Quem disse que cerveja de trigo é tudo igual? Quem disse que Lei da Pureza limita a criatividade do cervejeiro. A Schneider Weisse está aí justamente para provar o contrário. Depois da parceria muito bem sucedida com a Brooklyn, Criando uma Weizenbock Helles muito, mas muito lupulada a Schneider cria mais uma Weizenbock clara, desta ver apenas com a utilização do lúpulo neo-zelandês, Nelson Salvin. O lúpulo, caiu no gosto dos cervejeiros rapidamente, e tem este nome, porque surgiu na cidade de Nelson, na Nova Zelândia e graças aos seus aromas, muito semelhantes a uva Sauvignon Blanc.
Optei por servi-la numa taça, até por que não tenho um copo de cerveja de trigo que caibam seus 150ml. Na taça, apresentou coloração dourado em tons alaranjados e uma boa turbidez. Seu creme se formou volumosamente, apresentando uma cor branca e uma duração bem longa.
Para quem esperava muito aroma de lúpulo como na Schneider Hopfenweizen se surpreende ao sentir o aroma. A cerveja não traz tanto domínio assim dos lúpulos, deixando em evidência os ésteres de banana e tutti-fruti. Os lúpulos trazem um perfil mais cítrico-frutado ao aroma, lembrando tangerinas, uvas brancas, laranja e limão. A cerveja ainda apresenta uma base de maltes robustas que remete a mel e aveia, além dos lúpulos que trazem um sutil herbal.
OS aromas fenólicos de cravo são mais perceptíveis quando o líquido entra em contato com aboca, evoluindo para uma doçura das frutas e dos maltes, com uma acidez cítrica e refrescante. Ao final, o amargor dos lúpulos se destaca, trazendo um caráter mais seco a cerveja e finalizando com um retrogosto adocicado. O álcool traz um leve apimentado, mas praticamente não se faz notar, o que contribui muito com o perfil leve e refrescante das cervejas de trigo e é mantido nesta Weizenbock. Tem carbonatação alta e um corpo de médio para leve.
O mais surpreendente foi a lupulagem um pouco mais discreta do que eu esperava. O que acreditei ser uma receita parecida com a Schneider Hopfenweizen, mostrou uma delicadeza muito maior, digna dos vinhos brancos mais elegantes.