Detalhe da Avaliação

4.5 21
Estados Unidos
Sergio Curti
Sergio Curti
11 de Novembro de 2010 24289
(Atualizado: 24 de Fevereiro de 2026)
Avaliação Geral
 
4.8
Aroma
 
10/10
Aparência
 
4/5
Sabor
 
19/20
Sensação
 
5/5
Conjunto
 
10/10
Cor: laranja, translúcida.
Espuma: bege claro, excelente formação, cremosa, boa retenção,rastro nas laterais.
Aroma: cítricos, lúpulos, temperos, floral, herbal, maltes, pão, caramelo, mel.
Paladar: cítricos, lúpulos, alto amargor, corpo alto, carbonatação baixa, herbal, temperos, alto picante. Fim seco, limpando a boca.

Um dia quente pede uma cerveja mais leve e refrescante. Um dia frio pede uma cerveja mais robusta e alcoólica. O básico que qualquer apreciador de cervejas já sabe. Quando se tem a Pliny the Elder na geladeira, uma cerveja tão premiada, almejada e de difícil aquisição, quando o próprio rótulo informa com letras garrafais que ela deve ser tomada o mais fresca possível e sem possuir características para ser de guarda, seria a escolha mais acertada bebê-la na véspera do começo do verão, num dos dias mais quentes do ano, uma cerveja cujo estilo Imperial/Double IPA é de conhecimento geral ter como uma das maiores características seu amargor e teor alcoólico elevados, repito, será a escolha acertada? Ou seja, leveza e refrescância passam longe dela, portanto só me restava encarar o desafio e ver no que ia dar. Já sabia que estava prestes a beber uma das melhores cervejas do mundo, portanto o melhor era imperativamente esperado. Após abrir a garrafa uma citricidade pairou no ar, estacionando, mas primeiro vamos ao seu visual. Sua cor era alaranjada e totalmente translúcida, sem nenhuma carbonatação aparente. A espuma, de cor bege claro, se formou sem nenhuma dificuldade, vasta e cremosa, com três dedos de tamanho e demorando em baixar e quando o fez sujou as laterais da taça, mas sem formar a renda belga. O aroma, ahhhh, o aroma... esse era plenamente tomado pelos lúpulos frescos e bem verdes. Alto frutado cítrico de laranja, grapefruit, maracujá, tangerina, para em seguida um sorriso encher a boca (e olha que nem tinha bebido a cerveja ainda) ao encontrar tão claro e perfeito o cheiro de temperos tão usados na cozinha como salsa, hortelã e erva cidreira. Um floral também intenso enrodilhava todo o aroma, como desabrochadas flores recentemente colhidas, dando certa soberba e enaltecendo valores a uma bebida tão renegadamente inferiorizada por muitos. Se alguém tem dúvidas do poder das qualidades que uma cerveja possui, deveria cheirar esse perfumado líquido. O poder de se perder nesse encantado aroma floral, cítrico e herbal era tão grande que não devo me esquecer dos maltes, presentes com caramelo, pão e mel. E ainda era apenas o aroma. Seu sabor, ahhhh, o sabor... esse começava intensamente cítrico, perigoso, advindo um amargor alto, exagerado e agressivo. E sabe que até não era, mas bem equilibrado para uma Imperial IPA. Corpo denso, mas não licoroso e sem carbonatação sentida, mas quem sentiria falta dela? Seu herbal pede passagem ao cítrico, contribuindo com os mesmos temperos de ervas similares aos encontrados no aroma, mantendo essa variação cítrica e herbal, picante e temperada. O calor começava a surgir e uma picância de pimenta vermelha começava a picar a língua, lábios, garganta. Interessante o poder de fogo desta cerveja. Amargor e picantes pronunciados que ao contrário de repelir, nos fazem mergulhar mais e mais profundamente. Vez ou outra a citricidade voltava à tona e no fim o arremate é dela terminar seca e com o amargor pouco perdurando, com a sensação de boca limpa sem deixar nenhum vestígio. A meu ver ela abraçou de forma carinhosa, extremos tão distantes como a truculência agressiva e a sutil delicadeza. Se ela serviu como uma boa escolha para o dia calorento em questão? Como uma luva... cerveja boa e especial não tem hora, momento, nem lugar.

Detalhes

Degustada em
22/Dezembro/2011
Envasamento
Volume em ml
500 ml
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