Se você nunca ouviu falar da Double IPA chamada Pliny the Elder, saiba que é provavelmente a cerveja mais famosa e desejada entre os beer-geeks do mundo. Criada em 2000 por Vinnie Cilurzo para uma competição somente de Double IPAs, virou artigo raro e "cult" não só por sua qualidade (siga lendo para ver minhas impressões) mas também pela dificuldade de se conseguir uma garrafa. Apesar de ser produzida o ano inteiro, sua distribuição é restrita, salvo algumas exceções, a pontos de venda que ficam nos estados proximos da California (A Russian River fica no norte do estado, em Santa Rosa). Essa "restrição" é intencional: a Pliny é a cerveja que mais bate na tecla do frescor (vide seu rótulo nas fotos abaixo). Por ser fortemente centrada nos sabores e nuâncias dos lúpulos, ela deve ser consumida o quanto antes, e não aguentaria manter a qualidade se fosse enviada rotineiramente a grandes distancias.
Seu nome é uma homenagem a Plínio o idoso, filósofo e naturalista romano que viveu no século 1 e foi o primeiro homem a reconhecer e catalogar o lupulo, inclusive batizando a planta em referência aos lobos (lupus salictarius). Diz a lenda que a erva selvagem crescia entre os outros arbustos assim como os lobos solitários que perambulavam pelas florestas. Plínio morreu salvando outras pessoas durante a erupção do Monte Vesúvio em 79 DC.
A Russian River ainda possui uma Triple IPA sazonal (essa sim é A cerveja mais dificil de ser bebida no mundo) chamada Pliny the Younger, que só sai on tap uma vez ao ano e acaba em questão de horas. O nome é por sua vez referência ao filho homônimo de Plínio, que seguiu e propagou os ensinamentos do pai.
A "PtE" como é carinhosamente conhecida em foruns de cerveja, é feita com as variedades de lúpulo Amarillo, Centennial, CTZ e Simcoe.
Aparência translucida com coloração laranja claro com tons dourados. Forma bonito colarinho de cor beige clara que tem boa formação, persistência e retenção.
Aroma explosivo de frutas cítricas, principalmente tangerina e grapefruit, com notas pungentes pinhais acompanhando. Percebe-se também um pouco de malte com notas adocicadas que vão aparecendo com o aumento da temperatura. Ótimo balanço.
Sabor novamente dominado por lúpulos cítricos com presença forte de laranja, abacaxi, grapefruit, pinhal, tangerina e grama recém cortada. O amargor vem em seguida mas sempre de maneira suave e balanceada, nunca agredindo o palato. Final seco e levemente apimentado. O aftertaste é também frutado e persistente.
Corpo com percepção baixa e mouthfeel delicado, com media carbonatação. Sem exagerar nem um pouco, a cerveja aparenta ter uns 5% de alcool. Drinkability absurdo!
Ela corresponde as expectativas e ao seu hype? Em parte. Assim como a Blind Pig, considero a Pliny a cerveja perfeita em termos de mouthfeel e drinkability. Ja em termos de perfil de aroma e sabor de lupulo, ela - apesar de ser muito boa - ainda perde para outras cervejas do mesmo estilo, algumas que me vem a mente agora são a Double Jack e a Hopslam.
Mas não resta duvida que está entre as grandes cervejas do planeta. Minha nova missão agora é a de toma-la na pressão.