Excepcional! Já degustada na versão original da DUM, várias vezes. Mas cada vez eu admiro mas essa bera. Pela Wals, antes tarde do que nunca, foi a primeira vez. Líquido preto, grosso, com espuma quase preta, de café. Aroma de café, com grande sensação de castanha e um toque de chocolate amargo. Sabor acompanha o aroma, sendo um líquido aveludado. Amo esta cerveja.
A Wals Petroleum é fruto de uma parceria entre a cervejaria paranaense DUM, que em 2010 fabricou a DUM Petroleum de forma artesanal, e a mineira WALS que vem fabricando a WP de forma comercial desde 2012. Contudo, há diferenças entre as duas: -http://www.dumcervejaria.com.br/blog/2012/08/14/dum-petroleum-e-wals-petroleum-no-mestre-cervejeiro-com/
É do estilo Russian Imperial Stout que caracteriza cervejas de alta fermentação, com pouco gás, forte sabor de chocolate, café e maltes torrados, coloração muito escura e grande complexidade tanto no aroma quanto no sabor. A história do estilo remonta ao século XVIII época em que a Corte Imperial da Rússia teria viajado a Londres e, tendo gostado das Stout's locais, encomendou barris daquela cerveja. Entretanto, a longa viagem através do mar Báltico terminava por estragar a cerveja. A solução foi desenvolver uma stout robusta e alcoólica o suficiente para suportar a viagem, preservando a cerveja e impedindo que ela congelasse. Esse tipo de stout foi batizada de Russian Imperial Stout, ou simplesmente Imperial Stout.
É produzida pela brazuca Wals, sediada em Belo Horizonte/MG, cuja história iniciou-se nos idos de 1999. Sua fonte de inspiração na fabricação das cervejas que figuram em seu portfólio são as tradicionais escolas cervejeiras belga e theca. No portfólio há a trilogia Dubbel, Trippel e Quadruppel, a Saison de Caipira, a 42 Farmhouse (também saison), a Brut etc.
Lote 09 - validade 2015. A garrafa é de 375 ml, rolhada, cor verde escuro, e o rótulo é sóbrio e vem ilustrado com uma torre de extração de petróleo. No gargalo a 'gravata' traz a gravura do símbolo da DUM Petroleum ao lado do escudo da Wals.
Vertida na taça revelou um líquido de coloração negra, não translúcido, espuma de cor marrom de destacada formação e consistência, com bolhas médias e de mediana manutenção. Ao girá-la na taça as paredes laterais do vidro ficam tomadas pelo líquido viscoso mais ou menos como bolinhas de sagú escorrendo. Maravilha! Perlage (bolhas) praticamente imperceptível.
O aroma desta cerveja é bastante intenso, agradável e complexo. Notas e mais notas de maltes torrados, chocolate amargo, café, cacau, baunilha, álcool evidente, frutas secas, açucar cristalizado e diminuto lúpulo.
No paladar o líquido se revela viscoso e denso, em razão da adição de aveia. De caráter complexo e marcante ostenta uma entrada adocicada e pode-se perceber marcantes notas de malte torrado, café, chocolate amargo, baunilha, melaço, vinho do porto, álcool e uma elevada lupulagem (IBU 70). A maturação com cacau belga deixou a breja uma jóia! O final se mostra amargo, seja pela torrefação dos maltes seja pela carga de lúpulos. Retrogosto alcóolico. A carbonatação é baixa e o corpo é médio-alto. O álcool de 12% ABV é muito bem inserido, mas quase passa desapercebido (diria que é a cereja do bolo deste conjunto altamente equilibrado). A drinkability é excepcional!
Não é a toa que muitos tem a RIS como seu estilo predileto e esta brasileiríssima é uma ótima representante do estilo.
Magnífica stout imperial brazuca, compete de igual para igual com as melhores do estilo e parece ter melhorado ainda mais um ano depois do lançamento. A coloração é preta e totalmente opaca, com creme escuro de parca persistência. Sabor equilibrado e potente, com entrada doce (mas sem aquele exagero xaroposo de algumas stouts imperiais muito alcoólicas) e final solidamente amargo, mas não seco, com aquela doçura residual rica que persiste agradavelmente na boca. As sensações do malte torrado e do cacau usado na maturação criam uma paleta invejável de aromas e sabores na boca: um doce e envolvente caramelado, muito sedutor, chocolate quente (lembra bastante a sensação de um bom choconhaque), chocolate amargo e café convivem em perfeito equilíbrio, com toques de castanhas-do-Pará e um levíssimo queimado no final, nada agressivo. Há um frutado perceptível, lembrando bananas passas, e notas florais evidentes sugerindo rosas. Por fim, sente-se um toque meio químico de maçã verde ou tinta, que se integra bem ao conjunto e adiciona complexidade, além de sensações de chantilly e conhaque. Centrada no malte torrado, mas com ótima complexidade e riqueza, sem aquela sensação "chapada" de outras do estilo muito alcoólicas. Na boca ela se mostra densa, mas não xaroposa, e sim com uma textura cremosa oriunda da aveia. Tenho a impressão de que ela já teve uma textura mais cremosa e aveludada, mas que a cervejaria aumentou a carbonatação para tentar melhorar o creme (de fato, está mais duradouro) e isso prejudicou o mouthfeel. Se for o caso, prefiro ela com menos espuma e mais cremosidade! O álcool é sensível, como não poderia deixar de ser, mas sem exageros: não se adivinha o titânico teor alcoólico. Uma stout imperial de equilíbrio modelar, que não escorrega para nenhum excesso e preserva uma excelente complexidade.
Espuma marrom (sim, marrom, não bege) de formação média e boa consistência, mas sem muita persistência. A aparência faz jus ao nome. Apesar dos 12% de álcool não é agressiva, e tem ótimo complexo de torrefação, chocolate e café no aroma e sabor. O lúpulo discreto equilibra bem o conjunto dando aquele finalzinho seco e um amargor que harmoniza bem com o chocolate. A textura é aveludada. Grande cerveja.