Blog do BREJAS - Tudo sobre Cerveja

“Os Copos”: Em cena, quadrinhos cervejeiros

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oscopos

Quem já está enveredado pelo maravilhoso mundo da degustação de cervejas sabe muito bem que, para cada estilo de cerveja, há um tipo adequado de copo. Aqui no BREJAS, por sinal, há um guia bastante instrutivo apresentando os formatos de copos de cerveja e sugerindo os estilos que com eles combinam. Imagine, então, se cada copo assumisse vida própria, com suas individualidades e temperamentos diferentes, e ainda vivessem aventuras com pano de fundo alusivo à cerveja?

Quem teve a sacada de gênio foi o blogueiro portoalegrense Patrick Stephanou, do ótimo Telecerveja, há quase três anos no ar. Na página “Os Copos“, ele imaginou diferentes personagens que se encaixariam em cada copo diferente de cerveja. Assim, o grandalhão caneco de chope, o Mug, virou o valentão da turma. Já o Yard, o célebre copo parecido com uma ampulheta e seguro por um suporte de madeira, não poderia deixar de ser o deficiente físico. O copo ISO, cheio de si, é o intelectual. E a Flûte, sempre longilínea, é a patricinha.

Vários os copos, vários os personagens, que vivem histórias em formas de tirinhas em quadrinhos que andam, aos poucos, povoando cada dia mais o blog. Stephanou, com a brincadeira, ao mesmo tempo diverte e educa.

O único problema é que ainda são poucas as tirinhas disponíveis, mas o amigo Patrick já me confidenciou que vai acelerar o projeto pioneiro. Que venham mais Copos!

Cervejas do Curso de Degustação e Cultura Cervejeira

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CursoDegustação

Primeira Turma já está quase esgotada, e desconto vai até o dia 14 de janeiro

Saiu a lista das cervejas que serão degustadas durante o Curso de Degustação e Cultura Cervejeira que acontecerá no dia 5 de fevereiro no Bar Brejas, em Campinas. As vagas para a primeira Turma tiveram procura surpreendente mesmo antes do ano de 2010 terminar, e estão quase esgotadas. Nesta semana o interesse voltou a crescer, dado que o prazo de desconto para as inscrições se encerra no dia 14/1 próximo.

O portfólio das brejas para degustação dirigida, até o momento, é esse: Krombacher Pils (Alemanha), Pilsner Urquell (República Checa), Eisenbahn Dunkel (Brasil), Bamberg Rauchbier (Brasil), Paulaner Hefe-Weissbier Naturtrüb (Alemanha), Fuller´s ESB (Inglaterra), Colorado Indica (Brasil), Guinness Draught (Irlanda), Malheur 10 (Bélgica), Bacchus Frambozenbier (Bélgica) e Boon Oude Geuze Mariage Parfait (Bélgica). As cervejas foram meticulosamente escolhidas para adequar-se ao conteúdo programático do Curso.

Informe-se!

Curso de Degustação de Cervejas e Cultura Cervejeira

DATA: 05/02/2011, das 10:00 às 18:00 horas

LOCAL: Espaço de Eventos do Bar Brejas – Rua Conceição, 860, Cambuí, Campinas (SP)

INVESTIMENTO: R$ 300,00 até o dia 14/01/2011 e R$ 350,00 de 15/01/2011 até a data do Curso (se restarem vagas). Materiais didáticos, cervejas para degustação, almoço e coffee-break já estão inclusos nos valores de investimento

INSCRIÇÕES: No Bar Brejas, das 17:30 à 1:00 hora, de terça-feira a domingo. Para maiores informações e/ou inscrições à distância, ligue para o telefone (19) 3251-7912 das 15:00 à 1:00 hora, de terça-feira a domingo, ou escreva para bar@barbrejas.com.

PÚBLICO-ALVO: Entusiastas de cervejas, proprietários de bares e restaurantes e profissionais da área cervejeira e de alimentação

MauricioBeltramelliPostMestre em Estilos de Cerveja e Avaliação diplomado pelo Siebel Institute of  Technology de Chicago (EUA) e formando da primeira Turma no Brasil de Sommelier de Cervejas da Doemens Academy (Alemanha) e SENAC-SP, Mauricio Beltramelli é co-fundador e editor do BREJAS, hoje o maior portal sobre cervejas na internet brasileira. Como articulista de cervejas, seu trabalho já apareceu em publicações e veículos como Revista Prazeres da Mesa, Guia da Cerveja, Jornal da Tarde, Rádio CBN, e muitos outros. Viaja frequentemente pelo Brasil e exterior para pesquisar o mundo das cervejas e conferir palestras sobre o tema.

As cervejas que nunca serão

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Por Mauricio Beltramelli *

No filme Tropa de Elite, o brucutu Capitão Nascimento, coordenando o treinamento de admissão de recrutas no Batalhão de Operações Especiais do Rio de Janeiro, é pródigo em repetir a frase que virou o bordão “nunca serão”. Ele se referia, no filme, às pretensões dos novos candidatos a ingressar no pelotão, exortando-os a abandonar o treinamento. Nunca serão!

Pois os luminares barnabés do eficiente Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), talvez na falta do que fazer de mais últil, especializaram-se em dizer nunca serão a várias cervejas artesanais que poderiam estar nesse momento servindo aos paladares dos brasileiros. São eles, infelizmente, que aprovam a comercialização de novas cervejas no território nacional, após examinar suas fórmulas e seus rótulos.

Pra esses tão diligentes servidores públicos, cerveja é só aquela que está na propaganda da TV, aquela standard de gosto padronizado e fórmulas idem. Aquela “cerveja-arroz” da qual falei noutro artigo. Aquela que os torcedores de rótulos cultuam, cujo vencimento não pode jamais passar de seis meses da data de fabricação. Aquela, enfim. E as que não se enquadram nesse perfil? Nunca serão!

A lindíssima garrafa cujas fotos ilustram esse artigo é um exemplo recente. Trata-se da inovadora DaDo Bier Double Chocolate Stout, edição comemorativa da cervejaria DaDo Bier, de Porto Alegre (RS), elaborada em mais uma feliz parceria com os homebrewers cariocas Ricardo Rosa e Mauro Nogueira após suados três anos de trabalho. A seleção de insumos é soberba, e a breja é coroada com o toque magistral do chocolate Kopenhagen 70% cacau.

Chocolate não!

Feitas as apresentações da cerveja aos funças do MAPA, sabe qual foi a resposta? Nunca serão! Eles fizeram valer a norma vigente — e asna, e inexplicável – que preconiza que uma cerveja nacional não pode sofrer adição de componentes de origem animal. No caso, os “hômis” encanaram com o leite em pó contido no chocolate. De acordo com Eduardo Bier, proprietário da cervejaria, a saída foi fazer um lote limitadíssimo de apenas 100 exemplares, os quais estão sendo presenteados apenas a amigos — esse escriba é um desses sortudos.

Acontece que, vejam só, há outras cervejas com “componentes animais” na receita sendo normalmente importadas e comercializadas em território nacional — e aqui me absterei de mencionar seus nomes evitando despertar umdadodcs2 insuspeito “excesso de diligência” dos funcionários ministeriais. Apenas para situar o leitor, o crivo do MAPA para as brejas importadas — estudo de fórmula, rótulo, etc. — vale tanto quanto para as produções nacionais. E, pelo menos até o momento, não se tem notícia de que quaisquer dessas brejas já aprovadas tenha levado algum degustador aos leitos hospitalares. Embora contenham os “perigosamente mortais” componentes animais, sequer um desarranjo intestinal foi relatato por quem se aventurou a degustá-las — incluindo este escriba.

E qual seria a obscura razão imposta pelo MAPA segundo a qual as cervejas gringas com ingredientes “animais” passam na fiscalização, sendo que as artesanais nacionais não são aquinhoadas com a mesma sorte? Importada pode, nacional não? Imagina-se o coro de agentes do órgão, perfilados, a bradar: Nunca serão!!!

O calvário em Votorantim

Já para Alexandre Bazzo, cervejeiro da Bamberg, de Votorantim (SP), o caminho não é menos pedregoso. Em julho do ano passado, a microcervejaria realizou o I Concurso Paulista de Cerveja Caseira em parceria com a ACervA Paulista (associação de cervejeiros caseiros do estado), a fim de escolher a breja no estilo Extra Special Bitter (ESB) que integrará seu portfólio. Escolhida a breja vencedora, Bazzo submeteu fórmula e rótulo à apreciação dos digníssimos burocratas do MAPA. Preciso mesmo dizer a resposta?

Desta feita, os sapientes conhecedores de cervejas disseram nunca serão ao “estranho” rótulo da breja do homebrewer Guilherme de Santi por desconhecerem o termo ESB. Pois bem, a mensagem está passada. Cerveja “tipo pilsen” pode — embora as “tipo pilsen” que se conhece do mercado sejam tudo, menos Pilsen –, mas Extra Special Bitter (ESB) não pode. A mentira pode, a verdade não. Bazzo já submeteu um novo rótulo para a breja com o termo “Pale Ale” no lugar de ESB aos fiscais, já que a mentira, desde que seja conhecida, é bem-vinda. Quem sabe assim, na base do auto-embuste, a nova cerveja, enfim, será?

Essa é a cultura cervejeira dos illuminati do MAPA. De que adianta tentarmos criar um mercado sólido deste lado do Equador, fomentando cervejarias brasileiras ousadas e criativas, se os fiscais responsáveis por aprovar as bem-vindas criações dos cervejeiros só sabem rezar a cantilena do Capitão Nascimento? Quantas mais brejas maravilhosas seremos obrigados a não ter, em função de uma estúpida recusa dos burocratas em simplesmente informarem-se minimamente sobre estilos de cerveja?

O que você disse, estilos de cerveja? Não é tipo pilsen? Nunca serão!

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MauricioBeltramelliPost

 

 

* Mauricio Beltramelli, editor do BREJAS, é Mestre em Estilos de Cerveja pelo Siebel Institute (EUA) e Sommelier de Cervejas pela Doemens Akademie (Alemanha).

Rumo ao milhão!

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grafico

Feitas as contas, 2010 foi um ano incrível para este site. O número de acessos ao BREJAS quase dobrou, bem como o número de visitantes. Enquanto em 2009 contabilizamos 453 mil visitantes, com 2,3 milhões de pageviews (número de páginas visitadas dentro do site), em 2010 batemos a marca de 853 mil visitantes, com 4,3 milhões de pageviews.

Os números impressionantes são a prova do aumento do interesse do público em geral sobre cervejas, que vêem neste site uma fonte confiável, isenta e ao mesmo tempo divertida sobre o nobre líquido. Só temos de agradecer aos nossos leitores, foristas, avaliadores, e especialmente aos amigos que contribuem diariamente com o BREJAS. E que continuemos crescendo em 2011!

Para onde vão as ACervAs? – Sobre hobbys e profissões

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paraondeacervas

* Nota do Editor: Este post é a “continuação” do artigo Para onde vão as ACervAs?, publicado neste espaço em 6/1. Nele, expus a minha visão acerca do futuro das associações de cervejeiros caseiros. Sucedeu-se, então, uma saudável, interessantíssima e edificante discussão no espaço de comentários do post que se estendeu pelas listas de mensagens de algumas ACervAs, Twitter e Facebook. Estou, como se diz, “triscando” de vontade de participar desse diálogo. Mas, como autor do artigo e editor deste espaço, apenas lanço as discussões, evitando ao máximo protagonizá-las. Sim pois, como bem observou o leitor Julio Cesar Machado Junior, “mais interessante que o texto é a discussão que se criou em torno dele”. Dito e feito! Vamos discutir!

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DavidFigueiraPor David Figueira *

Interessantíssimo este ponto de vista. Volta e meia este assunto surge nos encontros da Acerva Paulista. Temos as mais diversas opiniões dentro da nossa Associação, o que torna nosso ambiente muito rico em discussões.

Ainda vivemos num círculo muito pequeno de pessoas e é ilusão achar que o nosso “movimento” atinge todos só porque de quando em vez surge alguma notícia em alguma mídia. Isso implica em dizer que nosso movimento ainda está em crescimento e, portanto, é fraco, e qualquer deslize neste momento pode acarretar num arranhão de imagem irreparável.

Enquanto diretor da Acerva Paulista, sei da responsabilidade que é dirigir uma Associação desta, que está baseada em um hobby e, portanto, o principal motor que nos faz prosseguir é a paixão que é fazer cerveja em casa. Mas como difundir mais e mais esse hobby? Existem dezenas de caminhos que a maioria dos que estão lendo este texto sabem. Porém, alguns preferem ir para o caminho comercial. Isso é errado?

Não…eu não acho. Conheço muitos cervejeiros caseiros que viram neste caminho uma maneira de pagar as despesas do hobby (fazer cerveja em casa não é um hobby barato), claro que outros tantos não. Porém, devemos crucificar estes cervejeiros? Não, afinal propagam numa esfera maior a existência de outros tipos de cervejas criando assim um círculo de realimentação de todo o processo. Porém há um viés legal nisso…sabemos que esta atividade não é legal (comercialmente falando) portanto deste ponto de vista enquanto diretor da Acerva Paulista não posso apoiar irrestritamente esta atividade. Ou seja, entramos em um paradoxo. E agora, o que fazer?

É papel da ACervAs esta discussão comercial? Não , não é. O movimento ACervA foi criado para propagar a fabricação de cerveja enquanto hobby. Temos este ponto como cerne de nossos estatutos. As ACervAs são entidades sem fins lucrativos, cujo propósito único é propagar uma cultura da boa cerveja baseada em fabricação caseira de seus associados.

Por isso, a responsabilidade extrema na direção que damos na ACervA Paulista para não sair de sua proposta original. Não aceitamos como sócios cervejarias, entidades jurídicas. Reprimimos quem usa o nome da ACervA para fins pessoais e mais, não queremos atribuir selos de qualidade — pelo menos não por hora. Esta é uma responsabilidade muito grande e foge de nossos propósitos.

É fato notório que não existe uma união entre as ACervAs estaduais, o que acarreta de imediato um enfraquecimento deste movimento. Consequência direta desta falta de unidade é a abertura para que associações com intenções nitidamente comerciais e que se aproveitam do boom das cervejas artesanais surjam por aí, e usufruam de um status falso de associação forte, que não são.

Mas ainda não respondi ao paradoxo. E a resposta que me vem à cabeça é resumida em uma palavra: Cooperativa. Porque não seguir o exemplo dos fabricantes de cachaça? Porque não criamos uma cooperativa? Claro que isso demanda investimento, mas será muito menor que abrir uma cervejaria sozinho. De cara, o modelo das cachaças não seria aplicável porque ainda não temos legislação para tal. Mas montar uma “fabriqueta” comunitária seria uma excelente saída. Cada produtor com seu tanque e dividindo despesas comuns. Este é um sonho que tenho há tempos. Esta seria até uma saída para sufocar estas fábricas que se dizem artesanais e que proliferam por aí.  Uma saída para driblar os altíssimos custos de implementação fabril…uma saída à brasileira, porém legal e inovadora nesta área.

Nos últimos 24 meses não vi surgir uma única fábrica de cerveja genuinamente comprometida com o movimento das Cervejas Artesanais. O que vi foi a proliferação de fábricas que tentam imitar cervejas de macrocervejarias e que só querem surfar nesta onda. Um texto-desabafo que escrevemos para o blog dos Lamas (nossa confraria cervejeira) retrata isso.

Ficam aqui minhas considerações pra reflexão. Pão e Cerveja!

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* David Figueira é diretor da ACervA Paulista.

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