america.

  • 65 Ralph Vedoatto

    Pois é Guenther, eu paro por aqui. Chamar os autores do texto de locupletadores, e ainda misturar alhos com bugalhos na questão da Kaiser é apelar, é prova que vc não entende mesmo nada do movimento cervejeiro, e nesse nível não dá pra argumentar. Mas obrigado, você reforçou a minha opinião, agora tenho certeza que estou certo mesmo. Abraço.

  • Ralph, uma das primeiras coisas que tu escreveu nos teus últimos comentários foi dizer que “desastre é não expor opinião”. Pois então, é o que eu estou fazendo, mas tu precisa aceitar a os outros não precisam pensar como tu! Quanto a falar que é uma “locupletação” cervejeira, o que tem de mais nisso? Não estou ofendendo ninguém. Locupletação nada mais é do que um grupo que age ou se manifesta de uma forma que acabe befeficiando uns aos outros e gerando valor/riqueza. Então um grupo de não-bjcps se reúne pra escrever um artigo especificamente contra os bjcps…….. tu quer que eu pense… o que? A propósito, que bom que você tem CERTEZA que está certo. Você tem realmente muita sorte de ser assim.. dono da verdade! Eu, particulamente, não tenho certeza nenhuma que estou certo, estou simplesmente dando uma opinião franca e sincera, da mesma forma que vários outros deram, inclusive os autores do artigo. Não precisa fazer tempestade num copo d’água e dizer que eu não entendo nada simplesmente pelo fato de eu discordar de ti. Abraço!

  • 67 Mauricio Chaulet

    Não existe curso, prova ou o que quer que seja que diga que uma pessoa é melhor do que outra. Quem diz isso é o nível de interesse do indivíduo em determinado assunto. Se formado pelo Doemens-Senac ou membro do BJCP não interessa nada, o que vale é a capacidade real de, num concurso, saber o que é bom do que é ruim com base em parâmetros técnicos. No caso de concursos caseiros, o método do BJCP é excelente pq sugere para o participante melhorias em seu processo. Em concursos que são voltados à profissionais isso não tem o menor sentido, já que teoricamente uma cerveja para ser vendida deveria ter bons parâmetros de qualidade, coisa que deve vir já de dentro da cervejaria e não os “pitacos” dos juízes de fora. O que não pode é (tanto no caso de certificação quanto de concursos) um dizer que é melhor que o outro, justamente por serem complementares e não concorrentes, com focos completamente distintos.

    Ralf, quanto a “provinha”, sugiro que vc dê uma olhada no conteúdo pra ver o quanto é necessário de estudo/conhecimento pra tirar acima de 60 pontos. Acho que faltou um pouco de informação da tua parte ao falar sobre isso.

    Ab.
    Mauricio Chaulet.

  • Concordo com o Mauricio Chaulet. Foi exatamente isso que o texto quis dizer (e, infelizmente, muita gente não entendeu): O que vale mesmo é a EXPERIÊNCIA. E que o BJCP é um ótimo guia de estilos, e referencial em formação de juízes para concursos caseiros. Ambos, juízes e sommeliers, nada são sem essa experiência cervejeira, adquirida ao longo de anos de estudo e degustação.
    Não há, absolutamente, nenhuma “guerra” entre juízes e sommeliers. Quem acha que o texto incita isso é porque tem grave problema interpretativo ou só quer ver o circo pegar fogo mesmo. São atividades complementares e ambas importantes pra cultura cervejeira na medida em que SOMAM conhecimento. O texto não ataca o BJCP, diz apenas que não é o ÚNICO parâmetro existente em termos de estilos de cerveja. Quisemos, com isso, fazer todos refletirem sobre o assunto, e esse objetivo foi alcançado com sucesso.
    Infelizmente ainda há nesse país pessoas com mentalidade dicotômica e maniqueísta a ponto de deixarem o pensamento lógico de lado e recusarem-se a ver a questão a partir de todos os lados possíveis. Que bom que pessoas assim são poucas!
    Um abração.

  • 69 fabiana arreguy

    Reforço o que disseram os dois Maurícios e, como uma das que assinam o artigo, tenho toda a tranquilidade pra dizer que em nenhum momento tivemos intenção de ” atacar” o BJCP ou aqueles certificados pelo programa. Tenho absoluta certeza do empenho grande dos que fizeram a prova em estudar o guia, e mais ainda, a certeza que são mais do que merecidamente eles os juízes que devem fazer parte dos juris nos concursos realizados no país ou no exterior. Gostaria de mais uma vez corroborar com o Beltramelli quanto à intenção do artigo: falar que o BJCP não é o único parâmetro existente e refletir sobre o assunto. Agradeço a todos os que comentaram nosso artigo, discordando inclusive. Democracia é exatamente isso: opinar e ser ouvido, dando ouvidos às opiniões divergentes! Que tudo isso seja fator de crescimento para todos nós que,sim, temos nos dedicado ao setor de cervejas artesanais muito mais por ideologia, do que por ganhos financeiros! Pão e Cerveja a todos!

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