Realmente esta breja vai ficar pra historia. Desde a dedicação em sua receita e elaboração, passando por toda a dificuldade de aprovação, que mereceu belíssimas matérias em nosso Blog das cervejas que nunca serão, até o requinte de sua apresentação.
Só isso já a faria uma cerveja a ser lembrada. Porém, é no copo que ela mostra todo o seu valor. Líquido negro, nada translúcido, com quase nenhuma espuma, de aparência viscosa.
O aroma esbanja chocolate. E por mais incrível que possa parecer, o álcool nem dá as caras. Junto ao chocolate que domina o aroma, notas de maltes torrados. Na boca, mostra-se bem encorpada, com jeitão de licor. Esta sensação de licor permanece no sabor: adocicado intenso porém não exagerado, chocolate e torrefação. O final é suave - o álcool continua se escondendo - deixando um retrogosto novamente digno de um licor: aqueles que ficam impregnados na boca, por muito tempo.
Curioso ver como o álcool está magistralmente inserido, colaborando com a intensidade de aromas e sabores, com o corpo da cerveja, porém não ficando em primeiro plano em nenhum momento. Belíssimo coadjuvante. A carbonatação é bem baixa, talvez o único ponto nesta cerveja que merecesse maior atenção numa próxima produção.
Uma pena que uma breja desse naipe não seja aprovada pelo MAPA e não possa presentear o mercado brasileiro com tanta qualidade.
Se comparada a outras cervejas com a mesma proposta que já provei, como a Brooklyn Black Chocolate Stout, não deve em nada, muito pelo contrário, pode até levar a medalha.
Nota de 25/03/14: a breja finalmente foi lançada e voltei a degusta-lá. Intensa, amarga, o alcool estava aparecendo um pouco mais que o esperado. Continua uma breja de pegada, vale a pena provar.