Blog do BREJAS

Duas barbadas cervejeiras

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O próximo curso de produção de cervejas caseiras ministrado por Afonso Landini já foi marcado: Acontecerá no mês que vem, em 18 de julho, no Bar do Italiano, em Campinas.

A barbada é que até amanhã, 5 de junho, quem se antecipar e fizer a sua inscrição pagará só R$ 200,00 (o preço normal do curso é R$ 300,00).

O curso inclui material didático, coffee-break, degustação de cervejas artesanais e a simpatia do mestre Landini. As aulas são divididas em parte teórica e prática, sendo que nesta última os alunos fabricam — de verdade — a sua própria breja, ao vivo e a cores.

Para inscrever-se, clique AQUI, ou ligue para o telefone (19) 3384-2542. Veja aqui imagens do último curso, e aqui a matéria e o filme do curso ministrado aos Confrades do BREJAS.

E por falar em Bar do Italiano, vem de lá a boa nova: Acaba de desembarcarcuvee-van-de-keizer-blauw a lendária breja belga Gouden Carolus Cuvée Van de Keiser Blauw, safra 2008. Cerveja de indiscutível nobreza, é brassada somente no dia 24 de fevereiro de cada ano, dia do aniversário do Imperador Charles V.

Trata-se de uma das cervejas mais complexas e completas que este escriba já teve o prazer de degustar. De coloração ocre turva, os aromas e sabores vão de madeira, frutas vermelhas (especialmente cerejas), ameixas a vinho do Porto. A consistência é deliciosamente aveludada e o final, longo, remete a malte torrado e leves toques florais. Balanceadíssima, não se percebe o álcool. Imperdível!

A barbada? É que o Italiano está vendendo a preciosidade (em garrafa de 750ml lacrada a rolha) por R$ 69,00 — quase o mesmo preço da breja nos bares da Bélgica — até esgotarem-se os estoques.

É bom lembrar que a Cuvée Van de Keiser é uma cerveja de guarda, cujos aromas e sabores vão evoluindo dentro da garrafa ao longo dos anos. Difícil, mas difícil mesmo, é segurar a onda e esperar tanto pra degustá-la.

Beer Evangelismo: O churrasco

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Eram quatro, e todos se reuniam religiosamente todas as quartas depois das sete na parte de trás da casa do Ado, que tinha uma churrasqueira e um balcão de mármore. O Ado, diligente, sempre montava mesas e cadeiras de madeira por ali, mas as quatro almas botequeiras sempre as ignoravam, preferindo o reconfortante contato do cotovelo no balcão, enquanto a picanha queimava e a cerveja descia.

O tema dos papos era sempre variado. O que não variava de jeito nenhum era a marca de cerveja, aquela do jogador de futebol. Era sempre aquela, e se não tinha aquela, o motim se instalava e perigava do churrasco de quarta nem acontecer.

Acontece que o Ado, ultimamente, vinha tendo idéias estranhas e inconfessáveis ao resto do grupo. Fissurado em internet, havia descoberto quase por acaso, através dos blogs cervejeiros, que existiam mais cervejas além daquela do jogador de futebol, ou mesmo daquela que era só pra servir “gelaaada”. No começo, incrédulo, resolveu pinçar algumas brejas “diferentes” no supermercado. O hábito foi pegando, e agora o Ado cometia até mesmo o desplante de encomendar cervejas “diferentes” nas lojas on-line. Em pouco tempo, já conhecia as diferenças entre elas e constatava, com um certo horror envergonhado, que a cerveja das quartas já não descia tão bem quanto antes.

Resolveu, então, encarar seus medos perante a rapaziada. Como era sempre o responsável por abastecer o isopor dentro do qual os quatro metiam a mão e sacavam as latinhas de sempre, decidiu espalhar por ali, semi-escondidas em meio às pedras de gelo, algumas cervejas “diferentes”. Numa quarta meio abafada, a turma chegou como sempre, acomodando-se ao redor do balcão, e começaram os trabalhos.

O primeiro a afundar a mão no gelo e sacar uma breja que não era “a mesma” foi o Binho Errado (o Binho Errado era chamado assim para diferenciar do Binho Certo, seu irmão. O Binho Errado só insiste que o Binho Certo é ele).

— Upa! Quequéisso? – perguntou, segurando uma garrafa de Heineken pelo gargalo.

— Tá virando bicha, Ado? – inquiriu o Cunha, que perde o amigo mas nunca o timing do sarro a ser tirado.

— Cerveja importada. Bebe aí! – retrucou o Ado, fingindo despreocupação, mas intimamente tremendo de medo da turma o considerar, de fato, bicha.

O Mauro interveio.

— Se não virou veado, ta ficando é rico. Tomando cerveja importada! Conta aí pra gente, Ado!

— Nada, quase o mesmo preço das nacionais. Toma aí, Binho!

O Binho Errado, após dizer que se era assim, então o Ado tinha mesmo se aviadado, topou o desafio. Abriu a garrafa, despejou no copo e tomou o primeiro gole.

— É amarguinha – disse o Binho Errado, mas com cara de surpresa – Tem mais aí?

— Tem essa aqui ó, mais suave – e sacou do gelo uma Hoegaarden.

— Cerveja belga, Ado? Depois fala que não ta ficando milionário! – lançou o Mauro.

Dessa vez, os três fizeram questão de provar. Para incredulidade do trio, a breja era mais que boa. De fato, era uma delícia. O Cunha estalou a língua e disse que tinha gosto de erva-doce. Tem mais?

— Essa aqui é brasileira, experimenta! – e pôs no balcão uma Colorado Indica.

A rapaziada ficou observando o rótulo diferentão. Agora era o Mauro que queria experimentar.

— Amarguinha, mas é um amargo gostoso, doce, sei lá. E nem parece cerveja escura.

Então o Ado, com muito jeito, foi explicando o que cada breja tinha de mais diferente. Explicou que aquele amargo era o lúpulo, que fazia tanta falta nas cervejas “de sempre”. Disse que, em muitos casos, os preços não eram assim tão mais altos do que as “normais”. Didaticamente e sem pedantismo, falou que existia um porrilhão de outros estilos de cerveja no mundo, e que a turma estava era perdendo tempo de não conhecer o maior número possível deles.

E o papo, definitivamente e para alívio e glória do Ado, descambou para a cerveja, ante o interesse geral. E foram descendo Leffe Blonde, Baden Baden Red Ale, Devassa Ruiva, Bamberg Weizen, Weihenstephaner Vitus… No final, Ado propôs voltarem a tomar a breja do jogador de futebol. Aberta a primeira latinha, Binho Errado fez muxoxo:

— Aí é sacanagem. Depois dessas aí, essa aqui ficou sem gosto.

E deixou a latinha de lado, cujo conteúdo foi jogado na pia pelo Ado depois do churrasco. A turma estava beer evangelizada.

Agora, as quartas-feiras são mais aguardadas. Uma vez tratar-se de churrasco, as Pilsen ainda são preferidas – embora as “de sempre” tenham sido substituídas por outras que honram o estilo – mas quem chega sempre traz uma ou outra “novidade” pra compartilhar com a rapaziada. E, de fato, não poucas foram as quartas em que somente as novidades foram consumidas.

Alegremente, os caras giram os copos, metem os narizes nas cervejas, comentam sobre os rótulos. Mauro e Cunha viraram fissurados em cervejas mais escuras, alcoólicas e encorpadas. Binho Errado é mestre em falar sobre as brejas de trigo.

E ninguém mais fala que o Ado virou veado.

Westvleteren: A melhor cerveja do mundo, em tripla degustação

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A breja belga Westvleteren Abt 12 é considerada pela maioria dos rankings cervejeiros do planeta (incluindo o Ranking do BREJAS) como a melhor cerveja do mundo. E, se de fato não for, pelo menos é uma das mais raras. Os monges da Ordem Trapista que a produzem o fazem em levas extremamente limitadas, daí a aura mítica que a cerca.Conseguir um exemplar, mesmo na Bélgica, não é tarefa das mais fáceis.

É sabido que os religiosos, que fazem voto de pobreza, produzem essas maravilhas apenas quando realmente necessitam de verbas para a manutenção da Abadia de St. Sixtus, função única da produção. Nessa condição, não há regularidade temporal entre uma brassagem e outra. O que deixa algumas dúvidas a pairar: Existem diferenças sensoriais entre um lote mais antigo em relação a um lote mais “novo”? A Westvleteren Abt 12 evolui com a guarda?

Kathia Zanatta é beer sommelier. Alfredo Ferreira é mestre cervejeiro. Ambos são formados na Doemens Academy (Alemanha), e trabalham atualmente para o Grupo Schincariol. Recém-chegados de uma viagem que fizeram à Bélgica, conseguiram por lá uma garrafinha da breja. Eu já tinha outra descansando na adega, conquistada há exatamente um ano. Dúvidaswestvleterendegustacao31 postas, à prova: marcamos uma degustação dos dois diferentes lotes, frente a frente, na última sexta feira (29/05). O palco foi o Bar do Italiano, em Campinas. A sorte estava lançada.

Para inaugurar os trabalhos, antes do confronto, abrimos uma Westvleteren Extra 8, menos alcoólica (8% ABV) mas com quase a mesma complexidade da 12, que preparou nossos paladares para a comparação que viria a seguir. Após, vieram as melhores do mundo.

Em ambos os exemplares, estava tudo lá: A extrema complexidade, o amadeirado, as ameixas, as frutas secas, a sugestão de Porto. E as notas torradas, caramelizadas e achocolatadas. E o pungente lúpulo que harmoniza magicamente com o doce. E o final carinhosamente amargo que faz cair lágrimas furtivas. E tudo o mais que se pode dizer de uma breja extremamente balanceada, nobre, personalíssima. Quem ainda não experimentou pode achar deslumbre, mas a alma que já teve esse privilégio sempre concorda comigo: Não se pode ficar indiferente a uma Westvleteren Abt 12.

Diferenças entre os dois lotes? Kathia, Alfredo e eu temos de ser honestos: Se há, não sentimos. Restou, entretanto, outra prova. Concluímos que a temperatura mais adequada para se degustar a breja é em torno de 10 a 15 graus Celsius. A partir desse patamar, o álcool (10,2% ABV), que se inseria perfeitamente no set a ponto de quase não se fazer sentir, volatiza-se e aparece com mais potência tanto no aroma quanto no sabor, o que desbalanceia levemente o conjunto.

Feito o teste, passamos a divagar sobre o paradoxo que faz a melhor cerveja do mundo ainda ser tão rara. Em pleno capitalismo globalizado do século XXI, a incensada Westvleteren ABT 12 — que podia ser vendida a preços estratosféricos — é comercializada na Abadia de St. Sixtus ao inacreditável preço de 1,50 euro.

Basta ao interessado, estando na Bélgica, enfrentar pacientemente a interminável fila de veículos que se forma à frente da cervejaria do templo, toda vez que os monges cismam em fabricá-la pra fazer a graninha das hóstias…

Este escriba, Alfredo Ferreira (mestre cervejeiro) e Kathia Zanatta (beer sommelier)

Este escriba, degustando as Westvleteren com Alfredo Ferreira (mestre cervejeiro) e Kathia Zanatta (beer sommelier).

EM TEMPO: Quer curtir o barato de avaliar e dar suas próprias notas para cervejas do mundo todo, além de trocar mensagens com outros amantes de cerveja e publicar suas fotos cervejeiras na nossa Galeria? CADASTRE-SE já no BREJAS! É rápido, sigiloso, seguro, gratuito e não dói nada.

Belo Horizonte respira cerveja artesanal!

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Neste sábado foi celebrado no Frei Tuck, bar da capital mineira especializado em cervejas especiais, o primeiro aniversário da fictícia Companhia Cervejaria Jambreiro, capitaneada pelo cervejeiro caseiro Humberto Mendes Neto. No evento, os presentes tiveram o privilégio de degustar os três rótulos do homebrewer, as brejas Blonde, Belgian Dark Strong Ale — que foi medalhista de prata em concurso de cervejas artesanais — e LebensKraft, esta última já degustada pelo BREJAS

Pra marcar a data, o bar belorizontino providenciou um formidável almoço de harmonização combinando as Jambreiros com deliciosos pratos que foram de frango a peixe, com direito a um inusitado filet ao molho de chocolate para escoltar a Jambreiro Belgian Dark Strong Ale.

Parabéns, Humberto. E um brinde à Jambreiro e aos homebrewers mineiros!

Flávio (Frei Tuck), Humberto (Jambreiro) e Marcio Rossi (ACerva Mineira)

Flávio (Frei Tuck), Humberto (Jambreiro) e Marcio Rossi (ACerva Mineira)

 Para ver mais fotos da festa, clique AQUI.

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