Eu estava triste. Bastante triste. Quando fico triste preciso fazer coisas que me deixem feliz. Logo, pensei "por que não fazer uma degustação?" Larguei o que estava fazendo e corri para me alegrar em alguns copos. Porém, era cedo demais e todos os bares fodásticos com as cervejas importadas e artesanais que eu queria ainda estavam fechados. Assim, parei no Consulado do Café e consultei o cardápio. Peguei a mais barata que ainda não tinha tomado: Caracu. Estaria ali um sorriso escondido?
Li no rótulo que era uma stout. Tinha tomado só uma stout antes, a Young's Double Chocolate que me foi extremamente agressiva e intragável. A Caracu parecia uma alternativa menos intimidante, apesar da cara de mau do touro no rótulo. Me servi e uma espuma cor de café veio e foi embora rapidamente. A cor e a turbidez me fizeram imaginar um suco de melado. O cheiro é decididamente de café, malte torrado e... taninos? Talvez tenham sido os conservantes, mas eu senti o cheiro de taninos de vinho tinto chileno...
Não me sentia nem um pouco mais feliz com essas constatações, mas tampouco me afundei na fossa. "Ok, ela é uma stout, vou gravar as características para quando degustar outra". Satisfeito (mas não feliz) com as estratégias, apresentei à Caracu minha goela.
Café. Malte torrado. De novo. Isso estava ficando repetitivo e ia ser difícil mudar minha opinião nos goles posteriores. Continuei tomando e a percepção de estar bebendo um café forte demais, gelado, se firmou. Aliás, retrogosto amargo e curto.
Acho que esperei demais da Caracu. Mas bem, comparada à minha experiência anterior com uma stout, até que consegui terminar a garrafa. Nota média para uma cerveja vigorosa e monótona; e meu humor havia piorado levemente...
Coloração preta. Espuma pouco persistente.
Sabor com notas de café e malte com exagero na torrefação. É adocicada mas não chega a ser uma malzbier. Aroma pouco perceptível.
Beltramelli definiu bem "retrogosto de cinza de cigarro". Cerveja enjoativa, é difícil de tomar mais que um ou dois copos, mas não é a pior coisa do mundo.
Cerveja totalmente opaca, a cor é algo entre o preto e o marrom bem escuro. Carbonatação aparentemente baixa
(na boca parece a sensação é de que a carbonatação é mais alta do que observado, provavelmente devido à coloração escura).
Creme marrom (bege escuro), altura média, meio ralo e volátil.
Aroma doce, mas com predominância de ingredientes torrados. Senti breves nuances de coco.
Sabor tem leve, porém suficiente, amargor de lúpulo.
O amargor do malte torrado não lembra tanto o café, mas sim o próprio malte torrado (adocicado, caramelado).
Cerveja ácida na boca e com sabor não tão intenso quanto deveria, ou poderia ser.
O fim não é muito seco, porém bem amargo (lembrando "fumaça", algo como torrado em excesso).
No retrogosto o malte torrado fica mais evidente do que no gosto.
Drinkability não é muito boa principalmente pelo amargor que se torna desagradável com o tempo.