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Detalhe da Avaliação

Brasil BrejasBrejas 26 de Junho de 2010 2830
Avaliação Geral 
 
3.8
Aroma 
 
9/10
Aparência 
 
2/5
Sabor 
 
15/20
Sensação 
 
4/5
Conjunto 
 
8/10
Ótima IPA imperial caseira da lavra do confrade Marcio Rossi, que se mostrou equilibrada e aromática, com uma interessante lupulagem que mistura características cítricas e frescas de lúpulos norte-americanos com características mais condimentadas de lúpulos ingleses, e obtém com isso uma boa complexidade. Em relação às típicas representantes norte-americanas do gênero, destaca-se não apenas por esse "sotaque" inglês, mas também pela expressiva presença do malte. Vertida na taça, apresenta coloração amarronzada média, opaca, formando uma espuma de cor marfim cremosa, mas sem muito volume ou persistência. O aroma é lupulado e se destaca por essa combinação de características norte-americanas e inglesas. O frescor dos cítricos norte-americanos predominam inicialmente, com notas expressivas de grapefruit e até um toque de maracujá. Com o aumento da temperatura, porém, começam a se evidenciar de forma mais intensa o condimentado dos lúpulos ingleses, remetendo a pimenta e ervas-finas. Um sutil herbal mentolado e um toque de flor de laranjeira complementam seu bouquet de lúpulos, dando-lhe uma boa complexidade, ainda que talvez muito sutil. O malte é secundário, mas as notas carameladas se fazem sentir. Ela ainda traz uma esterificação suave mas perceptível, com notas remetendo a chiclete ou tutti-frutti aumentando sua complexidade sem se tornarem demasiado evidentes. O sabor confirma a maior parte dessas impressões, mas com mneos complexidade e vivacidade de lúpulos do que no aroma, de uma forma geral. O malte é mais claro e o cítrico norte-americano é mais persistente que no aroma, mostrando uma combinação de caramelo e grapefruit. Notas condimentadas de lúpulo são crescentemente perceptíveis, e o malte também apresente uma suave torrefação mais seca ao final, lembrando madeira queimada. Ésteres suavemente perceptíveis. No paladar, predomina o intenso amargor, como pede o estilo, mas bem equilibrado por uma doçura sólida e consistente, elevada para o estilo, com baixa acidez. A entrada é bem equilibrada entre amargor e doçura, com o doce do malte predominando na finalização e conduzindo a um final crescentemente amargo com retrogosto de média duração que traz caramelo e grapefruit. Considerando-se a forte presença do malte, poderia haver maior riqueza nos sabores maltados para reforçar essa característica. O corpo é médio para alto, com textura cremosa, bastante relevante para o estilo, o que a torna uma IPA imperial menos leve e com menor drinkability, ainda mais considerando-se a percepção alcoólica razoável.

No conjunto, mostrou-se uma representante bastante maltada, adocicada e equilibrada deste estilo que pode facilmente render cervejas lupuladas em excesso. Isso, que lhe dá equilíbrio e sabor, também a torna uma IPA imperial menos leve e drinkable que outras boas norte-americanas do estilo. Mereceu a medalha de bronze que amealhou no concurso nacional de 2010. Seu maior destaque, para mim, ficou por conta da interessante combinação de características de lúpulos americanos, puxando ao frescor cítrico, e de lúpulos ingleses, mais fechadas e condimentadas. Considerando-se que ela passa de uma predominância cítrica inicial para um perfil mais condimentado quando esquenta, isso mantém o interesse durante toda a degustação. Um detalhe curioso e misterioso: bebi duas garrafas dessa cerveja, uma com o Sangion, e outra em casa. A que bebi com o Sangion mostrou uma certa rusticidade de lúpulo, com notas de grama seca (como está relatado na avaliação dele), que eu não encontrei na segunda garrafa. Fica a informação para que o "pai" da cria eventualmente solucione o mistério. Devo dizer que, graças à generosidade do confrade Marcio, tive a oportunidade de beber uma outra versão desta cerveja, fermentada com leveduras belgas, que tinha, em adição a essas características, uma esterificação frutada bem mais elevada e aromas remetendo a maçãs vermelhas, abacaxi em calda e guaraná complementando poderosamente os lúpulos. Ouso dizer que essa "Belgian Imperial IPA" mostrou-se ainda mais interessante, pelo menos para o meu gosto.

Detalhes

Degustada em
31/Outubro/2010
Envasamento
Volume em ml
600 ml
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