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Pão e Cerveja: Programa 82 – A cerveja probiótica de Amanda Reitenbach

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Os indefectíveis iogurtinhos probióticos já têm data, hora e razão para ficarem definitivamente ultrapassados!

A mestra em engenharia de alimentos Amanda Felipe Reitenbach, radicada em Florianópolis (SC), é um dos exemplos da genialidade e obstinação de uma nova geração de jovens cientistas brasileiros. No bate-papo com a jornalista Fabiana Arreguy, ela anuncia que está desenvolvendo uma cerveja enriquecida com organismos vivos probióticos, os quais ajudam a regular a flora intestinal, melhoram a absorção de vitaminas e minerais e reduzem o colesterol ruim. Clique na caixa acima e ouça sobre a nova breja, a qual foi desenvolvida em parceria com a gigante holandesa Henieken, e em breve pode ser lançada no mercado.

Na dica do BREJAS, eu falo sobre as cervejas do estilo Pilsen, as mais consumidas no mundo, muitas vezes tão injustiçadas por quem não entende que, para treinarmos nossos sentidos para cervejas mais complexas, precisamos antes aguçar a sensibilidade com as mais suaves. O programa termina em altíssimo astral com a harmonizasom do Clubier.

A coluna Pão & Cerveja vai ao ar todas as sextas-feiras às 11:45 da manhã pela rádio CBN de Belo Horizonte (106,1 FM). Ouça ao vivo o programa ou curta os programas anteriores gravados e disponibilizados aqui no blog pelo BREJAS. Para a experiência ficar completa, acompanhe também o Blog Pão & Cerveja.

Para onde vão as ACervAs?

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Por Mauricio Beltramelli *

O leitor deste espaço que acompanha, mesmo de longe, o movimento cervejeiro artesanal brasileiro, lembra-se do nome de algum homebrewer que venceu o 3º Concurso Nacional das ACervAs (associações estaduais de cervejeiros caseiros), em Belo Horizonte, em 2008? E em 2009, na capital fluminense, você pode mencionar, sem titubear, os nomes dos vencedores do 4º Concurso Nacional? Vá lá, pra facilitar, você sabe, de chofre e na lata, quais foram os agraciados do ano passado, em Porto Alegre? Formulei, informalmente, essas questões a vários amigos ligados à cerveja caseira, e nenhum me respondeu corretamente. Alguns até mencionavam nomes esparsos, sem ligá-los a esse ou aquele certame, mas todos dependeram de pesquisa à internet (a propósito, pra quem quiser saber, o site é este).

Então, mudei a pergunta. Qual foi o cervejeiro caseiro a emplacar o primeiro Concurso Mestre Cervejeiro Eisenbahn? Todos responderam, sem hesitar, nome, sobrenome e rótulo: Leonardo Botto, criador d´A Dama do Lago. E nos segundo e terceiro Concursos Eisenbahn? Um ou outro entrevistado empacou no nome dos cervejeiros Ivan Steinbach e Sandro Sebastião Singer, mas as cervejas foram logo lembradas: Joinville Porter e São Sebá, respectivamente. Fui mais além e, já que tinha chegado até ali, perguntei o nome do vencedor do Festival de Inverno da ACervA Paulista de 2010 e todo mundo cravou: Guilherme de Santi, cuja cerveja ainda será produzida pela Cervejaria Bamberg.

A razão, praquele que ainda não matou a charada, é óbvia: Concursos entre cervejeiros caseiros são muito mais lembrados quando são apoiados por cervejarias que, após o pleito, produzem edições especiais das fórmulas dos vencedores. O apelo não é apenas e puramente comercial. Pra quem faz cerveja na panela de casa, a honra de ver seu nome estampado no rótulo de uma breja de distribuição nacional é indizível. Para o empresário, é sempre interessante incrementar suas vendas e posicionar sua marca, atingindo um consumidor mais exigente e de maior poder aquisitivo. E, por fim, para o público, que pode degustar as criações dos homebrewers sem obrigatoriamente estar de corpo presente nos Concursos Nacionais, o prazer é garantido. Todo mundo ganha.

Concursos “invisíveis”

Os Concursos Nacionais das ACervAs, criados em 2006 pela Carioca — por sinal, a primeira associação do gênero, que inspirou as demais em outros Estados — são festas divertidíssimas e imperdíveis. O próximo, inclusive, acontecerá em Santa Catarina em junho deste ano. É lá que você poderá degustar as cervejas vencedoras dentre tantas amostras inscritas.

Muito provavelmente, contudo, é só lá. As receitas continuarão em poder dos seus autores. Alguns até conseguem replicar suas fórmulas por algumas levas de pouquíssimos litros as quais, sem o apoio, a grana e a distribuição que uma cervejaria, mesmo de pequeno porte, pode proporcionar, caem no esquecimento. Salvo raríssimas exceções, viram lenda. Você desfrutou da IPA do Edigyl Pupo (vencedor no estilo em 2008)? E a Oktoberfest do André Luis Junqueira Santos (2010)? Nem eu.

Ranço marxista?

As ACervAs, como quaisquer outras associações de qualquer gênero, são o espelho dos seus membros. Nesse pensar, é de se notar que há, por parte de vários membros de várias ACervAs — e falo de exceções, não regras! –, um certo sentimento, digamos, “anticapitalista”, avesso ao empreendedorismo, como se compartilhar receitas com cervejarias fosse um atentado ao “purismo” ideológico das entidades. Como se, ao final e ao cabo, algum dinheiro pudesse macular honras e destruir reputações.

É curioso, entretanto, que a esmagadora maioria dos homebrewers brasileiros considere o cenário cervejeiro dos Estados Unidos como referência de projeto que deu certo. Ali, lá pela década de 1970, as associações de cervejeiros caseiros construíram agendas conjuntas, com foco e método na inventividade, claro, mas também no lucro! E, quando falo em lucro, entendam também replicabilidade de receitas, facilidade de distribuição (mesmo que seja regional) e, por fim e mais importante, disseminação da cultura cervejeira, uma vez que mais e mais gente pôde desfrutar das criações inventivas dos magos das panelas. Deu no que deu, e os gringos hoje fazem uma nova escola cervejeira mundial.

O futuro possível

Será que já não está na hora de assumir de vez essa postura também deste lado do Equador, sem pruridos protomarxistas? A boa cultura cervejeira, afinal, tem como finalidade principal justamente a disseminação do conhecimento sobre cerveja, o qual deve ir muito mais além dos esparsos e clubísticos encontros e Concursos das ACervAs!

Não concorda? Imagine então um sujeito que jamais ouviu falar que há outro estilo de cerveja a não ser “aquele”, e muito menos que é possível fazer cerveja na panela de casa. Num restaurante qualquer, ele se interessa por uma garrafinha da São Sebá e lê, no contra-rótulo, que a breja foi engendrada por um cervejeiro caseiro. Pronto, está passada a palavra, sem que o sujeito tenha que se informar em sites especializados quando e onde se dará o próximo Concurso Nacional.

E, ousando chegar mais além e sendo talvez excessivamente imediatista, que tal seria se a organização do próximo Concurso Nacional pusesse já mãos à obra e ofererecesse a alguma microcercejaria representativa um — ou todos — os estilos postos à prova? Na modesta visão deste articulista (e sendo repetitivo), todos ganham! Ou não?

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* Mauricio Beltramelli, editor do BREJAS, foi nomeado em maio de 2010 como Sócio Benemérito da ACervA Paulista.

Bares que amamos: KINGSTON MINES

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KingstonMines

2548 North Halsted, Chicago, IL (Estados Unidos).

Naquele setembro, eu chegava aos Estados Unidos para fazer meu curso de Mestre em Estilos de Cerveja e Avaliação no Siebel Institute, de Chicago. Logo no desembarque, ainda em Nova York, o oficial americano de imigração segue o protocolo e me pergunta o motivo da minha visita ao país. Já escolado com as eventuais idiossincrasias dos oficiais de imigração do mundo todo, evitei mencionar meu real objetivo por ali, temendo que ele me pedisse um visto de estudante — o qual, por sinal, eu não tinha. “Vou a Chicago relaxar e curtir um blues”, respondi, com cara de férias. Na mesma hora, a sisudez do oficial se transforma em interesse genuíno. Assim, como eu, ele era um entusiasta do blues de Chicago, no que a fila de viajantes atrás de mim permaneceu longos minutos parada até que conversássemos animadamente sobre as nossas preferências musicais. De fato, curtir o lendário ”blues elétrico” da cidade era meu segundo objetivo, cumprido nos dois dias pós-curso que me dei de presente na capital do estado de Illinois, antes de voltar ao Brasil.

Já havia pesquisado na internet, e o Kingston Mines me pareceu mais apetecível dentre a infinidade de casas de blues na cidade, unindo a aura de “templo” do blues — por ali sempre ciscam deuses sagrados do gênero — com uma atmosfera cozy e, claro, também pela presença das cervejas especiais. E, já que tinha escolhido meu hotel naquela mesma área do Lincoln Park, o que me possibilitava ir e voltar a pé, lá fui eu ciscar também. Tanto não me decepcionei como lá voltei mais uma vez, dia seguinte.

O Kingston Mines não tem exatamente uma carta de cervejas. Porém, há ótimas opções de brejas artesanais americanas, e por ali me deixei varar madrugadas bebericando a corretíssima e deliciosa Goose Island India Pale Ale (cuja cervejaria fica a poucos quarteirões dali) e a inusitada e megarrefrescante Purple Haze, da Abita Brewing Co. (Louisiana), uma cerveja de trigo com adição de framboesa — combinação, aliás, que poderia ser melhor explorada pelos cervejeiros artesanais brasileiros, mesmo que o seja com outras frutas.

A configuração interna do pub é bastante curiosa. Há, virtualmente, dois Kingston Mines, ambientes separados e praticamente autônomos, ambos abrigando cada qual o seu bar, seus garçons e seu palco. O barato é que sempre há duas bandas na casa, e um curioso revezamento entre elas: uma das bandas se apresenta no palco principal e, no break, a outra toca fogo no ambiente ao lado. Blues de verdade e ao vivo a noite toda, até as 4 da manhã. Coisa linda.

Lá pelas três, decidi que minha noite chegava ao fim, embora lá dentro o ambiente ainda fervesse. Na saída, vivi experiência que parece mentira, mas aconteceu. Vance Kelly em pessoa estava lá fora com sua banda aproveitando o break e fumando algumas cigarrilhas encostados nos carros estacionados no meio-fio. Quase ninguém os acompanhava. Saí e dei de cara com a lenda, que me cumprimentou e me perguntou o motivo pelo qual eu ia embora tão cedo. Aproveitei a deixa e me apresentei como brasileiro aficionado em blues, o que despertou a curiosidade do blueseiro. O papo foi breve, mas, pra mim, inesquecível.

Tudo, tudinho, pela estarrecedora quantia de quinze dólares, que é o valor — ridículo! — do ingresso no Kingston Mines. Como já perguntava Robert Johnson o fundador do blues, lá pelo começo do século passado, honey don´t you want to go to my sweet home Chicago?

Veja abaixo mais imagens do Kingston Mines e um pequeno filme de Vance Kelly em ação. 

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A sua cerveja predileta pode ser chamada de “artesanal”?

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ba_logoCervejeiros americanos definem critérios para denominação de cervejarias artesanais

Em artigo publicado ontem, 3 de janeiro, o conselho de diretores da Brewers Association, entidade que representa a maioria dos cervejeiros americanos, definiu que “pequenas” cervejarias são, a partir de agora, aquelas que produzem até 6 milhões de barris por ano. A quantidade de volume significa um grande aumento dos parâmetros já que, na definição em vigor até então vigente para o país, eram apenas 2 milhões de barris/ano.

A mudança do termo possui objetivos tributários. “Trinta e quatro anos se passaram desde que o diferencial de impostos para pequenas empresas cervejeiras originalmente definia pequenas cervejarias como aquelas que produziam menos de 2 milhões de barris”, disse Nick Matt, presidente do conselho de diretores da Brewers Association. “Muita coisa mudou desde 1976. A produção conjunta das cervejarias dos EUA cresceu de 45 milhões para 300 milhões de barris anuais.”

A preocupação se justifica quando se constata que a maior cervejaria artesanal americana, a Boston Brewing Company, está no limiar de ultrapassar a marca dos 2 milhões de barris/ano. Trata-se de mais uma demonstração da representatividade que os cervejeiros artesanais americanos possuem quando chega a hora de pleitear junto ao governo impostos mais justos.

Já por aqui em terras brasileiras, a despeito dos heróicos esforços dos proprietários de algumas microcervejarias, o setor continua desunido e com poder de influência política praticamente nulo. O resultado é que a carga tributária aos pequenos cervejeiros é ainda mais alta do que para as megacervejarias, refletindo na inviabilidade financeira de muitas empresas. As que sobrevivem, em função dos insumos mais nobres — e mais tributados –, são obrigadas a aumentar seus preços ao consumidor. Todo esse círculo vicioso deixa cada vez mais impraticáveis, no Brasil, os objetivos da boa cultura cervejeira em beber menos e melhor.

O que é ser “artesanal”

A Brewers Association possui definições acerca do termo “cervejaria artesanal” no país, promovendo o que se chama de Nova Escola Cervejeira Americana: 

  • Cervejarias artesanais são, obrigatoriamente, pequenas cervejarias.
  • A marca das cervejarias artesanais é a inovação, ao interpretar estilos históricos com características únicas e desenvolver novos estilos de cervejas.
  • As cervejas artesanais geralmente são elaboradas com ingredientes tradicionais (como a cevada maltada); ingredientes ”não-tradicionais” são muitas vezes adicionados à cerveja artesanal para realçar seu caráter distintivo.
  • Cervejarias artesanais tendem a ser muito envolvidas em suas comunidades através da filantropia, doações de produtos, voluntariado e patrocínio de eventos.
  • Cervejeiros artesanais adotam abordagens individuais e personalizadas para conectar-se com seus clientes.
  • Cervejarias artesanais mantém a crença na independência.

Pão e Cerveja: Programa 81 – Wäls Brut

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No último programa do ano, o tom da coluna radiofônica é inovação. Pra começar, a jornalista Fabiana Arreguy inverte a ordem dos fatores e apresenta em primeiro lugar as dicas do BREJAS, nas quais eu falo sobre as cervejas elaboradas pelo método champegnoise, próprio dos grandes espumantes e ideais para o grande momento do brinde de boas-vindas a 2011 em altíssimo estilo.

Não sabe o que significa o método? Pois logo em seguida o cervejeiro Tiago Carneiro, da microcervejaria Wäls, de Belo Horizonte (MG) explica em detalhes a técnica, eis que também apresenta uma novidade cervejeira para o ano que vai nascer: Está chegando ao mercado a Wäls Brut, breja elaborada como champagne!

A coluna Pão & Cerveja vai ao ar todas as sextas-feiras às 11:45 da manhã pela rádio CBN de Belo Horizonte (106,1 FM). Ouça ao vivo o programa ou curta os programas anteriores gravados e disponibilizados aqui no blog pelo BREJAS. Para a experiência ficar completa, acompanhe também o Blog Pão & Cerveja.

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