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Detalhe da Avaliação

Estados Unidos Odimi TogeOdimi Toge 01 de Agosto de 2013 1936
Avaliação Geral 
 
4.6
Aroma 
 
9/10
Aparência 
 
4/5
Sabor 
 
18/20
Sensação 
 
5/5
Conjunto 
 
10/10
Essa Uinta Dubhe Imperial Black IPA foi a melhor cerveja que degustei em 2013. Guardei algumas em casa e não tive tempo de poder avaliá-la antes, portanto esta unidade degustada agora já está mais "envelhecido" do que o desejável.

Esse rótulo é simplesmente uma "bomba", no melhor dos sentidos. E chama ainda mais a atenção por "confessar" que se trata de uma cerveja brassada com sementes de cânhamo, vulgo maconha. Estupenda criação da micro-cervejaria americana Uinta de Salt Lake City, Utah.

Na taça, ela exibe um visual robusto, sofisticado, com coloração negra, praticamente preta, com reflexos rubis. Não demonstra nem sedimentos, nem efervescência. Forma uma camada média/baixa de espuma bege cremosa, com minúsculas bolhas e que assenta rapidamente (película sobre o líquido) mas deixa muito lacing aderido às laterais.

Seu aroma é extremamente potente e desgarra notas agressivas de forma muito nítida. Muita sensação de lúpulo bruto e cru, principalmente herbal e cítrico, como pinha, laranja, maracujá, grapefruit, sempre muito resinoso. O malte tostado claramente está presente, fazendo um papel de espinha dorsal, e trazendo sensações de toffee, castanhas, um pouco de torra, café/chocolate e frutas escuras. Essas características maltadas ficam ainda mais evidentes com o aumento da temperatura, quando o lúpulo dá uma espairecida e aparece algo mais de berries. Álcool também presente, mas sem comprometer. Nenhum off-flavor relevante. Buquê redondo, com complexidade muito elevada e muita personalidade.

Na boca, o jogo equilibra e o que mais impressiona é a harmonia entre características tão opostas: fortíssimo dulçor dos maltes diante de lúpulo super intenso, resinoso e picante, extremamente amargo e que remete a pellet ou a flor crua. Mantém-se assim o caráter previsto no aroma, ainda de forma cítrica e herbal (pinha e grapefruit); mas junto se percebe um malte com um viés que fica entre achocolatado e frutas escuras (passas, ameixas) e ganha-se em robustez, em complexidade. Não tem como uma característica ganhar de outra (malte vs. lúpulo); elas "competem" cabeça a cabeça. O álcool colabora para o paladar, tornando o gole quente, ardido no palato. Levíssima acidez láctica. Retrogosto sensacional, prolongado, seco e defumado, com clara transição de amargor cítrico para café, chocolate amargo e madeira. Cerveja de corpo sedoso e macio. Carbonatação média, que colabora para a refrescância e não interfere na percepção das notas. Textura geral macia e cremosa, ideal para uma Black IPA tão intensa. Álcool potente, perceptível, mas totalmente dentro de contexto. Drinkability boa, porém limitada pelo caráter agressivo e potente desse rótulo. É uma cerveja que desce perigosamente bem, a despeito de seu teor alcoólico. Para os menos afeitos a lúpulo ou a torrefação, ela é enjoativa.

Na minha opinião, junto com a Stone Escondidian, ela é simplesmente o expoente máximo em termos de American Black Ale (que alguns insistem em chamar de Black IPA). Esse rótulo é uma aula de lúpulo e mostra nitidamente como os estilos Imperial em geral (principalmente americanos) podem muito bem combinar extremismo de lúpulo com extremismo de maltes ou de cereais, sem detrimento. Não consigo pensar em defeitos. Só a tal da "hemp seed" é que não foi percebida, mas isso é irrelevante. Fenomenal!!! Nada menos do que isso.

Detalhes

Degustada em
25/Fevereiro/2014
Envasamento
Volume em ml
355 ml
Onde comprou
EAP
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