Detalhe da Avaliação

3.9 17
Estados Unidos
Mauricio Beltramelli
Mauricio Beltramelli
03 de Novembro de 2009 4116
(Atualizado: 24 de Fevereiro de 2026)
Avaliação Geral
 
4.3
Aroma
 
10/10
Aparência
 
3/5
Sabor
 
17/20
Sensação
 
4/5
Conjunto
 
9/10
O nome é um trocadilho, mas tem "razão de ser", digamos assim: em francês, "raison d'être" significa justamente "razão de ser"; contudo, em inglês, "raisin" significa "uva passa", é é justamente um dos ingredientes adicionados à receita para a fabricação desta cerveja. Nominalmente, trata-se de uma Belgian dark strong ale devido à sua coloração acobreada-avermelhada, mas suas características de aroma e sabor, sua leveza e seu grande frescor remetem mais, talvez, a uma Belgian golden strong ale. O resultado é uma cerveja de alma belga, mas absolutamente peculiar, eloquente a respeito da originalidade da escola norte-americana. No copo, o líquido acobreado (que não chega a ser propriamente "dark", mas tampouco pode ser chamado de "golden") é encimado por um creme algo decepcionante. O aroma e o sabor são intrigantes, frescos e sobretudo bastante supreendentes, bem diferentes do que estamos acostumados nas cervejas belgas. Equilibra-se um agradável, intenso e marcante frescor mentolado, suponho que derivado do lúpulo, com ésteres mais "leves" e frescos do que é habitual no estilo, remetendo a chiclete, melancia e alguns toques mais suaves de laranja, criando uma combinação harmônica. O malte é bem menos presente do que pede o estilo, aparecendo apenas em segundo plano com um certo açucarado de algodão-doce e um sabor de torradas, o que ajuda a imprimir leveza ao conjunto. Há algo de fundo que de fato lembra uvas passas, mas as brancas, e não as pretas; não sei se é minha cabeça sugestionada ou se o sabor das "raisins" de fato transparece. Por fim, toques florais e um sabor lembrando rum evidenciam-se no fundo da boca, complementando sua complexidade de forma agradável. Existe um traçozinho de DMS no aroma, prejudicando um pouquinho todo esse frescor, mas não é mada decisivo. De forma geral, pode-se dizer que o aroma é mais fresco, vívido e surpreendente, enquanto o sabor se mostra um pouco mais apagado, talvez porque mais centrado nos maltes. O paladar é definido, com um amargor predominante equilibrado por uma acidez consistente e uma doçura mais suave em segundo plano. Esses três elementos interagem de forma harmônica na entrada, conduzindo a uma finalização suavemente adocicada que depois evolui para um final cada vez mais amargo, embora limpo. O corpo é leve e refrescante - mais uma vez, aproximando-se mais de uma golden strong ale do que de uma dark -, ressaltado pela alta carbonatação. O álcool transparece um pouco mais do que deveria, o que atenua um pouco aquilo que seria uma excelente drinkability. No geral, esta é uma cerveja que merece ser julgada à parte, talvez até como uma specialty ale, e não dentro do estilo dark strong ale. Lúpulo e levedura se aliam de forma muito feliz para produzir um efeito de grande frescor valorizado pelo corpo leve e pela alta atenuação, resultando em uma cerveja delicada, ainda que intrigante e complexa. "Razão de ser"? Bom, talvez eu não chegue a lhe dar uma importância tão metafísica assim, mas afirmo que foi, pelo menos, a razão motivadora de uma agradável e peculiar experiência de paladar.

Detalhes

Degustada em
29/Setembro/2010
Envasamento
Volume em ml
355 ml
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