Ótima surpresa da Wäls. Trata-se de uma barley wine com perfil de maltes claros, produzida com maltes de cevada, aveia e trigo, e maturada em dornas de cerejeira (outro nome para nossa já conhecida umburana). O perfil limpo dos maltes dá à umburana chance de brilhar em toda a sua complexidade e sua força - a madeira talvez até esteja um pouco intensa demais para quem prefere uma cerveja mais equilibrada. Garrafa arrolhada com uma cobertura de parafina bem incômoda, que atrapalha na hora de abrir. Na taça é alaranjada clara e profunda, com um creme de desempenho bastante razoável se considerarmos seus 12% de álcool. No aroma, uma pancada de doçura: muito doce de leite, mel e chocolate branco, abacaxis em calda e pêras cristalizadas, rosas e uma presença avassaladora da madeira, trazendo cocada-preta, coco branco, cachaça, baunilha, móveis coloniais e bastantes especiarias doces (canela e noz-moscada). A umburana traz uma pegada meio forte de "madeira verde" que poderia ser mais amena. Tudo é bem intenso - esta não é uma cerveja elegante e sutil, mas uma receita de impacto. Na boca, o amargor até é intenso devido aos 100 IBUs, mas fica completamente ofuscado pela enorme doçura residual, conduzindo a um final doce, alcoólico e picante. O corpo é grosso, cremoso e aveludado devido ao uso da aveia, com carbonatação suave e sem adstringência. O álcool é excessivo, mas ainda agradável. No conjunto, é uma cerveja intensa, em que a madeira é a protagonista absoluta. O perfil claro de maltes, aliado à doçura. ressalta as sensações doces da umburana, gerando um casamento muito interessante entre a cerveja-base e a madeira. Ponto para a Wäls pela idealização da receita e pela escolha da madeira para complementar a cerveja. Acho apenas que os sabores da madeira e o álcool ainda estão excessivos, de modo que um período curto de guarda (1-2 anos) ajudaria a integrar melhor o conjunto.