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A “elitização” da cerveja

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Já há algum tempo pensava em escrever um artigo sobre esse tema. Então, o David, leitor do BREJAS (que prefere identificar-se apenas pelo primeiro nome), poupou-me do trabalho, enviando-me o e-mail abaixo. Peço que leiam e tirem suas próprias conclusões:

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Olá Mauricio. Primeiramente, parabéns pelo BREJAS, blog que já leio faz tempo.
 
Escrevo para te confessar uma preocupação que me surgiu em relação às nossa queridas brejas: o preço.
 
De fato, está se tornando muito fácil perceber o processo — que, temo, seja irreversível — de elitização das cervejas de qualidade.
 
Aqui não pretendo cogitar custos de produção e afins (se bem que não consigo aceitar o tal “posicionamento de mercado”), pois sei que qualidade tem o seu preço, e não reclamo em pagá-lo quando ele é justo.
 
Queria acreditar que o “renascimento da cultura cervejeira no Brasil”, trouxesse consigo ideais que julgo interessantes para a sobrevivência da cultura cervejeira nacional, já que não basta só nascer. E, dentre estes ideais, estaria a INCLUSÃO. Sim, que qualquer pessoa pudesse, de alguma forma, provar coisas novas sem se privar de seu sustento, como tem acontecido com determinadas marcas importadas ou produzidas aqui mesmo.
 
Acho que nosso país já errou muito com aquela piada de “fazer o bolo crescer para depois repartir”, quando na verdade sabemos que nada será repartido. Por isso, não se pode incorrer no mesmo erro com um movimento tão legal quanto o cervejeiro, que tende a ser um contraponto ante alguns enólogos arrogantes, elististas, esnobes, justamente pelo clima de descontração que as cervejas têm a propriedade de nos trazer.

Na minha modesta opinião, tal erro está acontecendo agora com as nossas brejas. Acho que deveríamos aproveitar a incipiente cultura cervejeira no nosso país para fazê-la crescer da maneira certa, com critério, impedindo ou dificultando a ação de oportunistas, através do senso crítico do consumidor.
 
O que algumas importadoras vêm fazendo é algo inaceitável. Basta observar nas lojas de comércio eletrônico para comprovar que os preços só estão subindo e sem qualquer justificativa, haja vista que a cotação do dólar tem caído sistematicamente.
 
A gota d’água, para mim, é o caso da
Pilsner Urquell. Poxa, a 42 reais, não há justificativa, e com isso eu não consigo pensar em outra coisa que não seja o boicote. Sim, não comprar uma cerveja que quero muito provar para não dar lucro exorbitante a uma pessoa que nem sei quem é.

needbeer2Sério, aprecio o trabalho de vocês  que escrevem e compartilham suas exeperiências e conhecimento conosco, sendo que nem nos conhecemos. Isso é muito legal da parte de vocês. Agora, quero acreditar que alguns de vocês, que escrevem pelo movimento da cultura cervejeira nacional, são de fato fiéis e sinceros em seus propósitos de espalhar a cultura cervejeira em nosso país. Porém, somos um país de gente pobre na maioria, pessoas que não podem pagar um décimo de seu salário mínimo em uma long neck quando não há motivo justo para isso.
 
E uma cultura cervejeira de verdade seria aquela em que todos pudessem comprovar pessoalmente as impressões sobre uma breja especial. Tudo bem que com certo sacrifício algumas vezes — pois qualidade tem seu  preço, isso é inquestionável — mas é  fato que nós, pobres mortais, estamos pagando por muito mais do que a qualidade dos produtos; estamos pagando por interesses absolutamente escusos ao nosso intuito. 
 
Finalmente, creio que se tal postura não for combatida por todos (inclusive por vocês, blogueiros, que têm voz ativa nesta história), serão vocês que falharão miseravelmente em seus propósitos de expandir o conhecimento cervejeiro em nosso país (e se te escrevo é porque confio que você seja um destes sinceros).
 
Pronto, falei! (risos). Espero que entenda o meu intuito em te escrever (que foi o melhor possível, acredite, sou fã do BREJAS). Desde já agradeço a oportunidade de nos comunicarmos.

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Agora é com você, leitor! Vamos entrar de vez nesse debate?

Concorda com a posição do David? De quem é a culpa? Das importadoras? Da carga tributária? Dos próprios consumidores? Você tem gastado muito mais do que queria do seu suado dinheirinho em cervejas especiais e importadas?

Aproveite esse espaço para soltar a sua voz e comentar à vontade!

Cervejas com toque de café

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Abaixo, íntegra de matéria publicada ontem (14/05) no jornal curitibano Gazeta do Povo, que contou com a participação deste escriba. Boa leitura!

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Cerveja é, sim, coisa de mulher!

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Foi-se o tempo em que era bacana beber mais. Hoje, com a difusão da cultura cervejeira no Brasil e o crescimento da oferta das cervejas especiais, o barato é beber melhor. Degustar cervejas especiais requer cultura, aprendizado constante e, principalmente, sensibilidade às experiências proporcionadas pela breja. E, cá entre nós, homens: sensibilidade é o que as mulheres têm, e de sobra. 

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Foi em 2007, na mesa do bar Haus München, em Belo Horizonte, que as confreiras Eulene, Juliana, Adriana, Ingrid, Lígia, Graziela, Clarissa, Luisane e Renata, profissionais liberais e amantes da boa cerveja, resolveram fundar a CONFECE – Confraria Feminina de Cerveja, a qual se reune mensalmente no mesmo local da fundação para degustar brejas de qualidade, sempre acompanhadas de informações sobre os estilos e harmonizações.

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A organização das meninas é de causar inveja a qualquer marmanjo. A CONFECE possui até mesmo um estatuto próprio, que exige a presença das confreiras nos eventos e — maldade das maldades — restringe a frequência masculina nas degustações dirigidas. A cada encontro são confeccionadas apostilas informativas sobre o estilo de breja que se vai degustar. O consumo é sempre moderado, restrito a poucos rótulos por vez.

Em Março último, para comemorar os dois anos de atividade, as meninas fizeram uma festa e tanto, com direito a churrasco, paella mineira e recepção dos convidados com Eisenbahn Lust. Pra marcar a data, o Haus München, templo da CONFECE, também presenteou as confreiras com um jantar especialmente elaborado pelo chef Adriano Santos.

A CONFECE fulmina um preconceito renitente, o de que cerveja é assunto de homem. Cerveja aguada e fraquinha, talvez, conceito personificado no hábito ogro de beber em grandes quantidades e encher a cara. Cervejas de estirpe, para serem degustadas e entendidas, jamais! 

Homens, tremei! Elas estão chegando.

Brooklyn Intensified Coffee Stout: Vai um cafezinho gelado?

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Antes, um convite: Pra dar mais sabor ao ler a resenha dessa breja, o leitor deve ler (e assistir ao filme) a postagem onde conto a história e a minha visita à Brooklyn Brewery, de Nova York, capitaneada pelo mestre cervejeiro e guru Garret Oliver, que vem ajudando a criar a nova escola cervejeira americana.

Pois foi nessa visita que, no bar da cervejaria, fui apresentado à Brooklyn Intensified Coffee Stout, breja no estilo imperial stout que a cervejaria coloca na categoria de “reserva especial do mestre cervejeiro” e, nessa condição, só está disponível on tap na própria Brooklyn Brewery ou em alguns poucos bares de Nova York. O nome já diz muito: café intenso. Mas não diz tudo.

Além dos maltes Chocolate, Black Barley e British Pale Ale, a breja leva também grãos de café da beneficiadora Stumptown Coffee Roasters, de Portland. O resultado é uma cerveja profundamente negra, de textura aveludada e oleosa, mas com pouca formação de creme. No aroma e no paladar (surpresa!), o café predomina e até, por excesso, agride um tantinho. Mas o degustador atento também perceberá outras sugestões sensoriais, como malte torrado, chocolate amargo, caramelo e um discreto — mas presente — lúpulo. A carbonatação é alta, inusual pra uma cerveja típica do estilo. O final, como não poderia deixar de ser, é torrado, mas também seco, remetendo a uma dry stout.

Pra dar uma idéia realista ao leitor, imagine a nossa premiada Colorado Demoiselle. Imaginou? Pois adicione uma colherinha de café nela e você chegará na Brooklyn Intensified Coffee Stout, a breja mais “cafeinada” que já provei até agora.

E, pra complementar, um pouco de história.

Pode parecer estranho à primeira vista, mas o certo é que o café sempre esteve intrinsecamente ligado à história das modernas brejas escuras, mais especialmente as dos estilo stout e porter. Até os anos 1700, para se fazer uma breja escura, os maltes precisavam ser defumados em madeira já previamente queimada — o que deu origem às cervejas defumadas do estilo rauchbier. Mais tarde, a indústria cervejeira aproveitou-se do advento das novas técnicas de torrefação do café para torrar também o malte cervejeiro, que possibilitou que as brejas elaboradas com esse método não apresentassem tantas percepções defumadas, e sim de café e chocolate.

Vai um cafezinho aí? Só se for gelado…

A “Oitava Brejeira”

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O termo “quinto Beatle” até hoje é usado pelos fãs do quarteto de Liverpool, e se relaciona a pessoas que tiveram forte associação com a banda, com exceção dos próprios músicos. Brian Epstein, descobridor e empresário da turma, é mais comumente apontado para o posto. Longe de pretender comparar-se em notoriedade aos Fabulous Four, dá pra dizer que a nutricionista Fabiana Panobianco é a “oitava” integrante do BREJAS. Explica-se.

Proprietária de uma empresa de consultoria nutricional, Fabiana possui larga experiência em gerenciar e supervisionar restaurantes de grandes empresas, e agenda apertada. Inobstante, a moça cedeu aos apelos dos Confrades do BREJAS e caiu, enfim, na cerveja. Foi ela que reuniu a literatura, tabulou e compilou todos os dados do nosso novíssimo Guia de Harmonização de Cervejas e Pratos, o qual será lançado oficialmente no “1º Pratos & Brejas – Harmonização com Cerveja”. De quebra, a profissional também assessorou o BREJAS na escolha das cervejas a serem harmonizadas no evento.

Fabiana ainda possui outra “atividade” no BREJAS: há quatro anos, é casada com este feliz escriba. E antes que alguma voz moralizadora brade contra um pretenso nepotismo, calma lá! A nutricionista, por acumular o cargo de consorte, tem a oportunidade de provar as brejas que eu degusto aqui no Brasil e em viagens cervejeiras que faço pelo mundo. Profissional mais indicada ao cargo não pode haver…

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EM TEMPO: Ainda há convites para o “1º Pratos & Brejas – Harmonização com Cerveja”, os quais podem ser adquiridos no no Bar do Italiano, localizado na Rua Conceição, 860, Cambuí. Pode-se também reservá-los, ligando para o telefone (19) 3294-4842, ou enviando uma mensagem para o e-mail [email protected].

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