Há alguns dias degustei uma DeuS, que comprei numa promoção de um site cervejeiro. Dessa vez decidi tomar a cerveja na taça flauta (antes havia tomado numa taça grande, para vinho tinto). E essa diferença mostrou outros caracteres da DeuS. Na flauta a espuma é mais persistente, fica uma fina camada praticamente até o final. O aroma revelou outras nuances, como um frutado e um toquel de mel. O sabor desta vez me apresentou toques de manjericão, e ficou mais evidente o maltado. Mesmo com o alto teor alcoolico, que permite sentir o alcool na boca ao final, ela é muito equilibrada, de uma elegância ímpar.
Degustei esta maravilha em Londres em um dos melhores restaurantes belgas da cidade: Belgoo Centraal.
Claro que tentei despir-me da influência comum que sempre considerou esta uma cerveja muito superior a diversas outras, mas foi difícil ser imparcial. Primeiro porque ela é quase um mito e segundo porque, de fato, a cerveja é maravilhosa.
De coloração amarelo claro/dourado opaco com espuma branca de ótima duração.
O aroma apresenta uma riqueza que despertam o olfato: muito frutado, peixe (não chegando a ser um deefeito), banana, lúpulo, casca de árvore, amadeirado, ameixas e álcool no final evidente, mas muito bem inserido.
Na boca, desce quente pelo álcool desde o início até o fim. Apresenta uma mistura com inúmeras sensações frutadas, mas sem a riqueza do aroma. É amarga e seca com ótima sensação de sabor remanescente no retrogosto.
Se o Champagne tivesse um filho com a cerveja, seria a DeuS! Diferente de tudo que já provei em matéria de cerveja. Coloração dourada clássica, aroma diferenciado lembrando o levain, o fermento natural do pão francês, com um quê perfumado, elegante. Espuma generosa e "bolhosa", firme e consistente, surpreendente para o teor alcoolico de 11,5º. Mas o sabor dessa maravilha é o seu grande diferencial! Extremamente complexo, com um adocicado maravilhoso, um retrogosto que lembra gengibre, canela e hortelã, um toque de alcachofras, tudo emoldurado pelo álcool equilibrado, enfim: um festival para os sentidos!
Recomendo a degustação dessa maravilha com pão italiano e queijos gorgonzola e gouda. Dedique-se a ela. Tire uma noite de calma pra isso, prepare uma boa mesa, tire os sapatos e estique as pernas. Deguste-a com calma e dedicação. DeuS é uma experiência única.
A DeuS provavelmente é um dos nomes mais conhecidos e mais místicos dentro do mundo cervejeiro. Creio que não haja ninguém que goste de cervejas especiais que não teve a mínima curiosidade de provar esta cerveja, que vem com refinamento desde sua bela garrafa. Graças aos preços exorbitantes aqui no Brasil, poucos são os que tem a chance de provar. Sua base é a Tripel Karmeliet, também da cervejaria Bosteels, que já é uma baita cerveja e fica praticamente irreconhecível depois do processo de Remuáge.
Vertida na flute, mostra uma coloração amarelo palha, quase "cinza" ,porém com uma vividez e brilho fenomenais, completamente limpida. Seu creme mostra-se branco e volumoso, permanecendo um bom tempo na taça, principalmente a camada de mais ou menos um milímetro que acompanha o líquido boa parte da degustação.
No aroma mostra a união de uma complexidade e delicadeza que jamais foi vista por este que vos escreve. Traz os aromas das leveduras em primeiro plano, principalmente de uvas verdes, manjericão e gengibre. O malte traz um adocicado de mel, mesmo que bem mais sutil que nas versões brasileiras do estilo. Ainda há um toque floral e herbáceo bem consideráveis.Um fundo condimentado de cravo e alecrim aparece junto a uma esterificação que me remeteu a tutti-frutti e sal de frutas.
Na boca tem um docinho frutado, extremamente nostálgico, que me lembrou a refrigerante de guaraná e incrivelmente, mais ainda a gengibirra. Mas se fosse apenas isso, não valeria todo o louvor e prestígio que o mundo cervejeiro tem por esta belga. O adocicado não para por aí e traz ainda um toque de tutti-frutti e pera que é cortado por um frutado cítrico de uvas verdes e cascas de laranja. ainda há aromas delicados de baunilha e uma infinidade de ervas e especiarias, puxando mais para o lado adocicado é verdade. Consegui decifrar manjericão, hortelã, gengibre e alecrim, mesclando-se a um toque de cravo e coentro. Ao final a um quê de salgado que não consegui definir exatamente o que é, e o álcool que unido a alta carbonatação dá uma sensação picante e frisante na língua. Na verdade, se deixar por muito tempo na boca, chega até a amortecer as gengivas. Seu corpo é extremamente delicado, assim como todo conjunto , uma certa sensação aguda, que nunca me pareceu tão deliciosa. Pra falar a verdade, nunca vi uma cerveja tão delicada e tão etilicamente potente e complexa do que esta Biére Brut.
Com certeza não é uma cerveja que vai agradar a todos, justamente por "não ter muito de cerveja" em suas características. Poucos dizem que vale a pena desembolsar uma boa grana para toma-la. Para mim, trata-se de uma das cervejas mais complexas e delicadas que já bebi até hoje, e mesmo não fazendo muito o meu tipo, admito que é para beber de joelhos.
Essa cerveja de estilo próprio faz juz ao titulo de umas das melhores do mundo. Aparência amarelo tendendo a nuances dourados, espuma com alos devido ao alto teor alcoolico, porém permanece a coroa da espuma. No aroma apresenta especiarias, o mangericão é o mais evidente, e aroma da fermentação também é perceptivel. Com seu corpo médio, o alcool é aquecedor que se estende até o aftertaste, apresenta sabor de especiarias picantes, e muito refrescante. Ótima drinkability e muito complexa. Harmoniza com entradas ou sobremesas, queijo parmesão e camarão.